Diário da Região

05/06/2016 - 00h00min

193 ENTRE A VIDAE A MORTE

Vinícius reencontra bombeiros que salvaram sua vida, há 4 anos

193 ENTRE A VIDAE A MORTE

Hamilton Pavam Sílvio Pedro da Silva (em pé, à esq.) e o filho Vinícius reencontram os bombeiros que socorreram ambos há quatro anos
Sílvio Pedro da Silva (em pé, à esq.) e o filho Vinícius reencontram os bombeiros que socorreram ambos há quatro anos

Daqui a 23 dias vai fazer exatamente quatro anos que pai e filho viveram o pior drama de suas existências. Um acidente de trânsito, no Centro de Rio Preto, teria posto fim à vida de Sílvio Pedro da Silva, 50 anos, e de Vinícius Rodrigues da Silva, 25. O final só é outro devido à atuação rápida de homens do Corpo de Bombeiros. O estudante, que havia retornado para a cidade fazia 15 dias depois de passar dois como missionário no Nordeste, saiu da casa, no bairro Boa Vista, e foi buscar o pai no serviço, o guarda municipal Sílvio. Era uma quarta-feira e eles deveriam comer a pizza que a família comprou para assistir ao jogo do Corinthians.

Mas, quando voltavam, aos 55 minutos do dia 28 de junho, já quinta-feira, o semáforo do cruzamento das ruas Silva Jardim com Voluntários de São Paulo estava no amarelo intermitente e um carro atingiu em cheio a moto em que os dois estavam. O motorista fugiu sem prestar socorro. “Quando chegamos vimos que o estado de Vinícius era gravíssimo e o atendemos primeiro. Ele estava desacordado e precisamos fazer manobras de desobstrução aérea para que não morresse engasgado com o próprio sangue e o estabilizamos”, recorda o cabo Leonardo Cardoso Pereira.

Imediatamente os bombeiros acionaram mais uma viatura do Resgate e também o Samu. “Passamos a dar atendimento ao Sílvio e o imobilizamos porque vimos que ele estava com fraturas expostas em várias partes do corpo. Estava consciente, mas desorientado”, conta o soldado Maykel André Manoel da Rocha. A violência da batida foi tamanha que pai e filho foram lançados e se chocaram contra uma porta de ferro de uma loja que fica no cruzamento das ruas. A porta acabou afundando e quebrou com a força do impacto.

“O Vinícius perdeu um terço da massa encefálica, a visão do olho direito, desenvolveu epilepsia e teve a parte cognitiva afetada”, diz Sílvio. O jovem passou 60 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e acreditava-se que não venceria a morte. O próprio guarda municipal passou cinco dias na UTI e não consegue se lembrar de nada que ocorreu nesse período. “Já me submeti a inúmeras cirurgias na perna direita e no braço esquerdo, praticamente todos os ossos desses membros quebraram, além de seis costelas”, conta.

Reencontro

“Obrigado! Obrigado, cara! Obrigado!”. Foi agradecendo, pegando nas mãos e abraçando, que Vinícius reencontrou, na última quarta-feira, dia 1º, o cabo Leonardo, o soldado Maykel, e os também soldados André Molaz e Roque Daniel Natalin Antoline, parte dos bombeiros que o socorreram. A família Silva queria o reencontro, que também era um desejo dos bombeiros, mas em função das escalas de trabalho, não era possível. A pedido do Diário, a tenente Lidiara Lenarduzzi conseguiu reunir parte da equipe e promover o encontro.

“A família já tinha dito que queria conhecer os bombeiros que ajudaram a salvar a vida de Vinícius e Sílvio, mas foi preciso organizar as escalas para não comprometer os trabalhos. É, sem dúvida, um momento gratificante”, disse a tenente Lidiara. Perguntado se gostou do reencontro, com um gesto de cabeça Vinícius respondeu que sim. Por quê? “Eles salvaram a minha vida”. 

Como teve uma perda encefálica muito significativa, o jovem tem certa dificuldade de raciocínio e pergunta ao pai: “O que mais?” e a cada resposta de Sílvio, diz: “Eles foram rápidos. Eles foram cuidadosos. Eles são gentis. Eles são anjos”, concluiu o jovem. “Esse (Vinícius) é o nosso milagre. Se não fosse a rapidez e o treinamento dos bombeiros não estaríamos vivos. Seriam minutos até que ele morresse afogado com o próprio sangue e eu teria uma parada cardíaca. Sempre quisemos agradecer e estamos felizes por esse encontro”, disse Sílvio.

