Diário da Região

15/05/2015 - 00h02min

VÍTIMAS DE NEGLIGÊNCIA?

Com suspeita de dengue, Barbara morre de meningite

VÍTIMAS DE NEGLIGÊNCIA?

NULL Barbara em foto da rede social: o caso dela não é o único de desinformação dos postinhos
Barbara em foto da rede social: o caso dela não é o único de desinformação dos postinhos

A auxiliar de cabeleireira Barbara Eduarda Chaves Alves da Silva, 19 anos, fez tratamento na UBS da Vila Ercília na quarta-feira pela manhã. Foi dispensada com receita para tomar soro caseiro em casa e guia para voltar segunda-feira, quando faria exame de sorologia. Às 18h, ela foi levada em estado grave para a UPA Tangará, onde morreu às 19h40. Ontem, a Prefeitura de Rio Preto confirmou a causa: meningococcemia, um dos mais graves tipos de meningite.

Barbara era de Severínia e morava em Rio Preto havia seis meses. Ela trabalhava como auxiliar em salão de cabeleireiro, no bairro Redentora. “Era uma pessoa doce, que eu gostava e confiava muito. Estou surpreso com a morte dela”, diz o patrão dela, o cabeleireiro Gabriel Quirino. A família da jovem quer investigação para apurar a demora da ambulância e o atendimento recebido no posto de saúde e na UPA.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que vai abrir investigação para apurar o que acontece no atendimento prestado à paciente. A jovem é a primeira pessoa a perder a vida, com a doença, este ano em Rio Preto. Por precaução, todas as pessoas que tiveram contato com ela, nos últimos dias, foram procurados pela Prefeitura, para serem medicadas com antibióticos e serão monitoradas, para verificar se não apresentam sintomas de meningite.

 

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Outra morte suspeita

Menos de 24 horas depois da morte de Barbara, o Hospital de Base registrou boletim de ocorrência relatando a morte de uma idosa de 86 anos de idade, Cecília Gomes Viera da Silva, com diagnóstico de dengue. A moradora do bairro Duas Vendas será a segunda morte por suspeita de dengue na mesma semana. O primeiro caso foi a operadora de caixa de supermercado, Brigitt Trelha, de 35 anos, do bairro Estância Bela Vista, na terça-feira.

As vítimas que tiveram a causa de morte já confirmada oficialmente pela Prefeitura como dengue são Elias Sabbag, 56 anos, em março, e Samuel Lucas Daniel de Sousa, sete meses, em abril. Além deles, Sílvia Helena Maura de Oliveira, 48 anos, também morreu de dengue, conforme consta no atestado de óbito, mas a Prefeitura diz que aguarda confirmação do Instituto Adolfo Lutz.

Destas seis mortes, em cinco casos as famílias dizem que as vítimas passaram mais de uma vez por atendimento médico, na rede pública e particular, mas não foram internadas imediatamente. A exceção foi apenas no caso da idosa Cecília Gomes Vieira da Silva, internada no mesmo dia. As famílias questionam os procedimentos médicos adotados nos casos. “Queremos saber por que a minha irmã, a Brigitt acabou morrendo na UPA Norte. Fazemos essa pergunta todo dia”, diz o irmão Brunno Trelha.

Doutor em Virologia, pela USP Ribeirão, o médico Benedito Antonio Lopes da Fonseca acha que os médicos tem de recorrer mais a exames antes de decidir por internação ou liberação dos pacientes para tratamento em casa. “É preciso promover todo ano cursos de capacitação e reciclagem para os profissionais, bem antes de começar a temporada da dengue. A Secretaria de Saúde diz que todos os profissionais de saúde, das redes privada e pública, têm sido capacitados em relação a doenças endêmicas como a dengue, H1N1 e chikungunya.

 

C1B_WEB Cartão que Barbara recebeu na UBS da Vila Ercília na manhã de quarta: morreu à noite, de meningite

Procedimentos cheios de falha

Uma médica que concedeu entrevista ao Diário na condição de não ter o nome divulgado conta que já atendeu em seu consultório particular 11 pacientes com sintomas graves da dengue. São pessoas que buscaram atendimento na rede pública e em hospitais particulares, mas que não foram respeitados os protocolos de atendimento da doença preconizados pelo Ministério da Saúde.

Casos com sinais de gravidade, como hipotensão arterial, dor abdominal, doenças que aumentam o risco de manifestação hemorrágica , foram tratados como casos leves, com os pacientes dispensados, sem ao menos a realização da prova do laço. "Alguns pacientes chegaram em meu consultório com comorbidades em uso de imunossupressores, como corticoides e agentes biológicos, foram atendidos com conduta terapêutica compatível para casos leves, sem ao menos realização de um hemograma e até de notificação."

A médica diz ainda que em dois casos a dengue foi tratada como estresse pós-traumático e que a própria médica teve de realizar a prova do laço em seu consultório particular, reencaminhando esses pacientes para o serviço de emergência. "Cem por cento desses pacientes tiveram posterior comprovação de dengue com manifestação hemorrágica, sendo que alguns tiveram de ser internados devido a gravidade", disse a médica que já atuou e pediu desligamento da rede pública.

 

arte suspeita de mortes dengue Clique na imagem para ampliar

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