Diário da Região

31/07/2016 - 00h00min

'MANDA UM WHATS'

WhatsApp se torna aliado na relação entre médico e paciente

'MANDA UM WHATS'

Johnny Torres Lúcia Buffulin tem dois números do aplicativo, um para agendar consultas e outro para tirar dúvidas
Lúcia Buffulin tem dois números do aplicativo, um para agendar consultas e outro para tirar dúvidas

“Doutor acho que meu rosto está muito inchado, olha aí”! “Doutora, o Rafael está com diarreia, mas a cor é muito escura. O que acha”? Do outro lado, médicos leem as mensagens, veem as imagens encaminhadas pelo WhatsApp e dão seus pareceres. A relação entre médico e paciente se transformou nos últimos anos.

O diálogo fora da porta do consultório virou rotina. É que a tecnologia criou uma via de comunicação rápida, simples e confortável para os dois lados. Hoje, exceção são os médicos que não adotam as redes sociais como forma de prestar um atendimento, digamos, mais próximo.

Tanto que o Conselho Federal de Medicina publicou, em julho de 2015, uma resolução que veta o uso do WhatsApp e outras redes sociais para a realização de consultas, prescrições e diagnósticos. Mas é aberta para que pacientes tirem dúvidas.

No início deste mês, foi a vez do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo divulgar critérios legais dessa forma de atendimento. Um dos trechos diz: “Para o Cremesp, o atendimento médico domiciliar, inclusive quando proporcionado por aplicativo e sites, deve seguir os parâmetros éticos previstos no Código de Ética Médica. Isso inclui atendimento presencial, elaboração de prontuário e preservação do sigilo profissional”. De forma alguma é aceito que a consulta seja feita online.

“Todos os meus pacientes saem do consultório com o meu número de WhatsApp. Há três anos, desde que se popularizou, uso como ferramenta para somar no atendimento que presto”, diz o dermatologista Carlos Roberto Antonio. O pai do especialista, o também dermatologista, João Roberto Antonio, adota o mesmo procedimento.

“Somos muito ligados à tecnologia, há 16 anos lançamos um livro online. Estamos trabalhando em um aplicativo para disponibilizar aos nossos pacientes e que avisa sobre retorno ao consultório, agenda consultas, informa sobre o vencimento de um tratamento estético, entre outros serviços”, diz.

WHATSAPP 31072016 Clique na imagem para ampliar

Carlos Antonio, que é o professor responsável pela cirurgia dermatológica da Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto), aponta que entre as vantagens proporcionadas pelo aplicativo estão a do paciente se sentir mais acolhido e as orientações serem mais frequentes. “Podemos acompanhar a evolução do paciente no dia a dia, o que o médico não conseguia fazer. Antes, o paciente passava por um procedimento e só voltava depois de um mês. A conectividade vai ser cada vez maior e só vejo benefícios nisso”, diz.

Os aplicativos de mensagens instantânea – WhatsApp, Messenger, Facebook entre outros são usados também para grupos de especialistas discutirem casos de seus pacientes.

O Diário ouviu seis médicos de Rio Preto que atuam em diferentes áreas e que usam as ferramentas para a comunicação. Eles falam sobre benefícios na relação com os pacientes, dizem não se sentir sobrecarregados pelo novo modelo de atendimento, apontam vantagens na tecnologia e pontuaram que os pacientes são orientados sobre como deve ser essa comunicação.

Não um, mas dois números de WhatsApp são fornecidos pela reumatologista Lúcia Buffulin para seus pacientes. Um é para agendar consultas, informar sobre horários mais adequados para pacientes e o outro é para esclarecer dúvidas. “O da clínica é para controlar algum atraso e também os agendamentos. O outro, para o uso clínico”, diz.

Para a especialista, o aplicativo agilizou a relação do médico com o paciente. “É possível resolver intercorrências de forma rápida. Quando iniciamos uma medicação, por exemplo, posso acompanhar a evolução a cada 12, 24 horas. O paciente se sente mais seguro e mais bem cuidado.”

A médica descreve ainda outra facilidade, que é quando o paciente está em casa de repouso e o melhor é não ser deslocado. “Por meio de mensagens e fotos é possível acompanhar o quadro de maneira segura e também confortável para o cliente, evitamos locomoção desnecessária”, diz.

