Diário da Região

28/08/2016 - 00h00min

OBRAS DE ARTE

Série Museus visita obras de Silva, nosso primitivista internacional

OBRAS DE ARTE

Mara Sousa 23/8/2016 Retrato do Silva, vaidoso e galã, na entrada do museu que leva seu nome
Retrato do Silva, vaidoso e galã, na entrada do museu que leva seu nome

Contemporâneo da escritora Dinorath do Valle, que lhe deu o maior incentivo e visibilidade, o artista plástico primitivista José Antônio da Silva teve a sorte de se tornar amigo de outro expoente da cultura rio-pretense, o professor Romildo Sant’Anna, hoje diretor do Museu de Arte Primitiva José Antônio da Silva (MAP). O cargo de Romildo foi exigência do artista.

O museu, que guarda 67 obras só do Silva, funciona na rua Voluntários de São Paulo, esquina com Saldanha Marinho, Centro, num prédio histórico que já abrigou o Tiro de Guerra e a Biblioteca Municipal, onde Silva foi servente.

RECOERTARLIVRO_WEB Capa de um dos cinco livros que escreveu

Nessa semana, a série Museus, do Diário, visitou o MAP e levou junto um artista, o editor de Artes do jornal, César Augusto Belisário da Silva, admirador declarado do primitivista. “Admiro a singeleza dos traços, a qualidade dos detalhes, toda essa alegoria. Não é todo mundo que consegue fazer essa mistura. Silva fez com exclusividade,” diz Belisário.

Ele destaca um traço comum nas telas: o horizonte. “É a marca dele. Um horizonte quase sempre verdinho, lembrando a vida rural.”
Sobre as telas Tempestade de Vento e Carreiro na Tempestade, ele observa o talento do Silva para reproduzir emoções em traços tão rústicos. “Como naïf, ele sabia reproduzir como poucos os sentimentos dos seus personagens. Estas telas têm uma coisa nervosa, muito viva. Quem não entende, pode achar fácil fazer isso, ou alinhar boizinhos e casinhas, mas precisa ter noção espacial, que é próprio de artistas,” afirma Belisário.

C5B_WEB Obra de Silva

Continuando o giro, foi possível apreciar a coletânea Fundação de Rio Preto, com sequências que marcam a chegada dos pioneiros, a primeira casa (de João Bernardino), a passagem do Visconde de Taunay pelo povoado e outras cenas já conhecidas d</CW>o público.

Uma ala do museu apresenta uma fase do autor em que ele emprega um misto de découpage e pintura. São fotos de celebridades decalcadas sobre tela e emolduradas por desenhos dele, que ele chamava de ‘arranjo’. Tem de Liz Taylor a Pietro Maria Bardi, fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp), de quem também ficou amigo.

Muitos quadros mostram mensagens escritas, ou de protesto, ou amor, revelando sentimentos que o Silva era incapaz de esconder, como a série da época que não foi incluído na Bienal de São Paulo.

Os quadros também estão disponibilizados na internet, em alta definição, como Museu Virtual, e na página do MAP no Facebook. 
O museu é um brinco de organizado. O assessor de Romildo é o jovem Arthur Merlotti, agente administrativo.

Como todo museu, sempre precisa de orçamento reforçado. “Desejo firmemente que o MAP venha a ter alguma verba para ampliação do acervo e conservação (alguns reparos de molduras e compras de certos materiais têm sido pagos por mim). Desejo que o espaço do Museu Naïf (onde estão os painéis do Silva pintados na parede) seja incorporado ao MAP, para poder abrigar as grandes esculturas do artista (que continuam no Centro Cultural),” afirma Romildo. 

OBRA_WEB Escultura feita por Silva

O museu funciona de segunda a sexta, das 8 às 17 horas, e aos sábados, por agendamento.

O Silva

José Antônio da Silva, pintor, escritor e poeta, nasceu em Sales de Oliveira (SP) e, 12 de março de 1909 e morreu em São Paulo em 8 de agosto de 1996, há 20 anos. Venceu a 26ª Bienal de Veneza (1952), a 2ª Bienal Hispano-Americana, em Havana, Cuba (1954) e a Exposição Internacional de Lissone, em Milão, Itália (1955). Participou de inúmeras mostras.

Escreveu cinco livros e fundou o Museu de Arte Contemporânea(MAC), hoje Primitivista. Gravou dois discos sobre o folclore regional. É tema de seis filmes de curta-metragem, feitos pelo professor Romildo Sant’Anna.

Romildo, amigo e divulgador

O Museu do Silva tem como diretor o professor, escritor e pesquisador Romildo Sant’Anna, que registra três passagens por lá. A primeira, entre 1979 e 1985 (o Museu foi inaugurado em 19/7/1980). 

Foi exigência do Silva que só doaria as obras se Romildo fosse o diretor. Silva, na época, doou então todos os quadros e esculturas do antigo Museu de Arte Contemporânea além de novas doações. A segunda passagem representou a refundação do Museu, já que ele estava desativado há três anos (os quadros estavam guardados no subsolo do Teatro Municipal). 

C5D_WEB Uma fase de découpage do artista, com fotos de celebridades

Romildo conseguiu com o Sesc a restauração de 15 telas em péssimas condições (rasgadas e craqueladas).

Em 2013, Romildo voltou ao MAP, na Voluntários de S. Paulo. De lá para cá, recebe turmas de estudantes de Rio Preto e região, turistas, faz treinamento de professores, orienta trabalhos de pesquisa, promove cursos de história da arte e história da música, ciclos de cinema e lançamento de livros. 

Além disso, escreveu ‘Silva, Quadros e Livros-Um Artista Caipira, que lhe rendeu o prêmio Casa de Las Américas, de Havana, Cuba.

Uma visita ao museu

“Sempre me encanto com a genialidade do mestre Silva, desde a primeira visita ao museu, já não me lembro bem a data, mas foi uma visita promovida pela minha escola, Cleophas Beltran Silvente, mais ou menos uns 35 anos atrás. Sempre desenhei e pintei, desde pequeno, e me alegrava ver as obras dos grandes mestres, como Da Vinci, Michelângelo, mas foi nesta visita que conheci as pinturas e descobri o grande Silva, visita que me mudou profundamente e só me enriqueceu. 

belisário 28082016 O editor de artes do Diário, César Belisário, dando um giro pelo museu

E me apaixonei por uma simplicidade cheia de detalhes e cores vivas das obras e com ele comecei a ver mais longe, como o horizonte de azul firme e repleto de nuvens, bem lá no fundo dos seus quadros, um horizonte apertadinho. É como conhecer bem de perto a natureza humana, e não esquecer que na vida sempre tem mais, logo ali adiante, para os que olham e pensam como eu. Um artista se faz com obras e uma vida inteira dedicado a elas, e deixa que suas obras estejam repletas dele.

Vá ao museu e conheça o Silva.”

César Augusto Belisário, editor de Artes do Diário

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