Diário da Região

20/08/2016 - 00h00min

VALEM OURO

Conheça gente que faz esforços olímpicos para ganhar a vida em Rio Preto

VALEM OURO

NULL Eurípedes Almeida dos Santos limpa terrenos baldios e áreas públicas. Com uma enxada nas costas, ele sai de casa todos os dias para ganhar o sustento como pode. Essa é a sua luta diária
Eurípedes Almeida dos Santos limpa terrenos baldios e áreas públicas. Com uma enxada nas costas, ele sai de casa todos os dias para ganhar o sustento como pode. Essa é a sua luta diária

São gente simples, avessa às grifes esportivas e distante das somas de um salário e patrocínio de atletas. A quatro metros de altura, João Jair Figueiredo, com braços de levantador de peso, se equilibra no teto para encaixar telha arremessada pelo servente Rodrigo. Diariamente, João, de 64 anos, acorda às 5h, deixa sua casa em um loteamento de chácaras em Talhado, próximo ao posto 52 da rodovia BR-153, e às 8h dá início à batalha diária em um condomínio na zona leste de Rio Preto. Levanta paredes, faz contrapiso e capricha no assentamento dos azulejos. “Medalha de ouro aqui vem na sexta-feira”, brinca o pedreiro. É o dia de pagamento.

Domingo a domingo

No outro lado da cidade, na zona norte, Joaquim Luiz Oliveira, de 60 anos, trabalha das 7h às 19h, de domingo a domingo. As mãos estão bem calejadas, fruto do carinho com suas hortaliças.

Com uma enxada de lâmina pequena, Joaquim remove as adversidades de ervas daninhas e abre buracos para adubar a terra. “Faço esse trabalho por prazer de ver uma semente nascendo, crescendo. Às vezes, paro e penso: ‘eu que plantei isso’. E me dá um orgulho danado”, conta.

Há 40 anos, Joaquim trabalha com horta. É o que sustenta a casa. “Hoje, dá para tirar pouco mais de dois salários.”

O campo de batalha tem dois mil metros. Quem passa pela avenida Alberto Olivieri, conhecida como avenida do Linhão, entre os bairros Eldorado e Solo Sagrado, é possível avistar pés de alface, cheiro-verde, almeirão, rúcula, couve e tomate.

Joaquim lamenta a dificuldade para encontrar sucessores. “Hoje, ninguém quer trabalhar assim com a enxada.”

Enquanto detalha suas proezas no campo de terra, um carteiro pedala pela avenida do Linhão. São mil correspondências e uma média de sete quilômetros de ciclismo, por dia, debaixo do sol. Como não tem autorização da empresa, que paga o seu salário, pede para não ser identificado e rejeita a pose para foto.

Não é o caso de Fernando Ricardo Straus. Técnico de segurança do trabalho e desempregado desde fevereiro, ele vende balas em um dos semáforos na avenida do linhão. A cada sinal vermelho, Fernando marcha com rapidez entre um carro e outro na ânsia de fazer mais um cliente. “Vendo sete, oito caixas por dia. Não é um salário, como técnico de segurança do trabalho, e não tenho a CLT, mas consigo lucrar R$ 6,84 por caixa”, disse Fernando, que mora no Jardim Nunes e caminha dois quilômetros até o ponto de venda.

Enquanto está no farol, parece que não há nada que tire o sorriso de Fernando. “Tenho passado por esse momento com força de vontade e fé em Deus. Vamos nos equilibrando.”

A cada caixinha vendida, ele entrega um pequeno panfleto de uma igreja evangélica. “É a mensagem da amizade. No fim, esse serviço é prazeroso, porque vou conhecendo muita gente. Alguns brincam comigo, outros fazem questão de dar bom dia.”

Reconhecimento é o que falta para os garis Mário de Oliveira Júnior e Marcos José de Santana, responsáveis pela limpeza das ruas de Rio Preto. “Tem muita gente metida, que gosta de humilhar só porque é varredor de rua”, lamenta Mário.

Marcos lança um desafio. “Se não trabalharmos, quem vai limpar a cidade? Alguns olham para a gente como lixo, é uma pequena parte, mas existe.”

Eurípedes Almeida dos Santos limpa terrenos baldios e áreas públicas. Faça chuva ou sol, vai para a rua ganhar o sustento como pode. “É uma luta diária.”

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Diário da Região

Esperamos que você tenha aproveitado as matérias gratuitas!
Você atingiu o limite de reportagens neste mês.

Continue muito bem informado, seja nosso assinante e tenha acesso ilimitado a todo conteúdo produzido pelo Diário da Região

Assinatura Digital por apenas R$ 1,00*

Nos três primeiros meses. Após o perí­odo R$ 16,90
Diário da Região
Continue lendo nosso conteúdo gratuitamente Preencha os campos abaixo para
ganhar + 3 matérias!
Tenha acesso ilimitado para todos os produtos do Diário da Região
Diário da Região Digital
por apenas R$ 1,00*
*Nos três primeiros meses. Após o per­íodo R$ 16,90

Já é assinante?

LOGAR
Faça Seu Login
Informe o e-mail e senha para acessar o Diário da Região.
Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para acessar o Diário da Região.