As mensagens são respondidas diariamente no início da manhã e da tarde e no final do dia. Nos fins de semana, a equipe atende 24 horas. “É um instrumento muito resolutivo, mas como ferramenta de acompanhamento clínico, não substitui a consulta. A arte da medicina é ouvir e examinar o paciente presencialmente”, conclui.

C4B_WEB Garcia ‘salvam’ mães e filhos ao responderem às mensagens enviadas pelo aplicativo

Aplicativo ajuda em questões pontuais

“É uma ferramenta muito tranquila e mais ágil. Antes as mães me ligavam e se eu estivesse em atendimento, não podia falar com elas. Então deixavam recados e eu tinha que retornar mais tarde. Agora, ela tiram as dúvidas pelo WhatsApp. Mandam mensagens e imagens. O retorno não é imediato, vejo as mensagens no início da manhã, no horário de almoço e no final do expediente. Quando é algo urgente, elas sabem que devem ligar”, conta a pediatra Cláudia Janette Boutros Carvalho.

Como a própria especialidade “manda”, praticamente todos os dias ela recebe fotos de bumbuns e de fraldas sujas. “As mães de primeira viagem têm muitas dúvidas em relação a situações simples como uma assadura, lesões na pele ou sobre as fezes do bebê. Eu explico e as oriento”, diz.

Segundo Cláudia, como as consultas são de uma hora os pais conseguem tirar as principais dúvidas no consultório, mas sempre há alguma mudança no dia a dia de bebês e crianças e por isso, em média, ela recebe 15 mensagens por dia e as responde uma a uma.

No outro extremo, está a geriatra Ana Carolina Garcia e Garcia. A comunicação online é feita geralmente com os filhos dos seus pacientes.

“Aqueles que estão mais frágeis, vulneráveis e precisam de um retorno mais rápido são acompanhados mais de perto pelas mensagens no WhatsApp. Em geral são os filhos que se comunicam comigo e as questões são bem pontuais, como efeito colateral de algum medicamento, alteração do sono, do trato intestinal. São dúvidas simples que, ao serem esclarecidas, evitam que o paciente tenha que se deslocar até o consultório ou um pronto-atendimento.”

A geriatra diz que costuma receber cerca de 30 mensagens por dia e que responde todas no horário do almoço e após o expediente. “É um caminho sem volta na medicina. É prático, eficaz e com orientações simples o paciente fica melhor e os familiares mais tranquilos”.

whats 31072016 Arnaldo Almendros tem certa restrição, mas aderiu ao aplicativo

Use, mas com moderação

Pesquisa divulgada em novembro do ano passado pela consultoria britânica Cello Health Insight revelou que 87% dos médicos brasileiros haviam usado o WhatsApp nos trinta dias anteriores para se comunicar com pacientes ou familiares.

Nem todos os médicos são entusiastas da ideia. O cirurgião plástico Arnaldo Almendros vê com restrições, mas teve de ceder à tecnologia. “Acabei por incorporar. Meus pacientes de pós-operatório querem saber se a cor da pele está adequada, se o inchaço é natural, então me mandam uma foto para que eu avalie”, diz.

Contudo, para Almendros, a troca de mensagens em algumas especialidades é algo delicado. “Há casos em que o paciente precisa ser visto, apalpado e a avaliação tem de ser feita pessoalmente sob o risco de acabar negligenciando um problema maior”, considera.

O cardiologista José Carlos Aidar Ayoub, do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), deixa bem claro: “Essas ferramentas modernas são ótimas para a comunicação em tempo real, mas nada substitui a relação do médico com o paciente”.

Nem todos que são avaliados pelo especialista têm o seu WhatsApp. Ele só usa a comunicação online com pacientes que acompanha há anos e conhece todo o histórico dos problemas de saúde. Também quando a pessoa mora em outra cidade e quer que ele veja o resultado de algum exame, mas, o mais comum, é na orientação de seus residentes.

C4C_WEB José Carlos Aidar Ayoub só se comunica ao conhecer histórico

“Ontem (quarta-feira, dia 27) mesmo ficou pronto um hemograma de um paciente meu que veio ao consultório há uma semana. Ele é uma pessoa com mais idade e a filha ligou e perguntou se precisava trazê-lo novamente. Eu disse que não, para ela mandar o resultado do exame pelo Whats. Em casos como esse não há nenhum problema”, avalia.

