Diário da Região

09/07/2017 - 00h00min

É MENINO OU MENINA?

Casais retornam à época dos avós e esperam bebê nascer para saber sexo da criança

É MENINO OU MENINA?

Regiane Pavan/Divulgação Michele Borges decidiu não saber o gênero do bebê a pedido do marido Rodrigo
Michele Borges decidiu não saber o gênero do bebê a pedido do marido Rodrigo

Em tempos em que é possível descobrir o sexo da criança com apenas oito semanas de gestação, de ultrassom 3D e até 4D, de um mercado preparado para atender as expectativas mais “malucas” das mamães, ainda existem casais que desejam vivenciar um momento especial e descobrir o gênero do bebê só na hora do nascimento. É o gostinho da surpresa dos velhos tempos, quando não havia tecnologia para “antecipar” o grande momento.

Ainda é uma minoria, mas esperar o momento do nascimento para saber se é menino ou menina é a decisão de algumas mães. Entre as razões para esse comportamento, casais alegam que diminui a ansiedade, mas a principal mesmo é a surpresa do momento. Essa história que grávida tem sexto sentido e sabe o sexo do bebê que carrega não se aplica à executiva de vendas Fábia Azanha Peitl Miranda, 34 anos. Ela está de 18 semanas, quase cinco meses, e diz não ter a menor ideia se o segundo filho será menino ou menina.

“Tenho certeza que vai ser muito mais legal descobrir na hora do nascimento. Também pretendo ter parto normal, e isso vai dar um toque a mais. Vai ser o nosso presente”, diz. A decisão por esperar é dela e do marido, o técnico em informática Mário, 33 anos. No caso da primeira filha, Ayla, de dois anos e meio, também era uma opção não saber o sexo antes, mas o casal acabou cedendo aos apelos de familiares e amigos. Em um chá de revelação, os pais souberam por uma amiga que viria uma menininha.

Sobre o nome que será dado ao novo bebê, Fábia diz que a cada dia a lista muda e nenhum foi definido. “Na primeira gravidez, depois de saber que seria menina, tinha escolhido Maria Alice, mas todos falaram tanto e eu também, que enjoei do nome e mudei para Ayla”, conta. Segundo a executiva, entre as pessoas mais velhas, a decisão do casal é “bem” vista e apoiada. Já entre os mais jovens, a ansiedade predomina. 

“Eles dizem que não aguentariam aguardar os nove meses, querem fazer um chá de bebê, mas falam que não dá por não saberem o sexo e dão opiniões também para que eu desistir da espera. Como eu e meu marido estamos apoiados um no outro, descarto”, conta. Fábia mostra um comportamento que parece ser próprio dos casais que tomam essa decisão: nada de ir às compras desesperadamente. Ela tem utensílios e roupas que foram usados por Ayla e que vão atender às necessidades do bebê pelos primeiros dois meses.

“Teremos que comprar poucas coisas no começo, sei também que vamos ganhar presentes depois que o bebê nascer, estou bem confortável com isso”, diz. A analista de sistemas Michele Martinez Siqueira Borges, 28, é mãe de primeira viagem. Entrou na 33ª semana de gestação e, no último ultrassom que fez, pediu para o médico desligar a TV para não saber o sexo da criança. A opção partiu do marido, o funcionário público Rodrigo, 35 anos.

“Desde o começo, quando falamos em ser pais, ele disse que não queria saber o sexo antes. Eu achei bem legal e está muito tranquilo, sem ansiedades”, afirma. Michele também pretende ter parto normal e procurou um ginecologista e obstetra que é especialista em parto humanizado em Rio Preto. “Eu sempre desejei ser pai, porém nunca tive uma preferência sobre o sexo. A sensação de saber somente na hora do parto vai ser uma única e magnífica”, diz Rodrigo.

Segundo ele, a pressão de amigos e familiares é menor já que não há a identificação do sexo. “O que importa para todos é que venha com saúde e seja feliz”, diz. Michele preparou o enxoval do bebê para apenas um mês. As cores são unissex, como branco e amarelo, e a decoração do quarto está neutra. “Deixamos uma parede para decorar depois que o bebê nascer”, conta. Para Michele, o fato de o gênero ser desconhecido, evitou gastos desnecessários. 

“Não compramos um mundo de roupas, o enxoval é para durar um mês, mas é difícil encontrar roupinhas e acessórios neutros, na maioria das lojas os produtos são rosa ou azul”, diz. O quarto do bebê foi montado em bege e branco. O berço usado por Michele quando criança será também o do bebê. Ursinhos e bichinhos de pelúcia que fizeram parte da vida do casal, quando crianças, são parte da decoração.

