Diário da Região

26/08/2015 - 00h00min

Crime organizado

PCC fatura R$ 3 milhões na região

Crime organizado

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O PCC movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano com o tráfico de drogas da região de Rio Preto. A estimativa, inédita, baseia-se em planilhas apreendidas pelas polícias Federal e Militar e analisadas pelo Gaeco, braço do Ministério Público que investiga o crime organizado.

Os documentos, obtidos com exclusividade pelo Diário, revelam uma sofisticada contabilidade, com receitas e despesas de cada uma das sete divisões regionais do PCC no interior paulista, divididas conforme o DDD - no caso de Rio Preto, a regional é a 17. “O PCC é hoje uma grande empresa, que encontrou no tráfico de drogas a maior fonte de sua receita”, diz o procurador Márcio Sérgio Christiano, especializado em investigações contra o crime organizado.’

As planilhas estavam em computadores apreendidos entre 2013 e 2014 com dois integrantes da facção na região de Limeira: Jorge Luiz dos Santos Oliveira, o Ceará, e Danilo Augusto Drago, o Dani Boy, subordinados diretos de Rodrigo Felício, o Tico. Maior liderança do PCC no interior paulista, Tico ocupava o posto de Sintonia Geral do Interior. Ele foi preso pela Polícia Federal em 2014 na Operação Gaiola.

Limeira foi escolhida como centro de distribuição de drogas da facção para todo o interior do Estado. Dani Boy e Ceará cuidavam da distribuição do entorpecente a cada regional. Em novembro de 2013, o Gaeco e a PM cumpriram mandado judicial de busca na casa de Ceará em Limeira. No computador dele, havia mais de 2 mil arquivos relacionados ao PCC. Quatro meses depois, quando foi deflagrada a Operação Gaiola, policiais federais apreenderam na casa de Dani Boy, também em Limeira, mais 2 mil planilhas da facção.

Nesses documentos, cada regional do interior tem contabilizada a entrada e saída de dinheiro referente ao tráfico de drogas (chamado de progresso), divididos em crack ou pasta base (denominado PT), cocaína de qualidade inferior (ML), cocaína de alta qualidade (Original) e maconha (Bob, alusão ao cantor Bob Marley). Também são esmiuçadas compras de celulares, armas e veículos para transporte de droga, chamados “borrachas”, além de despesas com o aluguel de vans para o transporte de parentes dos presos até as penitenciárias.

Os fechamentos contábeis são semanais. Por eles, é possível concluir que, todo mês, a cúpula do PCC investe uma média de R$ 250 mil em droga na regional 17, a maior parte crack ou pasta base e maconha. O valor é contabilizado como dívida da regional, abatida com a venda do entorpecente - o dinheiro da venda que volta para a cúpula é denominado “arremesso”.

A título de exemplo, na primeira semana de outubro de 2012, a regional “arremessou” R$ 2,5 mil em crack para a Sintonia Geral do Interior em Limeira. O valor foi abatido do débito anterior, R$ 91,7 mil.

Cabia a Tico determinar as quantias de droga que seriam distribuídas para cada regional, conforme fica claro nas mensagens de celular da quadrilha captadas pela PF na Gaiola:

“Amigo qual q vc vai soltar primeiro / E qual a quantia ao crto (certo) que vai”, perguntou Danilo a Tico, em julho de 2013.

“017 (região de Rio Preto) / 17 cxs”, respondeu Tico - não há especificação da droga.

“Cabe 13 barras”, devolveu Danilo, possivelmente se referindo ao esconderijo (mocó) do automóvel que levaria a droga até Rio Preto. “Pois sao 16 kl d pt (crack) que cabe / As barras passam de 1 kl / Amigo coube 17 barra / Vai passar de 17 kl”

Braço-direito de Tico, Sérgio Luiz de Freitas, o Mijão, de Campinas, coordenava o recolhimento de dinheiro vivo em cada regional, resultante da venda de droga. Em setembro de 2013, ele orienta um subordinado, por mensagem de celular, a recolher R$ 15 mil da facção em um ponto próximo à Represa Municipal, em Rio Preto:

“Amigo tirar a 7 amanha tem quase 15”

“Pode arma jaera / Ele vai la perto do acai (açaí) / Na lagoa”

“La tem varios (locais que têm açaí no nome)”, respondeu Sérgio.

