Diário da Região

05/07/2016 - 00h00min

Morando com o inimigo

Metade dos crimes sexuais contra menor acontece em família

Morando com o inimigo

Arquivo pessoal As duas crianças de 4 anos são atendidas pelo projeto acolher
As duas crianças de 4 anos são atendidas pelo projeto acolher

Padrasto, tio, primo, sobrinho e até irmão. Vem deles, membros próximos da família, metade dos casos de abuso sexual ou estupro de autoria conhecida em Rio Preto. Os dados são do Projeto Acolher, do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) e leva em conta os casos nos quais as vítimas procuraram ajuda médica e psicológica.

O HCM atendeu do ano passado até junho deste ano 50 pacientes vítimas de estupro ou abuso, 72% deles (36) crianças e adolescentes. Desses 50, em 30 casos os abusadores são conhecidos das vítimas e em 15 são membros da família.

“Ainda existe essa questão (por parte dos abusadores) do que é meu, eu posso. A criança vê aquilo como um carinho, mas na verdade está sendo abusada”, afirma a delegada Dálice Ceron, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto.

O Projeto Acolher, além de dar assistência às vítimas, faz um questionário que identifica quem foi o agressor, onde e como foi. As perguntas servem para facilitar e melhorar o atendimento e permitiu diagnóstico dos casos e grau de parentesco entre vítima e abusador.

Mesmo quando não vem da família, o autor geralmente é próximo da vítima e está em contato frequente com ela.

Foi o que aconteceu na casa de Paloma (nome fictício), no mês passado, em Rio Preto. Ela descobriu que a filha e a sobrinha, ambas de 4 anos de idade, eram abusadas por um amigo da família.

As meninas relataram que R.L., 22 anos, colocava a mão em seus órgãos genitais e pedia beijos na boca. Por conta dos abusos, a filha de Paloma chegou a relatar para professores que não queria mais voltar para casa. “Ela mudou de comportamento. Chorava bastante e não queria voltar para casa. Agora vamos iniciar o acompanhamento no HCM. Precisamos de ajuda para superar isso”, disse.

Para a delegada Dálice, além da denúncia é fundamental que as vítimas procurem atendimento médico logo após o ocorrido. “O abuso tatua a alma, muitas vezes mais do que o físico, por isso é extremamente importante acompanhamento psicológico das vítimas e da família. O problema é que em muitos casos não procuram”, afirmou a delegada.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, foram registrados em Rio Preto neste ano 42 casos de estupro. Apenas nove chegaram ao HCM.

Projeto Acolher

Criado há 15 anos, o Projeto Acolher oferece o atendimento necessário às vítimas de abuso sexual, desde profilaxia até acompanhamento psicológico. Mesmo assim, ainda é pouco procurado. “Ou os pacientes ainda não conhecem muito ou não estão sendo encaminhados. Temos estrutura para receber esses pacientes. As vítimas têm de ter ciência de que existe o sigilo médico e que serão muito bem recebidas aqui”, disse o ginecologista Jacyr Macagnani.

O projeto surgiu por iniciativa do médico legista Marcus Vinicius Baptista. Ele observou a necessidade da criação de um serviço especializado. “Quando cheguei a Rio Preto percebi que as condições não eram adequadas. As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) não têm capacitação e a rede de saúde municipal não tem estrutura para atender esses pacientes”, afirmou.

No HCM, basta a vítima chegar na recepção e informar que quer passar pelo Projeto Acolher ou que precisa ser examinada por um ginecologista.

“Antes de procurar a polícia, a vítima de estupro deve procurar ajuda médica. Quanto mais cedo ela for medicada, menores são as chances de ela contrair uma doença”, explica o ginecologista.

No Projeto Acolher, a vítima é medicada e encaminhada para o ambulatório de psicologia. No caso de maiores de idade, não é necessário que a vítima tenha feito boletim de ocorrência na polícia.

“Aqui fazemos o tratamento adequado, com medicamento e exames. Depois a paciente passa pela psicologia. Ela pode ser acompanhada por seis meses ou mais, depende do caso”, disse a infectologista Delzi Gôngora.

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