Diário da Região

09/09/2017 - 19h36min

Roubo de Veículos

Cadê o carro que estava aqui?

Roubo de Veículos

Guilherme Baffi Avenida Mirassolândia, na região norte de Rio Preto, uma das áreas de destaque no ranking
Avenida Mirassolândia, na região norte de Rio Preto, uma das áreas de destaque no ranking

Avenida Mirassolândia é campeã no ranking

A cada 11 dias um veículo é roubado ou furtado na avenida Mirassolândia, na zona Norte. A avenida é a campeã desse tipo de crime em Rio Preto, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Nos seis primeiros meses deste ano, foram subtraídos 16 automóveis ou motocicletas. O levantamento da SSP revela no mapa da cidade os pontos preferidos da criminalidade quando o assunto é furto ou roubo de automóveis. De acordo com os dados, apesar da avenida Mirassolândia ter sido a líder, esse tipo de crime esta disseminado pela cidade. Nos primeiros seis meses deste ano, 789 veículos foram levados por bandidos.

No segundo lugar do ranking está a avenida Murchid Homsi, com 12 registros. Em terceiro vem a avenida Danilo Galeazzi, com 11 casos. A rua General Glicério, com 10 ocorrências, completa os quatro principais locais que são alvos dos ladrões de carros e motocicletas. Esses quatro locais possuem grande concentração de bares, empresas e estabelecimentos comerciais, além de hospital, portanto grande fluxo e concentração de veículos. De acordo com a polícia, esses pontos são preferidos pela criminalidade porque o motorista ou deixa o carro estacionado o dia todo no mesmo local ou o veículo fica em pontos ermos durante a noite, longe da vista do proprietário.

Em janeiro deste ano, o marceneiro Murilo Augusto da Silva, 25 anos, teve a moto furtada na avenida Mirassolândia. Ele foi praticar exercícios em uma academia e estacionou a sua CG 150 ao lado do estabelecimento. Quanto voltou, aproximadamente uma hora depois, notou que a motocicleta havia sido levada. “Sempre deixei na minha vista. Aquele dia, o tempo estava meio chuvoso e não tinha vaga em frente, por isso tive de parar longe da minha visão. Tranquei o guidão, mas, mesmo assim, quando voltei a moto não estava mais lá. A academia não tinha câmera, ninguém viu. Nunca mais acharam”, disse. Para não ficar a pé, ele comprou uma Honda Bis.

“Comprei a Bis porque é menos visada, difícil de roubar. Mesmo assim coloquei trava e alarme nela”, afirmou. Também na avenida Mirassolândia, a vendedora Karolaine Helena Vieira da Silva, 19 anos, ficou sem sua motocicleta. O crime foi em fevereiro deste ano, por volta das 19h. A vítima relata que parou no estacionamento de um supermercado e quando retornou, meia hora depois, constatou o furto. Não fazia nem dois meses que ela tinha comprado a motocicleta. “Tinha comprado do meu pai. Dei um dinheiro para ele e ia pagar o restante por mês. Finalmente tinha deixado de andar de ônibus. Agora tive de voltar a usar o transporte coletivo. A polícia não achou mais a minha motocicleta”, disse.

 

Murilo Augusto - 10092017 Murilo Augusto teve sua moto furtada na avenida Mirassolândia quando estava em uma academia; ele teve que comprar uma Bis para não ficar a pé

PM planeja ações com base nas ocorrências

O coronel Rogério Xavier, comandante do CPI-5 em Rio Preto, afirmou que as avenidas e ruas onde tiveram o maior número de furtos e roubos de veículos são consideradas grandes corredores de trânsito em Rio Preto, com significativo fluxo de pessoas e veículos que circulam na busca dos mais diversos serviços públicos e privados que a cidade oferece, além de acesso às áreas de lazer e às universidades, por isso são alvos da criminalidade. Ainda de acordo com o coronel, a Polícia Militar analisa os casos para planejar e direcionar os esforços policiais do patrulhamento preventivo motorizado, “bem como promove as concentrações de recursos humanos e materiais (Operações Policias) para os locais com maior incidência”.

Segundo o comandante, por conta desse planejamento, foi possível diminuir em cerca de 20% os casos de furto e roubo de veículos em Rio Preto, comparando o primeiro semestre de 2016 com o mesmo período do ano anterior. “Importante ainda esclarecer que há uma curva de tendência em declínio para os primeiros meses deste segundo semestre. Destaco ainda que aproximadamente 50% dos veículos subtraídos na cidade foram recuperados pela Polícia Militar”, disse Xavier.

