Diário da Região

23/01/2016 - 00h00min

nas mãos erradas

Veja o que os bandidos fazem quando levam o seu carro

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Arquivo Segundo o delegado Paulo Grecco, os veículos dublês são carros e motos que os bandidos furtam e trocam a placa original por uma de outro veículo
Segundo o delegado Paulo Grecco, os veículos dublês são carros e motos que os bandidos furtam e trocam a placa original por uma de outro veículo

Nos últimos dois anos, 3.035 pessoas tiveram seus veículos roubados ou furtados em Rio Preto, o que equivale a uma média de 126 carros levados por criminosos todos os meses. Desse total, de acordo com a Polícia Militar, 53%, em média, foram recuperados, ou seja, 1.608, média de 67 veículos devolvidos por mês. Os outros 1.427 crimes não foram solucionados.

O Diário entrevistou autoridades para saber quais são os principais destinos desses carros furtados ou roubados em Rio Preto. De acordo com o delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil, Paulo Grecco, a maioria dos carros recuperados logo em seguida ao crime é utilizada para o chamado furto de uso.

“Esse é o tipo mais comum, quando o bandido leva o carro e usa para dar um rolé (passeio curto), ou para levar ou comprar droga. Assim que acaba a gasolina, esse veículo é abandonado e normalmente volta sem qualquer tipo de avaria no carro ou moto”, diz o delegado.

Pelo levantamento informal que o Diário fez, dos carros furtados e recuperados, cerca de 70% são usados para esse fim. Outros 20% têm suas peças vendidas e são devolvidos com algumas delas faltantes, normalmente o rádio, o estepe e as rodas.

Os outros 10% são veículos usados como garantia na aquisição de drogas. “O usuário pega o carro da família, deixa com o traficante como garantia de pagamento, mas quando volta para casa está sem o veículo, daí ele vai até a polícia e registra um boletim de ocorrência de furto”, explica o delegado.

Nesses casos também é comum o veículo ser encontrado com todas as peças, e no máximo, batido e sujo. O ourives André Luis de Abrei Leite, 31 anos, foi uma das vítimas desses ladrões que furtam o carro, levam algumas peças e abandonam o veículo.

No último dia 4 de janeiro, ele levou o filho até a Santa Casa de Rio Preto, pois o garoto estava com febre. Estacionou o carro na frente do hospital e, quando voltou, cerca de duas horas mais tarde, o veículo não estava onde ele deixou.

“Assim que percebi, liguei para a polícia e uma hora depois eles encontraram meu carro no Nova Esperança. Ainda bem. Encontraram os bandidos mexendo no carro, com macaco e chave de roda. Conseguiram recuperar quase intacto. Só veio faltando o toca-CD. Isso a polícia não conseguiu encontrar”, contou.

Mas nem todos têm a sorte do ourives. De acordo com as informações obtidas pela reportagem com a Polícia Civil e com a Polícia Militar, dos veículos que não são recuperados, média de 59 por mês, a maior parte é usada como carros dublês, cerca de 60% deles.

De acordo com o delegado Paulo Grecco, os veículos dublês são carros e motos que os bandidos furtam e trocam a placa original por uma de outro veículo. Esses carros podem ser vendidos para terceiros que não sabem da procedência, ou então usados em assaltos, roubos e até sequestros.

Da outra parte dos veículos que não são recuperados, 35% deles são inteiramente desmanchados e têm suas peças vendidas e os chassis suprimidos, impossibilitando a devolução para o dono.

Já os outros 5% são carros negociados, na maioria das vezes, com contrabandistas ou traficantes. Esses carros são vendidos em outros países, normalmente para comprar drogas.

 

arte_furtos e roubos de veiculos Clique na imagem para ampliar

Detran autoriza 21 desmanches

Em nota genérica e sem responder aos questionamentos da reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública afirma que “de janeiro a novembro de 2015, as polícias Civil e Militar recuperaram 81.150 veículos no Estado. No período também houve recuo nos roubos e furtos de veículos no Estado, com queda de 21,94% e 10,79%, respectivamente, na comparação entre os 11 primeiros meses de 2015, com o mesmo período de 2014.”

A nota não informa os dados locais solicitados nem o tempo que as polícias civil e militar levam para recuperar os veículos furtados ou roubados. A nota também não diz o que deve ser feito para reduzir ainda mais o número desses crimes.

Já o Detran, responsável pela fiscalização da Lei do Desmanche, informa que em Rio Preto, das 27 empresas do setor que solicitaram credenciamento ao Detran-SP até dezembro do ano passado, 21 estão autorizadas a funcionar.

As outras seis tiveram o pedido indeferido, pois não apresentaram toda a documentação necessária. A nota informa também que, em todo o Estado, 1.572 empresas solicitaram credenciamento ao Detran-SP.

Desse total, 1.110 estão autorizadas a funcionar, 436 tiveram o pedido indeferido porque não apresentaram todos os documentos exigidos, 25 foram notificadas a enviar documentação pendente e uma está em análise. 

 

arte_evolucao de furtos veiculos Clique na imagem para ampliar

Lei prevê interdição de empresas

A lei prevê o credenciamento e registro junto ao Detran-SP dos estabelecimentos que atuam com desmanche, revenda ou reciclagem de autopeças usadas. Entre outras exigências, o estabelecimento precisa ter ficha limpa, ou seja, não ter dívida ativa junto ao Estado nem sócios com antecedentes criminais, alvará de funcionamento expedido pela respectiva prefeitura, controle de entrada e saída das peças e cuidados com o meio ambiente (como a correta retirada de fluidos e gases dos veículos, por exemplo).

Além disso, a legislação determina que somente empresas credenciadas podem participar de leilões para adquirir veículos destinados a desmonte ou reciclagem de peças. A tecnologia ajuda a fiscalização. O Detran dispõe de um sistema online de controle de peças automotivas provenientes de desmanches.

A fiscalização é feita de forma permanente em todo o Estado, em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Secretaria da Fazenda e as prefeituras locais. Entre as penalidades previstas para as empresas irregulares estão: interdição do estabelecimento, perda dos bens (peças), multa e a cassação da inscrição no cadastro de contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) por parte da Secretaria da Fazenda. Os estabelecimentos interditados também devem responder a processo administrativo junto ao Detran.

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