“O foco desejado por nós é simplesmente que venha um bebê saudável para ser amado e criado com o que pudermos oferecer de melhor, de forma íntegra e abençoada”, afirma Rodrigo. No caso de menina, o casal escolheu o nome de Nathalie, mas se for menino, o nome pode também ficar para a hora do nascimento. “Estamos em dúvida, talvez seja Ian”, diz Michele.

 

Marcela Francellino - 09072017 Marcela Francellino queria descobrir o sexo o quanto antes

Esperar? De jeito nenhum

A ansiedade em saber se vai ser mãe de um menininho ou de uma menininha fez a supervisora de estúdio fotográfico Marcela Thomazine Francellino, 34 anos, decidir primeiro por fazer o exame de sexagem fetal, que garante 99% de certeza a partir da 8ª semana de gestação. Grávida de 16 semanas, ela já tinha feito três exames de ultrassom, mas não havia como confirmar o sexo. Quando descobriu que teria de esperar 12 dias pelo resultado do teste de sexagem, partiu para o quarto ultrassom, na quinta-feira, dia 6. 

“É menino, vai chamar Álvaro”, mandou mensagem para a reportagem com a imagem do exame. “A minha próxima consulta com o meu médico é só no fim do mês, o ultrassom ficaria para agosto, não aguentaria esperar tudo isso, estou muito ansiosa”, diz. Marcela está na segunda gravidez, a primeira ela perdeu em dezembro, antes de completar três meses. Diz que essa é uma das razões para se sentir tão ansiosa em relação ao sexo do bebê.

“A cada ultrassom é bom, é lindo, mas também dá uma sensação ruim, de medo, de frio na barriga. Esperei completar 12 semanas para contar para todos sobre a minha gravidez e agora quero revelar o sexo do meu bebê”, diz. A decisão de saber antecipadamente também é para que possa preparar a casa para a nova vida que vai chegar. “Quero deixar o quarto preparado, as paredes, decoração, tudo arrumado para meu filho. Minha decoradora estava esperando só eu saber o sexo para poder preparar o chá de bebê.”

 

Ana Paula e Renato - 09072017 Ana Paula e o marido Renato aguardam ansiosos a chegada do bebê

Ana Paula não está idealizando nada

Nem o chá de bebê nem o de revelação do sexo. A atendente Ana Paula Correa Marques, 29 anos, pretende fazer apenas um chá de fraudas na empresa onde trabalha. É que ela também optou – contra a vontade de todos – por não saber o sexo do bebê. Ela está grávida de seis meses. “Minha família inteira quer saber. Meu marido está numa ansiedade que não se aguenta, mas eu estou muito tranquila”, diz.

Ana Paula é formada em enfermagem e fez estágio durante oito meses em centro cirúrgico e na área da obstetrícia. Vem dessa época a decisão pelo parto normal e pelo desconhecimento do sexo da criança. Mas Ana está sob forte pressão da família que não se mostra disposta a esperar mais quase quatro meses. “Eles estão desesperados, mas eu acho maravilhoso pensar no meu bebê, o amor que sinto por ele, de sentir ele dentro de mim e isso não depende do sexo”, diz.

Para o “desgosto” ainda maior dos familiares, no último ultrassom que Ana Paula fez, o bebê estava com as pernas cruzadas e realmente não dava para saber o gênero. “Minha mãe falou para o médico contar só para ela, mas não deu para ver nada”, conta e ri. A atendente ainda não comprou nada do enxoval e pretende que seja básico, pelo menos no início. “Conforme forem surgindo as necessidades, compraremos as coisas para o nosso filho, sem ansiedade ou precipitações”, diz. 

“Não estou idealizando nada, pensando em como vai ser o cabelo, a cor dos olhos, nada. O que eu quero é sentir o cheiro, poder abraçar o meu bebê. Dizem que coração de mãe fala, se o meu está falando, eu estou surda”, completa. O marido Renato, 42, admite que está “subindo” pelas paredes de tanta ansiedade, mas decidiu apoiar a decisão da mulher. “É tenso esperar, mas estamos juntos nessa. O importante é que a Ana possa curtir cada segundo da gravidez”, diz.