 

PMs Fernandópolis - 05062016 Policiais salvaram a vida de Samuel, 2 anos, filho de Lidiane, em Fernandópolis

Ação rápida da PM salvou vidas de dois bebês

Eles são treinados para combater o crime e garantir a integridade física das pessoas, mas nos últimos dias, policiais militares da região salvaram a vida de duas crianças, uma em Fernandópolis e outra em Votuporanga. No último dia 21 de maio, um sábado, o 190 da polícia tocou em Fernandópolis. Era uma mãe desesperada pedia para salvarem a vida de seu filho, de um ano e oito meses, que não respirava. De tão apavorada que estava, informou o número da casa errado. Enquanto uma viatura da polícia se dirigia para o endereço fornecido, homens do Rocam (policiamento de moto), conseguiram encontrar o endereço correto e acionaram os outros PMs pelo rádio.

“Quando chegamos o bebê já estava roxo, sem ar. Enquanto o Rocam abria caminho levamos a mãe e o filho até a Santa Casa, foi menos de um minuto no percurso e isso foi fundamental para ele sobreviver”, conta o sargento André Luiz Mendonça da Silva, um dos militares que atendeu a ocorrência. Ao chegar ao setor de pronto-socorro do hospital, o pequeno Samuel foi imediatamente atendido pelo médico Affonso de Albuquerque, que diagnosticou que a criança estava cianótica (corpo arroxeado por falta de respiração) e com muita secreção na boca e pulmões, e então iniciou os procedimentos de emergência. Três dias depois, os policiais que atenderam a ocorrência foram visitar a mãe Lidiane Santos Nunes e seu bebê. 

“É muito emocionante, nós ajudamos a salvar um anjo. Foi o trabalho conjunto de todos nós que possibilitou chegarmos a tempo no hospital e conseguirmos entregar o bebê ainda com vida para o médico.” O Diário tentou entrar em contato com Lidiane, mas não conseguiu localizá-la. Segundo o sargento Silva, a mãe decidiu pedir socorro à Polícia Militar e não ao Samu porque um outro filho dela, gêmeo de Samuel, morreu com oito dias de vida quando a família ainda morava na Bahia por demora no atendimento do serviço. “Ela me disse que o outro filho morreu nos seus braços enquanto ela ainda dava explicações para liberarem uma viatura do Samu para atendimento”, conta.

 

PMs de Votuporanga - 05062016 PMs visitam o pequeno Enzo na Santa Casa de Votuporanga: socorro rápido foi essencial

Engasgo

Na última segunda-feira, dia 30, policiais militares de Votuporanga salvaram a vida de Enzo. O bebê, na data com seis dias de vida, engasgou com o leite da mãe. Policiais foram acionados e rapidamente chegaram na casa de Tatiane Lima, 26, mãe de Enzo. No caminho até o hospital, enquanto o cabo Evandro Dutra dirigia a viatura, o também cabo Rodrigo Biliassi fez massagem para restabelecer os sinais vitais do bebê, que não respirava. Enzo foi atendido inicialmente no pronto-socorro do Mini Hospital Pozzobon e transferido para a Santa Casa de Votuporanga, onde passou por exames para checar se estava tudo bem. No dia, Tatiane disse aos policiais que seria “eternamente grata” a eles por terem salvado a vida de seu bebê. 

‘Meu marido morreu e foi ressuscitado’

“Ele morreu e foi ressuscitado.” É o que acredita Teresa Paulina dos Santos, 60 anos, mulher de Gersino Pereira dos Santos, 68. No dia 25 de novembro do ano passado, o metalúrgico estava almoçando na empresa onde trabalha quando teve uma parada cardiorrespiratória. “O colega que também estava almoçando viu quando que ele tombou e caiu morto e ligou para os bombeiros e depois para mim”, recorda. Teresa diz que foi até a empresa onde o marido trabalha, mas o tinham levado para o Hospital de Base.

“Disseram para mim que ele já estava morto, mas que mesmo assim os bombeiros tinham entubado o meu marido. Foram 14 dias internado na UTI e nos primeiros cinco dias os médicos diziam que não havia esperança. É que passou quase seis minutos até que o coração voltasse a bater”, diz. Mas, a partir do 5º dia de internação, Gersino começou a dar sinais e Teresa conta que os médicos fizeram uma cirurgia para implante de marcapasso e o marido se recuperou. Em cerca de um mês deixou o hospital e em seguida voltou para o trabalho.

