Diário da Região

13/05/2015 - 00h02min

Pelas ruas de Rio Preto

Frota de motos cresce mais que de carros

Pelas ruas de Rio Preto

Hamilton Pavam Marco Antonio pretendia comprar um carro, mas desistiu e comprou a moto: “Mais econômica”
Marco Antonio pretendia comprar um carro, mas desistiu e comprou a moto: “Mais econômica”

Pela primeira vez em três anos, a frota de motos cresceu, proporcionalmente, mais que a de automóveis em Rio Preto: 3,6%, contra 2,9%, respectivamente. Além disso, o crescimento geral da frota - envolvendo todos os tipos de veículo - tece desaceleração. De fevereiro do ano passado a fevereiro de 2015, último dado disponível pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), aumentou 3,6%, contra mais de 5% nos dois anos anteriores.

Para especialistas, a explicação está na retração econômica do País em 2015. Muitos adiaram o sonho de ter um automóvel - alguns substituíram o carro pela moto, mais barata e econômica. Essa tendência torna o trânsito rio-pretense mais arriscado, segundo especialistas. Isso porque a moto é um veículo muito mais perigoso para o condutor. "Além de expor mais a pessoa, muitos desses veículos não têm a manutenção em dia, o que potencializa o risco de graves acidentes", afirma o engenheiro especialista em trânsito da USP em São Carlos José Bernardes Felex.

Levantamento estatístico da Apatru, ONG rio-pretense que atua na prevenção a acidentes de trânsito, aponta que, dos 1.162 acidentes ocorridos no município no primeiro trimestre do ano passado, 874 envolveram motocicletas. "A maioria dos atendimentos a feridos no trânsito no HB é de motociclistas", diz o traumatologista André Baitello.

Avanço

Apesar do menor crescimento em 2015, Rio Preto ganhou 12.431 novos veículos nos 12 meses até fevereiro deste ano. Uma média de 34 por dia, mais de um por hora. Enquanto isso, a população rio-pretense ganha 4,3 mil habitantes por ano, na média, ou 12 por dia. Por isso, a cidade caminha para ter um veículo por habitante - atualmente são um veículo para cada 1,2 rio-pretense, uma das maiores relações frota-habitante do Brasil.

Como a malha viária da cidade não cresce na mesma proporção - são 1,5 mil quilômetros de ruas pavimentadas - o caos no trânsito da cidade é cada vez maior, principalmente em horários de pico (manhã e fim de tarde) e períodos de obras viárias, como a atual intervenção na avenida Bady Bassitt para a construção de galerias pluviais.

Como paliativo, a Prefeitura tem modificado a localização dos radares - hoje são 68 locais distribuídos pela cidade - e alterado a mão de algumas ruas. Foram quatro mudanças do tipo em 2013, três em 2014 e sete só neste ano. Mas a melhor solução, segundo Felex, é a melhoria do transporte coletivo. "Enquanto o serviço for ruim, as pessoas vão continuar investindo no transporte individual, que a longo prazo é inviável." Grandes melhorias no transporte coletivo da cidade, como a construção de terminais nos bairros e corredores na área central e Boa Vista, ainda não saíram do papel.


'Mais barata e mais econômica'

O comerciante Marco Antonio Freitas, morador do bairro Eldorado, em Rio Preto, adiou para 2016 o plano de comprar um novo carro. O clima de crise financeira e o baixo faturamento de sua lanchonete o fizeram mudar de ideia. "Estava a fim de pegar R$ 16 mil para dar de entrada em um veículo de entrega para meu negócio, mas resolvi optar por uma moto, que é mais barata e mais econômica", conta o comerciante. Freitas também achou melhor não recorrer a financiamento para comprar uma nova. Comprou um veículo usado porque tinha guardado dinheiro suficiente para fazer o negócio e não ficaria pendurado em financiamento.

A promotora de vendas Letícia Brito, de 22 anos, pretendia trocar de carro, mas teve de se contentar com uma moto Biz. "Quero ter um carro mais novo, mas optei pela moto porque era o que cabia nas minhas possibilidades ", afirma a jovem. Os dois disseram que não apelaram para longos parcelamentos para compra de carro, com receio de assumir dívidas, em um momento de instabilidade econômica do País.

FRASE: 

"Enquanto o serviço for ruim, as pessoas vão continuar investindo no transporte individual, que a longo prazo é inviável." 

José Bernardes Felex, engenheiro especialista em trânsito da USP

 

arte aumento frota de motos e carros Clique na imagem para ampliar

 

 

 

 

 

 

 


 

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