 

Fábia Miranda - 09072017 Além de não querer saber, Fábia Miranda, de 18 semanas, diz não ter intuição sobre o sexo

Elas não cederam aos ‘apelos’

“Depois de 23 anos, Deus me presenteou com uma princesa”, diz a vigilante Rosemary Amaro de Araújo, 42. É que ela já tem o filho Rubens e há 43 dias nasceu a Ana Luiza. Na primeira gestação, ela só soube do sexo do bebê quando estava de 8 meses. “O médico deixou escapar”. Nessa, decidiu não saber de jeito nenhum. “Eu só descobri que estava grávida com quase quatro meses. Eu e meu marido concordamos em não saber o sexo do bebê, assim ficou mais tranquilo”, conta.

Amigas decidiram fazer um chá de bebê para Rosemary e a decoração foi toda em branco e amarelo. Os presentinhos também seguiram as cores neutras. “Eu não queria saber o sexo, mas a pressão das pessoas em cima de mim foi muito grande e chegou a irritar”, diz. Rosemary conta que deixou tudo para a última hora e não fez muitas compras, só o necessário. “Sabia que os familiares e amigos dariam presentes. A Ana Luiza nasceu no sábado e na segunda-feira já tinha lençolzinho rosinha e outros itens e peças que ela ganhou.”

Como fez cesariana, a vigilante só soube do sexo da bebê quando a anestesista perguntou. “Eu disse que não sabia, ela correu na salinha para onde os bebês são levados logo após o nascimento, voltou e me falou que era menina. Mas o meu amor já era imenso, não cabia mais em mim, e só esperava para poder pegar minha filha no colo”, recorda. A artista Michelle Zulian, 28, é mãe de Huana, 5, e Agatha, 3, e também não quis saber o sexo das filhas antes do nascimento. Para ela, é uma exigência social saber antes o gênero da criança. 

“As pessoas ficavam me perguntando muito e isso me incomodava porque não deixavam eu viver a minha gravidez de forma natural. Depois que viram que eu não cederia, desistiram”, conta. Ela diz que não considera rosa cor de menina e azul de menino e que segue o que as filhas querem. “Não dá para criar preconceito com as cores e menos ainda descartar as diversas cores que temos e podemos desfrutar. Nada pode ser proibido”, afirma. O nome da primeira filha foi escolhido antes, mas Agatha só veio depois que a bebê já havia nascido. “Foram alguns dias até decidirmos”, conta.

 

Arte - Grávida - 09072017 clique na imagem para ampliar

Bebês precisam de pouco

O mercado está preparado para atender as maiores extravagâncias que se possa imaginar em termos de consumo das mamães. Mas, na verdade, os bebês precisam de pouco. Segundo a coordenadora do curso para gestantes Beabá Bebê, a enfermeira Gabriela Cristina Ottoboni Alves, muito do que está nas listas disponíveis nas lojas especializadas nunca será usado. “A gestante que escolhe saber o sexo da criança quando nasce, acaba economizando com coisas que ela realmente não vai precisar”, diz.

Entre os itens estão talco, shampoo, óleos, cremes e hidratantes. “Nos primeiros meses de vida, o bebê só vai usar sabonete de glicerina e a roupa tem de ser lavada com sabão de coco. A pele do bebê é muito sensível. Mesmo o perfume dos pais pode causar alergia no bebê”, explica. Lenços umedecidos, ensina Gabriela, só devem ser usados em casos em que não seja possível limpar o bebê com água morna e algodão, e depois passar o creme contra assadura .

“Se for sair, não tem problema, mas, no dia a dia, o ideal é o algodãozinho”, diz. Ela chama a atenção ainda para as roupas. Diz que quanto mais simples, mais cômodas serão. “Os babados ficam lindos para fotos, mas, tirou a foto, o melhor é deixar a criança com uma roupa bem confortável”, diz. Mas opções não faltam para quem deseja criar um universo infantil em casa. Segundo a empresária Rosana Jardini, além de roupas e calçados, os acessórios garantem esse diferencial.

“Os pais podem ter desde um porta primeiro dentinho até um porta-retratos que vem com uma espojinha de carbono para marcar os pés e as mãos do bebê recém-nascido. É um produto 100% antialérgico”, explica. A empresária diz que os produtos neutros, que servem para ambos os sexos, são mais procurados por gestantes que ainda não sabem o sexo do bebê e querem contar para a família de uma forma “especial”. “O rosa e o azul ainda predominam, mas cores neutras também saem principalmente quando se trata de presentes”, afirma.

 

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