Diário da Região

16/07/2015 - 00h00min

Morte súbita

Coração mata dois por dia na região

Morte súbita

Guilherme Baffi Lucimar Aguiar Ishida Sanfelice, professora aposentada, descobriu ter problemas cardíacos
Lucimar Aguiar Ishida Sanfelice, professora aposentada, descobriu ter problemas cardíacos

Só nesta semana, dois rio-pretenses foram vítimas de morte súbita, entre eles um atleta. Eles se somaram a uma estatística preocupante: em três anos e quatro meses, de janeiro de 2012 a abril deste ano, doenças cardiovasculares tiraram a vida de 2.846 pessoas na região, média superior a dois por dia, sendo 1.063 só em Rio Preto. Mas como pessoas saudáveis sofrem um mal súbito?

Luana Caires Catricala, 30 anos, não se levantou ontem para ir ao trabalho. Ao tentar acordar a jovem, a família percebeu que ela estava morta. Este é o segundo caso de mal súbito está semana. O ciclista de Rio Preto José Reinaldo Cardoso, o "Batateiro", também teve morte súbita, na manhã da última segunda-feira, durante prova dos Jogos Regionais.

Segundo o tio Robert Catricala, Luana era saudável e não tomava medicamentos. Ela era formada em enfermagem, com especialização em oncologia pela Famerp e trabalhava no administrativo da rede de supermercados Laranjão. Segundo o cardiologista Adalberto Lorga Filho, especialista em arritmias cardíacas do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) em Rio Preto, os exercícios físicos e hábitos saudáveis são os grandes aliados do coração. “Apesar do evento trágico (a morte de Batateiro), o esporte protege o coração e salva vidas”, diz.

A causa da morte de Luana ainda será conhecida, assim como a do ciclista, que pode ter sido provocada por diferentes problemas que atingem o coração, como anomalias das artérias coronárias ou cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito. “Antes de começar um esporte, a pessoa deve passar por consulta médica. As avaliações precisam ser mantidas dentro de certa periodicidade”, diz Lorga Filho. Ele orienta ainda a fazer exercícios com preparador físico, que conheça os limites e faça a intensidade da atividade ser gradativamente aumentada.

Começo

Para quem não pensa em se tornar um atleta mas quer iniciar atividades, seja em academia ou nas ruas e parques de Rio Preto, além da avaliação cardiológica, a pessoa deve adotar hábitos saudáveis, conhecer o histórico familiar - se há casos de doenças cardiovasculares na família - e ficar atento a determinados sinais que podem surgir durante o exercício.

“Se ao fazer um esforço físico a pessoa sentir dor no peito, palpitações ou tontura deve ficar alerta e buscar um especialista. Em caso de desmaio, é preciso ir ao médico imediatamente. Também deve checar se existe histórico de casos na família”, afirma Lorga Filho. Foi ao passar mal durante corridas com um grupo de Rio Preto, que a professora aposentada Lucimar Aguiar Ishida Sanfelice, 51 anos, descobriu ter problemas do coração.

Inicialmente, ela procurou um gastroenterologista, achou que era o estômago. “Nada foi apontado”, diz. Na busca por saber o que estava se passando com ela, descobriu que tem ponte miocárdica, que é uma má-formação congênita do órgão.

Mas não parou aí. O diagnóstico do cardiologista Lorga Filho apontou ainda que ela sofre de cardiomiopatia hipertrófica (o tipo mais comum de doença cardíaca de origem genética). “Nós fazíamos corrida no mesmo grupo. Quando descobriu minha doença, proibiu que eu continuasse a correr. Hoje eu faço caminhadas e acabo de ser liberada para atividades mais leves em academia”, diz Lucimar.

 

Luciana Caires Catricala Luciana Caires Catricala teve morte súbita

Doenças têm influência genética

As doenças cardiovasculares têm origem em causas externas ou são de ordem genética, ou seja, outras pessoas da família sofrem o mesmo mal. Na família de Lucimar, o pai e quatro dos seis irmãos têm cardiomiopatia hipertrófica. Uma das irmãs descobriu recentemente o problema.

Para o cardiologista Lorga Filho, o caso de Lucimar ressalta o fato de haver muita gente fazendo exercícios, se expondo a riscos e sem saber que tem uma doença que pode levar a um mal súbito. “O diagnóstico precoce salva vidas”, diz Lorga Filho.

“Sofri muito quando soube que não poderia mais correr, há cerca de um ano. Tive de rever minha vida, eu era muito ativa e a adrenalina da corrida causava uma sensação prazerosa. Mas o importante é ter descoberto antes. Poderia ter morrido durante uma corrida.”

Além de acompanhamento cardiológico, Lucimar toma medicamento betabloqueador para manter o ritmo adequado dos batimentos cardíacos e faz caminhadas três vezes por semana.

 

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