Diário da Região

05/06/2016 - 00h00min

PET DEMAIS

Rio Preto consome 196 milhões de garrafas pet por ano, mas só recicla 12%

PET DEMAIS

Colaborou / Bruno Gilliard Garrafas pet boiam em meio à sujeira no córrego dos Macacos, em Rio Preto
Garrafas pet boiam em meio à sujeira no córrego dos Macacos, em Rio Preto

Os rio-pretenses consomem 196 milhões de garrafas pet por ano. Desse número impressionante, apenas 23 milhões, ou 12% do total, são recicladas. O restante entope bueiros e cobre parte dos principais cursos d’água da cidade, como o rio Preto e o córrego dos Macacos. O dano é permanente, já que o plástico demora décadas para se decompor. Recentemente, fotos da Polícia Ambiental mostrando o rio Preto imundo de garrafas pet e outros dejetos, publicadas pelo Diário, causaram indignação nas redes sociais. 

Em seus 15 quilômetros do rio, há 16 pontos de concentração de pets. A cena lamentável para este Dia Mundial do Meio Ambiente também se repete no córrego dos Macacos, afluente do rio Preto. O termo pet é alusão ao plástico politereftalato de etileno que, nos últimos anos, domina o engarrafamento de refrigerantes, água, sucos e leites. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Pet (Abipet), 60% das mais de 600 mil toneladas produzidas em todo o País são reutilizadas. Um percentual bem superior ao de Rio Preto.

A Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) diz que, apenas, 3% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são reciclados, de um total de 76,8 milhões de toneladas geradas anualmente. “Os números demonstram que o País ainda não avançou no modelo de aproveitamento dos resíduos gerados, apesar da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) vigorar desde 2010 e estabelecer a reciclagem como uma das prioridades”, argumenta o diretor da Abrelpe, Carlos Silva Filho.

“Um grande volume de materiais com grande potencial de reciclagem ainda vai parar em locais inadequados, trazendo danos ao meio ambiente e à saúde pública, que tem gasto grandes fortunas para tratar dos problemas de saúde causados pelos lixões.” Entre as medidas para impulsionar o setor, a Abrelpe lista a desoneração fiscal da cadeia produtiva da reciclagem para elevar a produção e o barateamento do preço dos artigos feitos a partir de material reciclado.

 

José Victor Franzotti e Luiz Guilherme Baruffi - 05062016 José Victor Franzotti (esq.) e Luiz Guilherme Baruffi na empresa que recicla pets em Potirendaba

Cooperativas como a Cooperlagos e a Associação Rio-Pretense de Educação e Saúde (Ares), além da empresa Eco Sistema, do grupo de bebidas Poty, de Potirendaba, lideram esse processo de reciclagem na região. A Eco Sistema, fundada em 2011, surgiu em parceria com a Poty, que como uma fabricante de garrafa pet deverá cumprir a PNRS, incluindo a recolha e o reúso do material. “Começamos a ter esse cuidado antes dessa lei, porque somos os maiores poluidores”, diz o empresário José Luiz Franzotti, dono da Poty.

A Eco Sistema fez da pet um negócio. À frente da empresa, José Victor Montanari Franzotti e Luiz Guilherme Baruffi recolhem, por mês, 400 toneladas de garrafas em um raio de 400 quilômetros. “São 8 milhões de garrafas por mês. Somente em Rio Preto, recolhemos 80 toneladas por mês”, afirma Baruffi. Além da região, a empresa capta pet em cidades como Bauru, Borborema e algumas no interior de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Cada quilo custa entre R$ 1,30 e R$ 1,50. A pet é moída e revendida para a indústria de carros e alimentos.

Ações

Tereza Marta Pagliotto, assistente social e coordenadora da Cooperlagos, diz que, por mês, recicla 23 mil garrafas. Neste ano, essa média saltou para 70 mil recipientes por mês com a campanha Futebol Sustentável, promovida pela empresa de marketing esportivo E&L em parceria com a Federação Paulista de Futebol: o torcedor pôde, ao invés de desembolsar dinheiro, comprar o ingresso com duas pet na fase final da Série A-3. “Essa campanha é feita em todo o Estado. Já recolhemos mais de 2 milhões de garrafas, contemplamos 700 mil torcedores e as cooperativas (como a Cooperlagos) são beneficiadas”, disse Edvaldo Ferraz, dono da E&L.

Plantio de 300 mudas

Rio Preto irá receber durante esta semana uma série de eventos em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Às 8 horas, o #Ato20AnosCódigoFlorestalRioPreto, que reúne entidades como o Rotary do Palácio das Águas, Associação Amigos dos Mananciais (AAMA) e Secretaria do Meio Ambiente fará o plantio de 300 mudas de árvores ao lado da ponte do córrego dos Macacos, no São Marcos. “Esse córrego é importantíssimo para cidade, é um afluente do rio Preto e está sofrendo com o assoreamento”, lamentou André Nogueira, um dos organizadores.

“Podemos observar ali todo o tipo de lixo. Pedaço de televisão e até concreto, restos de obra de construção civil.” O grupo também terá um piquenique e irá debater o Código Florestal de Rio Preto com presença dos professores de biologia Fernando Fonseca e Arif Cais e o geólogo Samir Barcha. O Sesc Rio Preto terá ao longo do mês debates sobre agricultura urbana, produção artesanal de produtos derivados de plantas e ervas aromáticas, exibição de filme e oficinas. Hoje, dia 5, o químico ambiental Gustavo Prione participa da bate-papo “Agricultura Urbana: Ocupação Consciente de Espaços Públicos”, às 14 horas.

Por que reciclar pets
  • Redução do volume de lixo nos aterros sanitários e melhoria nos processos de decomposição de matérias orgânicas. O PET prejudica a decomposição, pois impermeabiliza certas camadas de lixo, não deixando circularem gases e líquidos 
  • Economia de petróleo, pois o plástico é um derivado  
  • Economia de energia na produção de novo plástico  
  • Geração de renda e empregos 
Por que o pet é poluente
  • Plástico e derivados não podem ser usados como adubo, pois não há bactéria na natureza capaz de degradar rapidamente o plástico  
  • É altamente combustível e libera gases residuais como monóxido e dióxido de carbono, acetaldeído, benzoato de vinila e ácido benzóico 
  • É muito difícil a sua degradação em aterros sanitários  
Números em Rio Preto
  • Cada rio-pretense consome 440 garrafas pet por ano, em média 
  • Isso dá um total de 196 milhões de recipientes no município, por ano  
  • Só 12% desse volume é reciclado 
Alguns produtos que utilizam pet reciclado
  • Moletons, forro de edredom e mantas
  • Porta lápis   
  • Caixa d'água  
  • Cabides  
  • Cordas do varal  
  • Vassouras 
  • Réguas  
  • Tubos e conexões  
  • Para-choques de carros  
  • Celular 

 

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