“A única coisa que o Gersino lembra é que quando ele estava na UTI o falecido patrão dele, o seu Ricardo, foi lá e falou para ele que era para ele voltar (à vida) porque ele ainda tinha que trabalhar e é isso que ele fez. Foi um milagre, até os bombeiros que salvaram meu marido dizem que foi um milagre”, afirma Teresa. O médico do Grupo de Resgate de Atendimento de Urgências (Grau) dos Bombeiros Pedro Américo Garcia Dias, que atendeu a ocorrência, recorda da rapidez como agiram.

“Levamos três minutos para chegar na empresa e já realizamos o processo de ressuscitação com desfibrilador (choque no peito) e o colamos para respirar com ajuda de aparelhos. Nós trabalhamos com situações de desespero, tragédia, ter êxito em trazer alguém de volta à vida é o ápice da nossa profissão”, afirma. Foi também a rapidez da ação que fez com que um menino de 8 anos, que se afogou na piscina de uma escola de natação em Rio Preto, esteja vivo. Mateus foi socorrido pelos bombeiros no dia 14 abril. Assim que chegaram, eles fizeram os procedimentos para que garoto liberasse a água dos pulmões e voltasse a respirar. 

“Eu não estava presente, mas soube que meu filho foi reanimado rapidamente e levado para o hospital e que se não fosse esse atendimento ele estaria morto”, diz o engenheiro civil Luís Aparecido Miguel. O estudante ficou internado no Hospital da Criança e Maternidade até o dia 28 de abril, recebeu alta, mas ficou com sequelas. Recebe atendimento multiprofissional no Centro de Reabilitação Lucy Montoro para tentar recuperar os movimentos voluntários do corpo. “Somos muito gratos aos bombeiros por terem sido tão rápidos e salvado a vida do meu filho”, completa Luís Miguel.

 

Pedro Américo e Samiris Cristina - 05062016 O médico Pedro Américo e a Samaris Cristina Jorge ao lado do veículo do GRAU

Serviço funciona 24 horas por dia

Quando alguém liga para o 193 e faz o pedido de socorro, o bombeiro que está do outro lado da linha, no Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom), tenta obter o máximo de informações precisas para deslocar o mais rápido possível, e conforme a necessidade, as viaturas que vão atender a ocorrência. Veículos do Resgate saem do posto mais próximo do local acionado. Desde novembro, quando foi implantado em Rio Preto, também é enviada uma Unidade de Suporte Avançado (USA) do Grupo de Resgate de Atendimento de Urgências (GRAU), para os casos graves.

O serviço funciona de segunda a segunda, 24 horas por dia, e conta com um médico, um profissional de enfermagem e um motorista. “Quando somos acionados em menos de 25 segundos estamos nas ruas. Sabemos que é grave e que o tempo vai fazer a diferença entre a vida e a morte do paciente”, diz o motorista da USA Rogério de Souza Monteiro. Ele e os demais motoristas que dirigem a unidade passaram por um curso especializado de direção defensiva na Escola Superior de Bombeiros.

É que, com giroflex e sirene ligados, têm de desrespeitar semáforos e avançar sobre o fluxo de veículos para que cheguem até uma unidade de saúde o mais rápido possível. “Na hora, a única coisa que vem na minha cabeça é salvar a vida daquela pessoa”, resume Monteiro. Ao contrário que se imagina, a parte traseira da USA não tem uma maca e bancadinhas para que os profissionais de saúde acompanhem o paciente. Ela é totalmente lotada de equipamentos e medicamentos para o atendimento urgente de vítimas de acidente de trânsito, da violência urbana, como baleados e esfaqueados, casos de parada cardiorrespiratória, acidente vascular cerebral, partos, entre outros.

“Temos desfibrilador, oxigênio, medicamentos de uso restrito, equipamento para entubação, para parto, para todos os tipos de traumatismos. Depois que fazemos o atendimento inicial, vamos junto na viatura do Resgate até o hospital para levar o paciente nas melhores condições possíveis de sobrevivência”, diz a enfermeira da USA Samaris Cristina Jorge. O Samu, que é um serviço da Secretaria Municipal de Saúde, também conta com veículos USA. Conforme dados passados pela assessoria de imprensa, em 2013, a unidade prestou 1.761 atendimentos, em 2014, foram 1.836 e, no ano passado, 1.830, somente na cidade de Rio Preto. 

 

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