Ocasião

O delegado Raimundo Cortizzo, do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-5), afirma que a criminalidade procura locais nos quais os carros fiquem estacionados na rua por um longo período ou onde há baixa iluminação, portanto, segundo ele, esses índices variam. “Não dá para dizer que sempre são essas avenidas. Isso muda conforme o período. Geralmente esses tipos de crime ocorrem em bairros que têm hospitais e faculdades, além de locais com menos vigilância”, disse.

 

Carros 01 - 10092017 Gols, quanto mais antigos, mais visados pela facilidade para o furto

Gol e Uno são os mais furtados em Rio Preto

Os carros mais visados para furto em Rio Preto reúnem duas vantagens para criminosos: facilidade de abrir sem a chave e alta procura por peças que estão escassas no mercado de autopeças. Já os mais roubados são de luxo, como caminhonetes Hilux e S-10. De acordo com policiais ouvidos pelo Diário, os carros Gol e Uno, modelos anteriores a 1990, são os mais furtados em Rio Preto. Esses carros são mais fáceis de serem abertos sem a chave e a maioria não possui dispositivos de segurança.

Outra vantagem para o criminoso é que peças para esses tipos de carros não são tão fáceis de achar como nos modelos mais novos. “Esses são mais fáceis. Os caras abrem com uma chave mixa. São carros que têm mercado para venda de peças”, afirmou o investigador Marcos Rogério Campos, chefe dos investigadores da Polícia Civil na região de Rio Preto. O delegado André Balura, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto, afirma que historicamente os carros mais furtados em Rio Preto são os mais antigos e sem dispositivos de segurança.

“Hoje, um carro zero quilômetro normalmente vem com alarme, chave com chip de segurança, itens que dificultam um furto. Já os carros mais antigos não têm essa segurança”, afirma. Ainda de acordo com o delegado, esses carros mais antigos são mais lucrativos para a criminalidade. “São veículos que não têm muita peça para reposição, então furtam para desmanchar e vender as peças. Os furtos, geralmente, são cometidos em locais onde o carro fica muito tempo parado”, disse.

 

Carros 02 - 10092017 As peças são a motivação dos furtos de carros como o Uno

Roubos

Já em relação aos roubos, os policiais afirmam que não existe preferência por parte da criminalidade, mas que, no geral, são carros de luxo, como as caminhonetes Hilux e S-10, modelos movidos à diesel. “A ocasião faz o ladrão. No caso de roubo, não dá para dizer quais são os mais visados”, disse Balura.

Preço do seguro

A pedido do Diário, uma corretora cotou o seguro de um veículo popular e o resultado mostrou que o preço final pode variar até R$ 150 de acordo com o bairro de Rio Preto onde o veículo pernoita. A simulação foi feita baseada em um Pálio, ano 2001, com condutor do sexo masculino, casado e de 38 anos de idade. O Diário não vai divulgar os nomes das empresas de seguro consultadas porque o preço varia conforme outros detalhes informados durante a cotação do seguro, como histórico do segurado, entre outras coisas.

Na cotação simples, feita com os dados fornecidos, um morador do bairro João Paulo 2º ou Santo Antônio pagaria R$ 1.545 por um ano de seguro do automóvel. A mesma cotação para um morador do condomínio Damha 2 ou bairro Cidade Jardim mostra que o preço cai para R$ 1.424. Os valores também mudam para cidades da vizinhança, como Mirassol e Bady Bassitt. Para um morador de Bady Bassitt, o valor fica em R$ 1.542. Já no caso de um habitante de Mirassol, a quantia sobe para R$ 1.688. Todas as cotações foram feitas usando as mesmas informações.

 

Arte - Furtos de Veículos - 10092017 clique na imagem para ampliar

Polícia orienta sobre cuidados

Para diminuir os riscos de ter o carro furtado, a Polícia Militar orienta os proprietários para que nunca deixem objetos, bolsas, carteiras, documentos e mochilas expostos no interior dos carros, ainda que por curto período de tempo, para não chamar a atenção de oportunistas. “Muitos veículos são furtados para a subtração dos objetos que estão no seu interior”, afirmou o coronel Rogério Xavier.

A Polícia Militar também orienta o proprietário a instalar dispositivos de segurança, como alarmes, travas e sistema corta-combustível, para dificultar a ação de ladrões, além de não deixar as chaves no contato ou sobre os bancos, vidros abertos ou semiabertos. “Observa-se que os estacionamentos regulares possuem um seguro contra furto, em favor dos proprietários de veículos, sendo esta uma opção recomendada, especialmente quando os donos dos carros tiverem que permanecer grandes períodos de tempo sem contato visual ou distantes do seu veículo”, disse Xavier.

Ainda de acordo com o coronel, foi observado pela PM que nas proximidades dos hospitais de Rio Preto muitas pessoas vindas das pequenas e pacatas cidades vizinhas acabam tendo maior preocupação com o doente e esquecem da cautela com o veículo. 

 

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