Diário da Região

11/09/2016 - 00h00min

MENOS PASSAGEIROS

Rio Preto perdeu 832,1 mil usuários de transporte coletivo

MENOS PASSAGEIROS

Mara Sousa Ineficiência levou Andressa Pires a superar medo de dirigir
Ineficiência levou Andressa Pires a superar medo de dirigir

Criticado pela ineficiência e lotação nas linhas municipais e alto preço da passagem nas linhas interestaduais, além, claro, do aumento do desemprego, o transporte coletivo em Rio Preto perdeu em um ano 832,1 mil passageiros. A cada mês são 69,3 mil pessoas a menos utilizando ônibus para se locomover. A conta inclui as linhas municipais, intermunicipais, interestaduais e internacionais.

No ano passado, foram registrados 33.941.079 embarques e desembarques na cidade, uma queda de 2,3% se comparado ao ano anterior, quando houve 34.773.194. Os dados são da Empresa Municipal de Urbanismo de Rio Preto (Emurb) e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes de Rio Preto. Contando apenas passageiros que utilizam o transporte coletivo dentro de Rio Preto, as empresas Circular Santa Luzia e Expresso Itamarati perderam 800 mil embarques, passando de 33,9 milhões de passageiros em 2014 para 33,1 milhões no ano passado.

O presidente da Associação Nacional de Transporte Urbano (NTU), Otávio Cunha, afirma que a queda ocorreu por conta do desemprego e pela falta de investimentos no setor. “Aumentou o desemprego e pouco se tem feito pela mobilidade urbana. Poucos investimentos desestimulam o uso do transporte coletivo. As cidades continuam muito congestionadas e o transporte público sem prioridade no uso do espaço urbano”, afirmou.

Por conta da ineficiência do transporte coletivo de Rio Preto, a dona de casa Andressa Roberta Pires, 35 anos, aboliu o uso do ônibus. Ela se mudou para um bairro próximo ao distrito de Schmitt e foi obrigada a superar o medo de dirigir. “Antes morava no São Judas e tinha tudo que precisava perto de casa, além de ônibus em vários horários. Aqui não tem nada perto e o transporte coletivo é demorado e passa longe de casa. Ou eu criava coragem ou não ia dar certo. Tinha que levar os filhos na escola”, disse.

A reportagem procurou os responsáveis pelas empresas Circular Santa Luzia e Expresso Itamarati, que juntas formam o Riopretrans, consórcio responsável pelo transporte coletivo da cidade, mas não obteve resposta. Na Riopretrans, a coordenadora financeira Eonice da Silva Pereira Braçal informou que não poderia conceder entrevista e não teria outro diretor para falar com a reportagem. Indicou que o Diário procurasse o departamento de marketing da Itamarati. Procurada, o setor da empresa informou que os responsáveis não se encontravam, portanto não poderiam dar entrevistas.

 

Victor Machado - 11092016 Victor Machado recorre a caronas para viajar para Curitiba, onde mora a noiva

Desemprego é o maior vilão dos coletivos

A taxa de desemprego atingiu 11,3% da população brasileira, chegando a 11,5 milhões de desempregados no País. A falta de empregos também afeta a região de Rio Preto. Apenas em julho, as empresas locais fecharam 700 postos de trabalho. Esse é o principal motivo apontado pelos especialistas para a redução do número de passageiros no transporte coletivo. O segundo motivo é a falta de investimentos no setor.

De acordo com eles, com menos empregos caiu o número de pessoas que usam o transporte para trabalhar e também a quantidade de passageiros que viajam a passeio. Rio Preto, por exemplo, perdeu 32 mil passageiros de ônibus intermunicipais, interestaduais e internacionais no ano passado, totalizando 841.079 embarque e desembarques, uma queda de 3,6% se comparado ao ano anterior, quando houve 873.194 passageiros. Os dados são da Empresa Municipal de Urbanismo de Rio Preto (Emurb), publicados na Conjuntura Econômica 2016.

Só as linhas intermunicipais, responsáveis pelo maior número de passageiros, perderam 18,5 mil usuários, redução de 603.767 para 585.201 na quantidade de clientes, no comparativo de 2014 com 2015. O barbeiro Victor Luiz Machado, 26 anos, colaborou para essa redução. Ele morava em Curitiba e vinha a Rio Preto uma vez por mês ver a família. Por conta do alto custo da passagem e por necessidade da família, ele se mudou para Rio Preto no ano passado. Agora, mesmo para ir a Curitiba visitar a noiva, Fernanda Wojtik, 25 anos, ele recorre a caronas.

“Encareceu bastante. Antes, a passagem custava R$ 80, agora chega a R$ 160. Sem contar que a viagem demora até 14 horas de ônibus”, disse. Machado recorre a aplicativos como “beepme” e “blablacar”, além de grupos no Facebook para conseguir caronas. “Faço isso ou junto uma galera para ir. Uma viagem muito mais rápida e com um custo menor”, afirmou. No caso do estudante Eduardo Volpe, 21 anos, o desemprego o obrigou a usar menos o transporte coletivo. Ele está há um ano e meio sem trabalho. “Antes, usava muito o ônibus para trabalho e faculdade. Hoje, uso poucas vezes e no máximo uma vez por dia. Por conta da falta de dinheiro, estou indo aos lugares de carona. Estava gastando muito”, disse.

 

Arte - Sistema coletivo - 1092016 clique na imagem para ampliar

Atividade econômica

O presidente da Associação Nacional de Transporte Urbano (NTU), Otávio Cunha, afirma que o setor de transportes vinha tendo quedas de 1% ao ano, mas que o País registrou 9% de retração em 2015, comparado a 2014, chegando a 16% em algumas capitais.
Segundo ele, essa queda foi impulsionada pelo desemprego. “Tivemos uma grande queda da atividade econômica e uma inflação muito alta.

Estamos com 11 milhões de desempregados, pessoas que tinham empregos formais cuja grande maioria era beneficiária do vale-transporte”, disse. Doutor em transporte pela Universidade de São Paulo, José Bernardes Felex também atribui ao desemprego a queda no número de passageiros. “Alguns estão querendo até falar que caiu o desemprego, mentira. E um dos segmentos que mais sente isso é o de transporte. A queda é porque as pessoas se transportam muito mais para trabalhar e, se ela não está trabalhando, não sai de casa”, afirmou.

Voos também sentiram

O sistema aeroviário também sentiu os reflexos da crise econômica no ano passado. O aeroporto Estadual Professor Eribelto Manoel Reino, de Rio Preto, perdeu 25,5 mil passageiros, redução de 717.118 para 691.559 no número de embarque e desembarque na comparação entre 2015 e 2014. O setor, porém, já conseguiu se recuperar neste ano. O fluxo de passageiros cresceu nos primeiros sete meses deste ano em comparação com igual período de 2015.

Segundo o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), entre janeiro e julho deste ano, o movimento de passageiros chegou a 394.255, ante 366.978, em 2015, o que resulta em um aumento de 1,35% no volume. A explicação pode estar no preço da passagem. Uma viagem aérea de Rio Preto para São Paulo pode ser encontrada por R$ 142, já com as taxas, enquanto o valor de uma passagem de ônibus varia entre R$ 110 e R$ 150. 

 

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