Diário da Região

22/04/2015 - 17h29min

Sonho de menina

Todas querem ser Gisele

Sonho de menina

Sergio Isso Jovens modelos sonham em ser a próxima Gisele Bündchen (Foto: Sergio Isso)
Jovens modelos sonham em ser a próxima Gisele Bündchen (Foto: Sergio Isso)

Elas têm entre 10 anos e 16 anos de idade, mas já batalham duro por um sonho: conquistar fama internacional, dinheiro e glamour. Musa inspiradora? A übermodel brasileira Gisele Bündchen, que, na semana que passou, ocupou o noticiário de veículos de comunicação no mundo inteiro ao anunciar a aposentadoria das passarelas, aos 34 anos de idade.

 

Com apenas 11 anos, Júlia Selere Mello Freire já trabalha como modelo há uma década e sabe bem que não pode apenas brincar como as meninas da sua idade. “Ela não pode faltar sem motivo na escola, porque quando tem trabalho é obrigada a se ausentar. Além disso, é um investimento que fazemos para o seu futuro. Ela faz RPG, cuida da pele, do cabelo, faz books”, conta a mãe, Sandra Elisa Selere Mello Freire, 48 anos.

 

Além do investimento, de cerca de R$ 500 por mês com os cuidados com a menina, a mãe abandonou a profissão de professora para acompanhar a filha. “Não posso trabalhar porque preciso acompanhá-la nos trabalhos”, diz.

 

Em muitos casos, mães e avós assumem o papel de fazer aflorar o dom para a profissão. É o caso de Victória Steigleder Gomes, 15 anos, modelo há nove meses. A menina só descobriu a paixão pelo mundo fashion após ser muito incentivada pela mãe e pela avó. “Elas sempre falavam, mas eu não me interessava muito. De tanto insistirem, fiz meu primeiro desfile e me apaixonei. Desde então pesquiso muito sobre esse mundo e quero seguir carreira”, conta a garota.

 

Outra mãe que incentivou a filha a seguir a carreira foi a técnica de enfermagem Maria Cristina Giatti, 40. Ela viu um anúncio de um concurso na rodoviária de Rio Preto e resolveu inscrever Narriman Giatti, 13. Isso foi há cinco anos e, desde então, a menina já foi para concursos em São Paulo e recebeu a proposta de três agências. “Eu pensava em ser atriz, mas gosto muito de ser modelo”, diz a menina, que não deixa de lado o estudo nem o brigadeiro. “É a única coisa pela qual não consigo resistir”, brinca.

 

A história de Eduarda Spolador Vila, 13, também é parecida. Ela e a mãe passeavam por um shopping quando viram uma banca de uma agência e resolveram pedir informações. Apesar de todo o investimento na carreira, a família, assim como as das outras meninas, não deixa a educação de lado. “Investimos nos cuidados que ela precisa para ser modelo, mas também investimos na educação dela”, diz a mãe Rosalina Aparecida Spolador, 50.

 

Eduarda já sabe que faculdade quer cursar, caso não continue na carreira de modelo. “Se não for modelo, gostaria de ser veterinária”.

 

E lá se foi o cabelão 

Leslye Vitória Estabile, 13, tentou durante um ano, sem sucesso, trabalhar como modelo. Agora que conseguiu a oportunidade, abriu mão até do cabelão cultivado com todo esmero ao longo de anos. “Tive que cortar porque estava abaixo do bumbum e o pessoal da agência falou que não estava bonito. Mandei a cabeleireira passar a tesoura rápido. Sinto falta do cabelão, mas valeu a pena para conseguir alcançar meu sonho”, diz.

 

Desde pequena Maria Eduarda Forte Capobianco, 12, desfilava pela casa e dizia que seria modelo como Gisele Bündchen. “Eu me inspirava nela e sempre gostei muito de salto”, conta. Segundo a mãe, a funcionária pública Cleuza Forte Capobianco, 40, a família toda sempre incentivou. “Eu sei que é uma carreira complicada. Tem muito invetimento. Ela faz natação, alongamento, tem cuidados especiais com a alimentação e a pele. Mas eu incentivo e estou sempre junto nos trabalhos”, afirma.

 

Decidida 

Lorena Alves Segati, 11 anos, é decidida. Com dez anos decidiu se inscrever em um concurso de miss da escola de reforço em que estudava, escondido da mãe. “Só contei quando fui selecionada. Ela me apoiou muito, gastou quase R$ 1 mil em tecidos e acessórios para minha vó fazer um vestido bem bonito. E valeu à pena, eu ganhei”, conta orgulhosa.

 

Quando Lívia Maria Terra de Souza, 10, disse para a mãe que queria ser modelo, foi uma surpresa. “Ela tem problemas de autoestima, nunca se achou bonita, sempre se achou magra demais”, conta a fisioterapeuta Alessandra Terra Pereira de Souza, 42. Mesmo apreensiva, a menina se inscreveu em um concurso. “Sempre fui fotogênica e gostei de fotos, mas eu fiquei com muito medo porque nunca fui muito confiante”, diz a menina.

 

Agora, há seis meses na nova “profissão”, as mudanças são visíveis. “Mudou a consciência corporal dela, a postura, as noções de etiqueta. Enquanto ela estiver se divertindo, a gente apoia”, conclui a mãe.

 

Já, para a mãe de Julia Barbarelli, 16, a vontade da filha em se tornar modelo reavivou um sonho antigo. “Quando ela era bebê eu queria agenciá-la, porque ela já era ruivinha, cheia de cachinhos, linda. Mas o pai dela não quis, então, quando ela disse que queria fiquei muito feliz”, conta Alana Eloísa Collos, 35.

 

Julia começou a carreira em um concurso na escola e conta que o mais difícil, para ela é ter que ir à academia. A mãe já percebeu mudanças no comportamento da filha. “O crescimento dela é visível. Aumentou a desenvoltura, está menos inibida e está mais vaidosa, se cuida mais. A autoestima dela melhorou bastante”, diz.

 

É preciso um algo a mais

Sidiney Moura, diretor de agência de modelos André Pereira Models, explica que os requisitos para ser modelo, hoje em dia, são diferentes. “Não basta mais ter um olho bonito ou altura, Tem que ter essência. Além de ser bonita, tem que ter algo a mais”, explica.

 

Além de não poderem abandonar os estudos, as jovens agora só podem ser levadas pelas agências para São Paulo a partir dos 16 anos. “Com tantos cuidados garantidos pela legislação, hoje é mais difícil quebrar a cara”, afirma Moura. Ainda, segundo ele, desde cedo essas meninas já são conscientizadas de que não é uma brincadeira.

 

“Muitas vêm porque é o sonho da mãe e, quando descobrem que não é uma brincadeira, acabam abandonando a profissão. Não é brincadeira, tem muita responsabilidade. Tem, sim, o glamour que a mídia mostra, mas tem também muito sacrifício. Infelizmente, muitas acabam abandonando também por gravidez na adolescência ou por algum namorado que não aceita. É uma carreira muito boa, mas também difícil”, conclui.

 

Assim, o consolo após aposentadoria da nossa beldade planetária é que, no Brasil, a terra em que nasceu Gisele, outras Giseles lutam por um lugar ao sol...

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