Diário da Região

10/09/2015 - 00h00min

Rebimboca da parafuseta

Curso propõe ensinar mulheres a identificar defeitos mecânicos no veículo

Rebimboca da parafuseta

Johnny Torres A mecânica Roseli com alunas de curso realizado para mulheres em Rio Preto
A mecânica Roseli com alunas de curso realizado para mulheres em Rio Preto

Prazer, esse é o cabeçote. Assim, Roseli Oliveira da Silva abriu o capô de um Logan e mostrou o motor do carro a um grupo de 50 mulheres. De salto, baton, cabelos escovados e olhares desconfiados, elas se candidataram a um o curso de mecânica de veículos bem peculiar. O intensivão, promovido por uma seguradora de Rio Preto, tinha por objetivo desvendar os mitérios da rebimboca da parafuseta para o universo feminino.

Marisa Missiaggia Hernandes, 49 anos, uma das primeiras a chegar, tinha uma história vivenciada por boa parte das alunas. “Certo dia, fiquei sem a luz do freio. Fui ao mecânico, que pediu R$ 220 pelo conserto, e me assustei. Pedi ao meu marido que procurasse outra oficina”, disse Marisa. “O conserto caiu para R$ 35; precisou trocar apenas a cebolinha.”

“Empurrada” por Marisa, Vanessa Tenório, de 34 anos, também participou do curso. Certo dia, ela dirigia pela rodovia Presidente Dutra e o carro perdeu o freio. Vanessa teve calma para evitar uma tragédia e lembrou o que disse uma amiga: “Redução da velocidade pela marcha.”

“Depois, o mecânico explicou que eu poderia ter evitado se trocasse as pastilhas de freio”, recordou Vanessa. “Quando o mecânico pisou no freio, me explicou que aquele barulho, tipo gato esgoelando, indicava que a pastilha já estava no osso”, contou Vanessa.

O objetivo do curso, segundo Marcos Kafer, gerente da Porto Seguro em Rio Preto, foi orientar as mulheres a conversar de igual quando forem obrigadas a levar o carro ao mecânico. “As motoristas terão mais autonomia para acompanhar a manutenção de seus veículos e conhecimento básico para tomar iniciativas em casos de pane”, explicou Kafer.

 

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Foram duas horas de conversa, apenas entre Roseli e as alunas. “É o clube da Luluzinha na oficina, agora”, brincou a mecânica e professora, antes de despedir todos os homens da sala.

A professora ensinou o que cada barulho quer avisar ao motorista. “Se é defeito na roda, ou no rolamento. Ou quando é estouro da correia e por aí”, disse Patrícia Maria Santicioli, de 38 anos. “Roseli explicou com uma linguagem feminina. Nossas dúvidas são diferentes das dúvidas dos homens. Neste curso, perguntamos sem qualquer receio, porque não havia homem na sala. E os egos não trombaram.”

Em pouco tempo, a mulherada literalmente arregaçou as mangas e, sem perder a vaidade das unhas coloridas por esmalte, colocou a mão na graxa. Elas foram apresentadas a cada peça do motor. Saíram de lá craques, sabendo tudo de transmissão, direção, suspensão, freios, direção defensiva, motor, sistema elétrico e sistema de injeção. “Só de aprender a trocar um pneu já ajuda e muito”, contou Luciana Veloso, 29 anos.

E os mecânicos maldosos, acostumados a superfaturar no conserto, que se cuidem: “Estamos atentas, agora”, avisou Vanessa. Pelo jeito, está acabando a farra da rebimboca da parafuseta.

 

mecânica Roseli Oliveira da Silva Roseli Oliveira da Silva, que fez as mulheres colocarem as mãos na graxa, literalmente

Ela superou preconceitos para fazer o que gosta

Da janela do quarto, Roseli Oliveira da Silva observava fascinada o dia a dia na oficina do seu Toninho, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Desde criança, ela queria ser mecânica e enfrentou todo tipo de preconceito dentro de casa e também na oficina. Ganhou apelido de “Machadão” e só concluiu o curso de mecânica no Senai depois de muita insistência.

“Sempre fui inquieta e gostava de carros. Mas ouvi do meu pai: 'não quero dois filhos, quero minha filha'”, disse Roseli.

Trabalhou na Associação Comercial de São Paulo, depois em um banco e, ao conseguir sua independência, foi realizar o sonho. Fez curso de mecânica no Senac e entregou currículo desde o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, até a zona sul da Capital.

“Não tive uma resposta. Lembrei da oficina do Toninho, pedi emprego e comecei, mesmo sem receber salário. Quando meu pai soube, foi conversar com o Toninho e disse: 'ela vai trabalhar sem ganhar um tostão e vai ser a última a sair, mesmo se a oficina fechar depois da 1 hora da manhã'”.

Num desses dias, ao consertar o freio, Roseli foi barrada pelo cliente. “Ele chamou o dono e proibiu uma mulher de fazer o conserto no carro dele”, disse a mecânica, que em 2002, montou a sua própria oficina e hoje trabalha com o marido, também mecânico. 

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