Diário da Região

13/08/2016 - 00h00min

CRISE ESFRIA A SOLIDARIEDADE

Doações para campanha do agasalho caem em tempos de crise econômica

CRISE ESFRIA A SOLIDARIEDADE

Guilherme Baffi O morador de rua Carlos Silva, de 52 anos, diz que tem enfrentado o frio com a blusa surrada e um “corote” de pinga
O morador de rua Carlos Silva, de 52 anos, diz que tem enfrentado o frio com a blusa surrada e um “corote” de pinga

A crise econômica, com aumento do desemprego e perda do poder de consumo do trabalhador, diminuiu a solidariedade dos rio-pretenses e afetou justamente os mais necessitados. Dados da Conjuntura Econômica de Rio Preto, divulgados nesta semana, mostram que caiu de 310 mil para 205,7 mil o número de peças doadas da Campanha do Agasalho de 2015, no comparativo com o ano anterior. As 104,3 mil peças a menos deixaram descobertas pelo menos 3 mil famílias. A quantidade de lares atendidos caiu de 18 mil para 15 mil.

Um cobertor ou uma blusa fazem diferença para famílias carentes e principalmente por quem mora na rua. “Olha aqui, ó, esse é meu cobertor nas noites frias”, disse o morador de rua Paulo Carlos Silva, 52 anos, enquanto apontava para uma blusa de frio surrada que vestia na tarde desta sexta-feira, dia 12, em uma praça no bairro Jardim Roseana, em Rio Preto. Silva está há dois anos na rua e dorme em cima de papelões em um gramado da praça, a céu aberto. Sem cobertor, ele diz que a blusa e o “corote” de pinga são os companheiros nas noites frias. “É com isso aqui que me aqueço. Quando está muito frio preciso pedir cobertor nas casas”, disse.

Neste ano, as temperaturas estão mais baixas em Rio Preto e os termômetros chegaram a marcar 7°C. Mesmo assim, a expectativa do economista Hipólito Martins Filho de dias mais solidários não é otimista. Para ele, a queda na doação de roupas no inverno ocorre em razão da crise econômica que o pais enfrenta. “Infelizmente, as pessoas estão perdendo a capacidade de consumir e com isso passaram a reaproveitar as roupas que já têm. E assim, doam menos.”

O economista afirma que a expectativa é de que a economia cresça apenas de 1,5% a 2% no ano que vem. “Mas não é suficiente para que as pessoas voltem a comprar. O cidadão não está confiante que continuará empregado e não há crescimento na contratação. Quando a economia está bem, às vezes, a pessoa nem precisa e compra roupas novas, doando as que tem. Com a crise, podemos observar uma mudança no comportamento: está crescendo a procura por consertos e reformas de roupas”, disse.

Para o Fundo de Solidariedade de Rio Preto, a queda está associada ao aumento de entidades na cidade. “Rio Preto se caracteriza por ações solidárias por parte da população, incluindo empresas, instituições e clubes de serviço, o que vem contribuindo, significativamente, com o atendimento às pessoas mais necessitadas durante o mesmo período em que é realizada a Campanha do Agasalho, do Fundo Social de Solidariedade”, afirmou em nota. A reportagem procurou a presidente do Fundo, Eliana Lopes da Silva, mas ela não foi encontrada nesta sexta-feira.

Queda se deu em outras áreas

A população de Rio Preto não está menos generosa só na Campanha do Agasalho. As doações de óculos, fraldas, colchões, enxovais de bebês e até de presentes de Natal caíram. É o que também mostra a Conjuntura Econômica 2016, feita com dados do ano passado. A Conjuntura é como um raio-X do município e mostra todos os dados da cidade, como número de moradores, áreas mais populosas, temperatura média da cidade, volume de chuvas, número de doações, entre outros itens.

De acordo como documento, em 2014 ocorreram 993 doações de óculos. Em 2015, o número caiu para 923. Já as doações de fraldas, colchões e enxovais de bebês diminuíram de 53.021 itens para 52.023, no ano passado. Mesmo a Campanha de Natal, período no qual as pessoas ficam mais solidárias, foi fraca. Em 2014, um total de 10,5 mil crianças foi presenteado. No ano seguinte, 7,7 mil. A quantidade de padrinhos da Campanha de Natal caiu de 156 para 115 e o número de escolas beneficiadas reduziu de 19 para 18. 

 

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