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Hamilton Pavam/Arquivo Unidade de tratamento anaerónio da ETE de Rio Preto: 10% do esgoto vai para o rio
Unidade de tratamento anaerónio da ETE de Rio Preto: 10% do esgoto vai para o rio

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) despeja diariamente no rio Preto o equivalente ao esgoto in natura de uma cidade com 50 mil habitantes. A afirmação é da Agência Nacional de Águas (ANA), com base em levantamentos da Sabesp e na média de eficácia do modelo de tratamento adotado pelo Semae. Segundo a ANA, apesar de Rio Preto captar 100% do esgoto, o processo deixa de purificar 10% da água suja, que é desaguada no rio Preto, próximo de Ipiguá.

“Rio Preto é destaque nacional por tratar 100% do esgoto, mas ainda não consegue retirar toda poluição da água. Acaba sobrando uma grande quantidade que vai para o rio Preto, o que impede que lá existam peixes e que o rio possa ser usado para nadar ou reaproveitamento imediato da água para consumo humano”, afirmou Wagner Martins Cunha Vilella, coordenador de planos de recursos hídricos da ANA. Ele participou, nesta quinta-feira, dia 3, da reunião de elaboração do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Grande, realizada na sede do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), em Rio Preto.

Vilella recomenda a adoção do sistema terciário de tratamento de esgoto, quando são removidos poluentes específicos como os micronutrientes (fósforo e nitrogênio), por meio do uso do cloro, ozônio e radiação ultravioleta. O sistema é três vezes mais caro ao que é adotado pelo Semae. Ele é utilizado no Distrito Federal. A água que passa pelo tratamento deságua no lago Paranoá, ponto turístico e de esportes aquáticos da capital federal.

 

Arte - ETE de Rio Preto - 05082017 clique na imagem para ampliar

Reúso

De acordo com o representante da ANA, existe a alternativa de fazer o reúso da água, direcionando-a apenas para utilização agrícola, como na irrigação de plantações. “A ETE joga diariamente um volume de água bem acima do que corre no rio Preto, o que aumenta a quantidade de poluição”, diz o coordenador. Segundo Vilella, para piorar, os poluentes que ainda saem da ETE não dispersam facilmente porque é baixa a taxa de diluição do rio Preto, que tem volume de água insuficiente para dispersão dos poluentes.

Outro lado

Presente na reunião, o prefeito Edinho Araújo admitiu a necessidade de investimento no sistema terciário de tratamento de esgoto da ETE para devolver a água mais limpa para o rio Preto, mas não dá prazo para começar a resolver o problema. “A água que sai depois do esgoto tratado não é uma água 100%. Não tenho orçamento (para implantar o sistema terciário), porque este tema ainda não está na nossa ordem do dia,” disse o prefeito, completando que o padrão exigido pela ANA só é adotado nos países desenvolvidos.

Por meio de nota, o Semae rebateu as afirmações da agência, dizendo que o índice de purificação da água de esgoto varia de 96% a 98%, e garante a existência de peixes, mas a autarquia admite que o líquido não é adequado para consumo. No dia 14 de julho, Edinho assinou autorização para o início das obras de ampliação da ETE. Serão liberados cerca de R$ 45 milhões para a obra, dos quais R$ 27 milhões só em novos interceptores, além da construção de uma estação para receber o esgoto do distrito de Talhado. Os recursos são do governo federal.

Ideal é repensar uso da água

Para o professor de biologia da Unesp Arif Cais, o ideal é a cidade passar a repensar o uso racional da água, para reduzir o volume que passa por tratamento de esgoto e assim resultar em menos poluição. Segundo Cais, é preciso fazer acompanhamento ao longo de um ano para se ter a real qualidade do tratamento de esgoto. Com base no resultado deste estudo, fazer o aprimoramento do sistema. Para ajudar no aprimoramento do tratamento de esgoto, a ANA tem R$ 300 milhões para os próximos 10 anos. 

Para obter a verba, a Prefeitura precisa apresentar o projeto no comitê da Bacia do Rio Grande para aprimoramento do tratamento de esgoto. O professor não concorda com a afirmação do coordenador da Agência Nacional de Águas, Wagner Vilella, sobre a existência de peixes. “Concordo que a água que sai da estação de tratamento de esgoto não é adequada para beber e é inapropriada para nadar, mas mesmo nestas condições tem peixes”, comenta o acadêmico.

 

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