O uso do aplicativo pelo cardiologista no dia a dia é mais relacionado a exames e imagens para que ele possa orientar os residentes. “Eles me mandam um eletro e pedem minha opinião e eu sugiro algumas coisas. Também pode ser muito útil em casos de emergência, se há a suspeita de um infarto, por exemplo. Como a comunicação é imediata, é possível uma avaliação rápida”.

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo está desenvolvendo um programa clínico online. O presidente Ibraim Masciarelli prepara para junho de 2017 um workshop para seus associados leiam eletrocardiogramas e outros exames enviados por enfermeiras via celular. Com isso, espera que os atendimentos sejam agilizados e potencializados.

Facilidade de comunicação conquistou Luciana

TIRARPAREDE_WEB Luciana Chiquetti Machado Perosa e os filhos, Rafael e Daniel; dúvidas sobre saúde das crianças são sanadas com a médica por meio do aplicativo

“Nossa, cansei de mandar fotos pelo WhatsApp das fraldas dos meus filhos para a doutora Cláudia (Cláudia Janette Boutros Carvalho) ver se estava tudo bem”, diz a jornalista Luciana Chiquetti Machado Perosa, 40 anos. No caso de Daniel, 5, as dúvidas frequentes eram por ser o primeiro filho. Já o Rafael, que tem 1 ano e 11 meses, tem alergias. “Nesses dias um pernilongo picou o pé do Rafael, passei uma pomadinha, mas formou feridinhas e inflamaram. Tirei uma foto e mandei para ela. Queria saber se continuava só com a pomada mesmo. Como se trata de alergia à picada, ela explicou que é só manter o antialérgico”, conta.

A facilidade de comunicação pelo WhatsApp é um dos fatores que faz com que Luciana tenha verdadeira adoração pela médica de seus filhos. Qualquer dúvida que a mãe tem manda mensagens e sabe que no mesmo dia será atendida.

“Há um tempo atrás, meus dois filhos tiveram amigdalite bacteriana, mas o Daniel estava com tosse e febre acima de 38 graus. Eu estava aplicando soro no nariz e fazendo inalação. Mandei uma mensagem para ela, que me respondeu que era para eu levar no pronto-atendimento e, se necessário, ir ao consultório no dia seguinte”.

Luciana é clara ao expor que mãe não sabe tudo o que passa com uma criança e que ela aciona a médica sempre que acha necessário. “Os filhos não vêm com manual de instrução e os meus são duas figurinhas totalmente distintas. Eu pergunto tudo o que tenho dúvida e sou muito bem atendida.”

Acompanhamento de tratamento facial online

whatsapp 31072016 Dermatologista Carlos Roberto Antonio e a paciente, Áurea Oliveira; comunicação por aplicativo facilita acompanhamento

A auxiliar de cozinha Áurea Aparecida Magalhães de Oliveira, 44 anos, foi uma das escolhidas para participar como paciente de um curso dado pelo dermatologista Carlos Roberto Antonio, em Rio Preto.

Ela passou por um peeling de fenol, que é um tratamento que promove uma descamação profunda na pele e como resultado ameniza rugas, manchas no rosto, flacidez e cicatrizes de acne.

Contudo, o procedimento foi feito pelo cirurgião plástico de São Paulo Roberto Tullii e pela dermatologista do Mato Grosso Maria Cecília Bruno e transmitido em tempo real pelo WhatsApp para profissionais de diferentes regiões do País.

“Na primeira semana depois do peeling tive de ir todos os dias no consultório do doutor Carlos. Ele fotografava e até filmava e mandava para o doutor Roberto e aí discutiam o meu caso”, conta Áurea.

Na semana seguinte, ela mesma fotografava o rosto de manhã e no fim do dia e encaminhava as fotos pelo WhatsApp para Antonio. Quando completaram 15 dias, ela pode tirar a máscara que é colocada nesse tipo de procedimento.

“Voltei ao consultório do doutor Carlos e ele tirou mais fotos e conversou com o doutor Roberto. Eles chegaram à conclusão que para ter o efeito que se esperava tenho que fazer uma aplicação de toxina botulínica. Dessa vez vai ser o próprio doutor Carlos que vai aplicar”, disse.

Áurea diz que considera importante essa proximidade que teve com os médicos por meio da internet. “Mesmo com o doutor Roberto no exterior, fui acompanhada diariamente pelo WhatsApp. Um dia achei que meu rosto estava inchado demais. Tirei a foto, mandei, e logo em seguida recebi uma mensagem que me tranquilizou. O inchaço era mesmo esperado”, conclui.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso