Diário da Região

05/07/2016 - 00h00min

Já é obrigatório

Rótulos devem trazer nomes de produtos que podem ser alérgicos

Já é obrigatório

Arquivo Pessoal Aline com os filhos Rafael, Rebecca e Sofia, cada um com uma alergia diferente
Aline com os filhos Rafael, Rebecca e Sofia, cada um com uma alergia diferente

“Foi um susto imenso. Imediatamente depois de comer castanha do Pará, ele começou a apresentar vermelhidão, inchaço, as mãozinhas ficaram arroxeadas e teve vergões no rosto e pescoço. Ele se coçava muito”. O relato é da empresária Mariana Devito da Cunha Berti, 30 anos. Na noite de sexta-feira, 1º, o filho Bernardo, 2 anos e 2 meses, apresentou processo alérgico depois de comer castanha. Foi levado a um hospital de Rio Preto e medicado.

“A médica disse que foi uma reação severa, mas deu tudo certo. Agora vou levar em um alergista para ver se ele é alérgico a outros alimentos”, diz Mariana. Segundo ela, na família não há ninguém com alergia alimentar e o filho já havia comido castanha de caju, amendoim e amêndoas sem problemas.

A partir de agora, Mariana terá de ficar alerta a rótulos de produtos para ver se contêm castanha do Pará. Desde domingo, 3, a indústria alimentícia é obrigada a colocar em seus rótulos 18 produtos que podem ser alérgicos. A luta para conseguir a rotulagem dos alergênicos em alimentos e bebidas é antiga, mas a resolução é de 3 de julho do ano passado. “A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu um ano para a indústria se adequar e agora ela passa a ser multada caso não traga as informações”, diz a nutricionista do Hospital da Criança e Maternidade, Renata Pinotti, especialista em alergia alimentar.

De acordo com informações do movimento #poenorotulo, 8% das crianças brasileiras (cerca de 5 milhões) e 3% dos adultos têm esse problema alimentar. Sem rótulos claros, ficam reféns de pouca ou nenhuma informação.

Estudos da Universidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, que faz parte da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), mostraram que 39,5% das reações alérgicas foram relacionadas a erros na leitura de rótulos dos produtos.

O objetivo da resolução da Anvisa é proporcionar segurança alimentar e que as pessoas possam confiar nos rótulos.

Contudo, segundo Renata Pinotti, ainda serão necessárias mudanças. “No rótulo deveria constar ‘alérgico: contém leite’ ou ‘alérgico: contém ovo’, mas a indústria está colocando o nome do produto, como caseína, e muitas pessoas não sabem que contém a proteína do leite”, diz.

Ela chama a atenção para um engano que atinge muitas famílias, que é relacionar alergia e intolerância.

A alergia só se dá por proteínas, como as do leite, ou à albumina, presente no ovo ou lecitina, na soja, entre outras. É um processo que envolve o sistema imunológico.

Determinado alimento é um inimigo e manda células de defesa para barrá-lo. Nessa “confusão”, o corpo acaba agredido. Na alergia pode haver envolvimento de um ou mais órgãos. Conforme a gravidade, pode levar à morte por reação anafilática.

“Os oito principais alergênicos são o leite, soja, ovo, trigo, peixe, frutos do mar, castanha e amendoim”, informa a especialista.

Já a intolerância não envolve o sistema imunológico e suas reações estão mais relacionadas ao aparelho digestivo.

Segundo Renata, que é a autora do livro Guia do Bebê e da Criança com Alergia ao Leite de Vaca, a melhor forma de evitar alergia é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. “A mãe transfere os anticorpos pelo leite”, diz.

Ela orienta ainda que logo após os seis meses de vida, quando se inicia a chamada janela imunológica, comece a introdução outros alimentos. “Quanto mais cedo o contato do organismo com os produtos, melhor para desenvolver tolerância alimentar. Só não devem fazer parte da dieta da criança produtos industrializados.”

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Programa para alérgicos e diabéticos

A empresária Aline Moreira, 41, é celíaca (alérgica a glúten), a filha Rebecca, 4, é alérgica a ovo e leite e os gêmeos Rafael e Sofia, 11, já tiveram alergia a leite e ovo e agora são intolerantes ao leite e sensíveis ao glúten.

Com tantas mudanças no cardápio da casa e pesquisas para chegar a alimentos saudáveis para os filhos, acabou se transformando em consultora na área de restrição a alergia alimentar.“Em casa não entra leite, ovo e nenhum alimento que contenha glúten. Para os alérgicos, mesmo que ocorra apenas uma contaminação cruzada, é perigoso”, diz. 

Contaminação cruzada ocorre quando um alimento é produzido em maquinário que fabrica outros alimentos com ingredientes alergênicos e, que mesmo higienizados, deixam traços.

Pode parecer exagero, mas não é. Um caso revelado há um mês na imprensa é a morte da canadense Myriam Ducré-Lemay, em 2012, na ocasião ela tinha 20 anos. Depois de uma festa, a jovem foi para a casa do namorado. O rapaz comeu um sanduíche com pasta de amendoim e beijou-a. Myrian teve reação alérgica instantânea e não resistiu ao choque anafilático.

Na 6ª Conferência Nacional das Cidades, em 25 de junho em Rio Preto, Aline fez proposta para a cidade adotar um programa de ações e inclusão das pessoas com alergias e diabetes. “São grupos que precisam de apoio nutricional, médico e consumir alimentos que são mais caros. A ideia é também criar cozinha-piloto”, diz.

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