Diário da Região

05/08/2016 - 00h00min

Perigo no ar

Ar poluído já é ameaça à saúde de rio-pretenses

Perigo no ar

Sergio Isso 28/11/2014 Fumaça emitida por escapamento de veículos automotores, especialmente caminhões, é um dos principais poluidores do ar
Fumaça emitida por escapamento de veículos automotores, especialmente caminhões, é um dos principais poluidores do ar

Respirar em Rio Preto está mais perigoso. Neste inverno, em um a cada dois dias a concentração de partículas inaláveis finas (MP 2.5) esteve acima do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O MP 2.5 é o mais perigoso entre os materiais particulados, porque é tão fino que pode chegar mais fundo ao sistema respiratório e gerar problemas cardiovasculares graves.

O nível máximo tolerado pela OMS é de 20 microgramas por metro cúbico de ar, na média. Em Rio Preto, desde o início do inverno foram registrados índices acima disso em 24 de 38 dias. É a maior média desde que a medição começou na cidade, em 2013.

Os dados são do Sistema de Informações de Qualidade do Ar da Cetesb. A medição é feita em Rio Preto na estação instalada ao lado da pista de atletismo do Eldorado, o que significa que em outros pontos com altas concentrações de veículos ou que possuem excesso de queimadas o ar é ainda mais nocivo.

Em Rio Preto e região, a maioria do MP 2.5 é gerada pela combustão dos motores dos carros, principalmente os movidos a diesel, e pelas queimadas. “Aqui na nossa região ainda tem muitas queimadas urbanas e também queima da palha da cana-de-açúcar. Essas são as principais causas do aumento do MP 2.5, que é prejudicial à saúde por serem partículas finas que chegam aos brônquios. Essas partículas que não são visíveis são as mais perigosas para a saúde”, disse o engenheiro civil e sanitarista da Cetesb, José Mário Ferreira de Andrade.

Um dos rio-pretenses que sofrem quando a qualidade do ar fica ruim é o empresário Felipe dos Santos Naves, 32 anos. Ele tem rinite alérgica e precisa recorrer ao uso de medicamentos. “O nariz entope, a boca e os lábios ficam secos. Também fico com falta de ar. Só na base do remédio para conseguir respirar. E é um remédio forte que tenho de utilizar”, afirmou.

Clima

A região Noroeste paulista possui as condições climáticas favoráveis aos incêndios. No inverno, o tempo fica seco e com poucas chuvas. Além disso, a umidade relativa do ar fica baixa. “Esse fatores agravam a qualidade do ar, tanto por conta da poeira como pela fumaça das queimadas”, disse.

O inverno com pouca chuva até agora e com temperaturas elevadas causou um aumento de 361% no número de queimadas somente em julho, em comparação com o mesmo período do ano passado, no Estado de São Paulo. O mês teve 687 focos de incêndio, maior número desde 2000, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 2015, foram 149 casos. Desde o início do ano até segunda-feira, 1º, os satélites do Inpe registraram 1.702 queimadas no Estado, 141% a mais que no mesmo período do ano passado (707).

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Baixa umidade piora a situação

Não bastasse a alta quantidade de partículas inaláveis finas, o rio-pretense também está tendo de lidar com a baixa umidade do ar, ou seja, a situação fica ainda mais complicada. 

Em 15 dos últimos 20 dias, a umidade relativa do ar ficou com média diária abaixo dos 30%, índice que é considerado ruim pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

O pneumologista João Batista Salomão explica que o ar seco e frio colabora para o aparecimento de doenças no aparelho respiratório e favorece a entrada de vírus no corpo. 

“As vias aéreas precisam ser quentes e úmidas. Nesse período, ficam secas e frias”, disse o pneumologista. 

Ainda segundo o médico, outro fator que prejudica a saúde é a variação de temperatura e umidade. Normalmente, o clima fica ameno durante a manhã e noite e esquenta durante a tarde.

“Uma hora a pessoa está com o nariz entupido. Na outra, está bem. Essa variação é ruim”, disse. 

De acordo com ele, em função dessa variação de temperatura, desde o início do inverno aumentou em pelo menos 20% a procura por ajuda médica relacionada a doenças respiratórias no ambulatório de doenças respiratórias do Hospital de Base (HB) de Rio Preto, onde ele presta atendimento.

A secura ainda deverá persistir por alguns dias. Até terça-feira da semana que vem é de apenas 5% a possibilidade de chuva em Rio Preto, segundo o CPETEC. Só a partir de então, as perspectivas melhoram, subindo para 80%. 

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