Diário da Região

21/07/2015 - 00h00min

Greve estadual.

Agentes penitenciários cruzam os braços

Greve estadual.

Johnny Torres Agentes em frente ao CDP de Rio Preto; paralisação impediu entrada e saída de presos
Agentes em frente ao CDP de Rio Preto; paralisação impediu entrada e saída de presos

Agentes penitenciários das três unidades prisionais de Rio Preto aderiram ontem à greve estadual. Dos 240 servidores, 192 não trabalharam, 80% do total. Apenas atendimentos de saúde e alimentação foram fornecidos aos detentos. A paralisação acontece em resposta à morte do agente penitenciário Rodrigo Ballera Miguel Lopes, de 33 anos, de Birigui. Ele foi baleado pouco depois de sair do trabalho do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Campinas, na quinta-feira. A insegurança dos agentes é uma das principais reivindicações da classe.

Com presídios superlotados e a falta de segurança também fora dos presídios, os carcereiros afirmam que estão cada vez mais expostos à criminalidade. O Centro de Detenção Provisória (CDP) de Rio Preto registra mais do que o dobro da capacidade. O local tem espaço para abrigar 768 presos, mas até ontem estava com 1.850. No Centro de Progressão Penitenciária (CPP), a situação também é caótica. São 1.650 detentos em um prédio construído para 1.200. No Centro de Ressocialização Feminino (CRF), um total de 250 presas ocupa as celas planejadas para 210.

“Os presídios estão muito além da capacidade. A situação está complicada. Estamos sendo caçados. Uma insegurança total”, disse João Batista, diretor regional do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo. Os agentes permaneceram o dia todo ontem em frente às unidades. Apenas atendimentos médicos eram permitidos.

Advogados dos presos ficaram sem visitar seus clientes; e os detentos, sem banho de sol. Audiências e outros serviços, como o trabalho dos presos fora das unidades, estão barrados. Até a polícia não teve sucesso ao levar detentos para o CDP.

Na manhã de ontem, policiais tentaram levar cinco presos ao local, mas tiveram de retornar com eles para a Central de Flagrantes de Rio Preto. O local tem capacidade para abrigar 25. “Não estamos recebendo presos. Os que vieram tiveram de voltar para a Central de Flagrantes. Essa foi a única alternativa que tivemos para reivindicar nossos direitos. Apenas 20% dos funcionários estão trabalhando para manter o funcionamento de serviços essenciais”, afirmou Batista.

Além de mais segurança, os agentes pedem que o governo cancele 32 demissões, articuladas como forma de punição para os agentes que participaram da greve no ano passado. Os agentes cobram ainda a definição quanto ao bônus salarial que seria oferecido à classe e reajuste salarial de 8%, igual à inflação do último ano. “Isso foi prometido na greve do ano passado e até agora foi nada definido”, disse Batista.

 

Mobilização para 97 unidades

A greve dos agentes penitenciários de São Paulo, iniciada no fim de semana, atinge 97 das 163 unidades prisionais do Estado, informou o presidente do sindicato da categoria, Daniel Grandolfo. "É a maneira que encontramos para  mostrar  a situação de tensão e insegurança dentro dos presídios e de cobrar do governo o cumprimento dos acordos que ele fez com os trabalhadores na greve de 2014", disse.

Cerca de 35 mil agentes trabalham nas unidades prisionais paulistas. No interior de São Paulo, onde está a maioria, houve manifestações dos agentes pela manhã em diversas delas, como na Penitenciária 2, de Presidente Venceslau, onde estão detidas as principais lideranças da facção PCC.

Com a greve, alguns advogados foram barrados nas portarias da P2, assim como oficiais de Justiça, que não foram atendidos pelos agentes para entregar intimações. A greve também suspendeu a remoção de detentos para audiências em Fóruns e a entrada de psicólogos e assistentes sociais para atendimento dos detentos. Apenas o atendimento de emergência de saúde e de alimentação está liberado. 

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