“Do lado da vistoria?”

“No msm (mesmo) lugar da outra vez / Na vistoria de carro”

“Fexo”

 

Faturamento beira R$ 120 mi

O PCC fatura cerca de R$ 8 milhões por mês com o tráfico de drogas e outros R$ 2 milhões com sua rifa e com as contribuições feitas por integrantes - o faturamento anual de R$ 120 milhões a colocaria entre as 1.150 maiores empresas do País.

Os dados vieram à tona em 2013, quando o Gaeco denunciou 175 integrantes da facção à Justiça, na maior investigação contra o crime organizado da história do País.

A denúncia descreveu um QG da facção na região: uma chácara em Potirendaba. O imóvel servia para reuniões de um dos líderes do PCC no interior, Amarildo Vanderlei Branco, o Lecão, com “irmãos” do PCC, entre eles Fábio Moiz de Oliveira, o Mexicano, e Jonathan Douglas de Oliveira, o Ventania, ambos líderes do PCC em Ribeirão Preto. No dia 10 de abril de 2012, grampos do Gaeco captaram telefonema de Lecão convidando Ventania para um churrasco no fim de semana na chácara de Potirendaba, para comemorar o aniversário do primeiro, além de tratar de assuntos relacionados à facção.

O Gaeco acionou a Polícia Militar, que invadiu a chácara. No local, os policiais encontraram uma pistola de Lecão e porções de maconha pertencentes a Mexicano. Os três chefões do PCC foram presos. Eles estão entre os 175 denunciados pelo Gaeco. 

 

Facção tem 50 na região

O PCC tem pelo menos 50 integrantes batizados na região de Rio Preto. Como em uma confraria, a facção exige que seus integrantes sejam batizados. Os novos membros devem ser apresentados à facção por três integrantes mais antigos, que passam a ser considerados “padrinhos” do novato.

Junto às planilhas, o Gaeco encontrou milhares de cadastros com os integrantes da facção. Esses cadastros especificam o nome do filiado, o vulgo, o número de matrícula prisional, a “quebrada” (cidade de atuação), a data e o local de batismo, os padrinhos, as “três últimas faculdades” (três últimos presídios), a “responsa atual” (função na facção) e a existência de eventual punição.

Esse método organizacional do PCC já havia ficado claro para o Gaeco e a PF em 2012, quando o braço da facção na região foi investigado na Operação Gravata. Em um dos trechos das escutas captadas com autorização da Justiça, Gilberto Torres, de Catanduva, então o líder máximo do PCC na regional 17, repassou a um subordinado a qualificação de um suposto integrante da facção de Novo Horizonte:

“___ Nome: Davi Wesley Lourenço. Matrícula: 662.945. Três últimas canas [prisões recentes]: CDP de Bauru, Adriano Marrey de Guarulhos, CDP de Rio Preto. Batismo [NA FACÇÃO]: 12 de abril de 2011. Quebrada [cidade de atuação]: Novo Horizonte. Vulgo: Tubarão. Padrinhos [NO PCC]: Berinjela, Fião e Godoi. Responsa: nenhuma. Foi batizado na rua, na capital, e de lá ele veio pra cá.”

O PCC controla as dívidas de cada integrante: os que não estão presos são obrigados a pagar uma taxa mensal de R$ 650, chamada “cebola”, e R$ 600 a cada dois meses na forma de números de rifa (veja quadro nesta página). Quem não paga corre o risco de ser expulso da facção.

Diário apurou que o líder atual da facção na regional 17 tem o apelido de Nike, e mora no Parque Estoril, zona sul de Rio Preto. Procurado na última semana, o promotor do Gaeco de Rio Preto, João Santa Terra, informou que não poderia se manifestar sobre o assunto. 

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