Diário da Região

14/09/2016 - 00h00min

POLÍCIA INVESTIGADA

36 policiais civis e militares foram denunciados pela prática de crimes

POLÍCIA INVESTIGADA

Johnny Torres O pedreiro M.F.F.S. diz que foi agredido por PMs. Agora, está com dificuldades para reunir testemunhas: “têm medo de ir ao batalhão”
O pedreiro M.F.F.S. diz que foi agredido por PMs. Agora, está com dificuldades para reunir testemunhas: “têm medo de ir ao batalhão”

A Corregedoria de Polícia do Estado de São Paulo investiga 36 policiais civis e militares da região de Rio Preto, denunciados por meio da Ouvidoria da PM pela prática de crimes que vão de envolvimento com o tráfico de drogas, passando por abuso de autoridade, até homicídio. As denúncias referem-se apenas ao primeiro semestre de 2016. No mesmo período do ano passado, 33 policiais foram denunciados - a Secretaria de Segurança Pública, porém, não informou o resultado das investigações. Entre os investigados, nove são por homicídio. Número bem maior do que o do primeiro semestre de 2015, quando dois policiais foram denunciados. 

Segundo a Ouvidoria, em todos os casos de 2016, as mortes ocorreram durante confronto envolvendo policiais militares. A corporação diz que os policiais só apertaram o gatilho depois de serem ameaçados com tiros. Também subiu de um para quatro a quantidade de policiais acusados de peculato (desvio de dinheiro ou bens públicos). Com relação aos crimes de corrupção, a Ouvidoria não informou quantos casos referem-se à PM ou à Polícia Civil, o que é criticado pelas duas corporações.

O ouvidor estadual Júlio César Ferreira Neves afirma que, assim que recebe a denúncia, encaminha o caso às corregedorias das polícias Civil e Militar, que abrem investigações internas. Caso comprovado o crime, o policial é punido com demissão e até prisão. Um dos denunciantes de violência policial é o pedreiro M.F.F.S., 35 anos. Ele afirma ter sido vítima de constrangimento e violência, durante uma abordagem policial, no bairro Eldorado, zona norte de Rio Preto. “Eu estava passando na rua e vi os policiais pararem um monte de gente. Como achei que não tinha nada com aquilo, mudei de calçada para passar longe. 

Mas os policiais acharam que eu estava fugindo e me agrediram”, diz pedreiro. Ele registrou boletim de ocorrência na Central de Flagrantes para denunciar o caso. Lá foi orientado a encaminhar a denúncia à corregedoria da Polícia Militar, mas diz ter dificuldade para fornecer as provas e testemunhas da agressão. “A pessoas que viram o que aconteceu comigo, não querem ir até o batalhão da PM para denunciar os policiais. Têm receio. Estou tentando convencer, mas ninguém teve coragem”, diz o pedreiro, que até mudou de endereço depois da caso. Nos últimos dois anos, por causa das denúncias, 267 policiais foram demitidos em todo o Estado. De janeiro a junho deste ano, 36 policiais perderam os cargos. A Ouvidoria não informou quantos policiais foram punidas na região de Rio Preto.

 

Arte - Denuncia contra a polícia - 14092016 clique na imagem para ampliar

Falta pessoal

Os moradores da região de Rio Preto também reclamaram na Ouvidoria da baixa qualidade do serviço prestado pelas polícias, como demora para envio de viaturas, dificuldade para comunicar crimes e falta de apuração de locais denunciados como pontos de tráfico de drogas. A Ouvidoria aponta como responsável a falta de efetivo das duas corporações para cumprir suas funções. Em Rio Preto, o Ministério Público entrou com ação contra o governo estadual pelo déficit de 76 policiais civis. Entre os policiais militares, houve queda no efetivo de 700 para 475, de 2012 para 2016.

‘Cada denúncia é apurada’

Porta-voz do comando da PM na região, o capitão Ederson Pinha reclama que o relatório da Ouvidoria não detalha quantas denúncias referem-se à corporação. Pinha diz que independentemente da origem da denúncia, seja da Ouvidoria ou pelo reclamante, todas são rigorosamente apuradas pelo setor de Justiça e Disciplina de cada batalhão. “Nenhuma denúncia é encerrada sem a devida apuração”, diz o capitão.

Com relação aos policiais militares, Pinha não informou quantos foram punidos com a perda da farda. “A informação acerca da demissão ou expulsão pode ser obtida por meio de consulta ao Diário Oficial do Estado.” A mesma linha de argumentação foi usada pelo delegado do Deinter 5, Raimundo Cortizzo, ao dizer que não tem dados em relação aos policiais civis punidos por irregularidades.
“Posso garantir que todos os casos são encaminhados e investigados pela Corregedoria da Polícia Civil”, disse o delegado.

O ouvidor Júlio Cezar Ferreira Neves lamenta que o órgão não tenha sedes em todas as regiões do Estado. Se tivesse, segundo ele, ficaria mais fácil para receber denúncias. Para denunciar algum crime ou irregularidade das polícias Civil ou Militar basta ligar na Ouvidoria, pelo telefone 0800-177070. A ligação é gratuita e o atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

 

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