Diário da Região

19/08/2015 - 00h00min

Milagre da medicina

Gabi vai rever seu Mengão

Milagre da medicina

Guilherme Baffi Muita gente pensa em desistir. Eu disse o tempo todo para mim: ‘ôu, vamos em frente’. Eu nunca desisti da vida - Gabriela Roque
Muita gente pensa em desistir. Eu disse o tempo todo para mim: ‘ôu, vamos em frente’. Eu nunca desisti da vida - Gabriela Roque

Gabi vai deixar o hospital Beneficência Portuguesa de Rio Preto entre hoje e amanhã. Depois de um ano e meio internada, a jovem de 23 anos enfim vai para a casa, no Rio de Janeiro. Entre os projetos mais “urgentes” está o de assistir o Flamengo no Maracanã, comer pizza, ver pela TV o Rock in Rio acompanhada por amigos e preparar coisas gostosas para comer. A longo prazo, quer cursar gastronomia.

Gabriela Lopes Moreira Roque tem a doença de Crohn, um mal raro e autoimune (o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo). Descobriu aos 12 anos e, de lá para cá, tomou todos os medicamentos contra a doença, fez inúmeras cirurgias, passou boa parte de sua juventude hospitalizada e viu a morte de perto. Só em Rio Preto, onde está internada desde o dia 4 de março, foram quatro internações na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). “Consideramos o caso da Gabi um milagre”, diz o cirurgião proctologista Roberto Luiz Kaiser Júnior.

 

Gabriela Roque e o pai Milton Gabi abraçada ao pai, Milton, que a acompanha nos últimos anos

Transplante

No desespero de pai ao ver que aparentemente nada mais poderia ser feito pela sua filha, o aposentado Milton Roque, 52, começou a pesquisar tratamentos alternativos e encontrou uma reportagem veiculada pelo Diário sobre transplante de células-tronco, feito em Rio Preto.

Pelo fato de o tratamento ser pioneiro no Brasil e feito por Kaiser e o hematologista Milton Ruiz, o pai pediu à equipe médica que acompanhava Gabriela no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que entrasse em contato com o doutor Kaiser. Ela deixou a unidade no Rio em um dia e, na manhã seguinte, estava na Beneficência.

Pai e filha vieram para Rio Preto com a esperança de fazer o transplante de células-tronco, mas ela teve outras doenças que impediram o tratamento. “Muita gente pensa em desistir. Eu disse o tempo todo para mim: ‘ôu, vamo em frente’ (sic). Eu nunca desisti da vida”, diz.

Complicações

Ao ser internada, Gabriela estava desnutrida, com febre, tinha cólicas, diarreia, alterações do intestino e fístulas na região abdominal. Com 1,73 m pesava 39 quilos. Enquanto era tratada para melhorar o quadro geral de saúde e então poder passar pelo transplante, foi descoberto que estava com uma endocardite, que é um foco de infecção no coração. Passou então por cirurgia cardíaca e dias de UTI. “Achamos que ela não resistiria”, diz Kaiser.

Depois de recuperada, novamente começariam os preparativos para o transplante, mas Gabriela teve uma pneumonia fúngica. Foram 40 dias de tratamento e mais uma internação na UTI. Logo em seguida, sofreu uma infecção de cateter, que obstruiu completamente o intestino. A única chance que havia contra a morte era a cirurgia. O procedimento de emergência foi feito por Kaiser e durou cerca de cinco horas.

“Foi uma cirurgia tradicional, uma laparotomia, que é a abertura do abdome para constatar o que estava acontecendo”, diz Kaiser. Em seguida, foram liberadas as aderências, corrigidas as fístulas e fechados os orifícios. “Assim que terminei a cirurgia eu disse: Ela vai ao Maracanã, pai”, conta Kaiser. Ainda emocionado, Milton também se recorda da frase dita pelo médico enquanto as esperanças de ver a filha bem lutavam contra o estado gravíssimo de Grabriela. Nos últimos anos, Milton fez das poltronas e sofás dos hospitais sua cama para dormir quando a filha estava na UTI e nos quartos hospitalares.

 

Gabriela Roque e o médico Roberto Kaiser Júnior Gabi lado do proctologista Roberto Kaiser Júnior

Doença foi diagnosticada aos 13 anos

Gabriela enfrenta a doença de Crohn há 11 anos. Quando entrava na adolescência, passou a sentir fortes dores na barriga, diarreia, vômitos e febre. Com 13 anos, o diagnóstico foi dado pelos médicos do Clementino Fraga Filho. Inicialmente o tratamento foi medicamentoso, com corticóides, sulfa e mesalazina. Contudo, a doença avançou.

De tanto ir ao banheiro, Gabriela perdeu a musculatura do reto e soube, aos 18 anos, que teria de retirar parte do final do intestino grosso e passar por uma colostomia, com a colocação de uma bolsa para coletar as fezes. Ano a ano, foi sofrendo com a doença e passou por cirurgias que retiravam parte do intestino, do cólon e amputação do reto.

“Minha pior crise foi há um ano e meio, quando me operaram novamente. Tiraram todo o restante do intestino grosso e amputaram meu cólon. Tinha fístulas na minha barriga inteira. Só de tomar água, a gente via ela sair”, conta. Segundo Milton, os médicos do Rio não queriam mais operar Gabriela, porque não era possível fazer um exame mais detalhado que mostrasse como ela estava por dentro.

“Na hora que dava o contraste, ele saía pelos orifícios e não dava para fazer os exames”, diz. Hoje, Gabriela pode comer, já engordou e pesa 43 quilos. Está com duas ileostomias, mais conhecidas como bolsas para receber as secreções. “O médico mandou eu ficar forte (saudável) e dentro de dois meses eu tiro uma. O que eu quero agora é comer pizza”, responde quando perguntada como se sente.

Ela faz sessões diárias de fisioterapia, e a expectativa é que consiga sair andando do Beneficência Portuguesa. “Quando tiver Flamengo e Corinthians no Maracanã, nós vamos assistir”, retruca o médico, em tom de promessa feita para dar mais ânimo e desejo de vida a Gabriela. O médico diz que ela terá uma vida normal mas, caso volte a ter complicações, o transplante de células-tronco poderá ser adotado como tratamento. Kaiser Junior foi a Chicago conhecer melhor esse procedimento e, junto com o hematologista Milton Ruiz, faz transplante para o tratamento da doença de Crohn no Brasil.

 

 

 

 

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