Diário da Região

12/07/2017 - 00h00min

Mil vítimas do trânsito

Acidentes na região matam 1.012 em dois anos e meio

Mil vítimas do trânsito

Guilherme Baffi Solange e Noêmia, irmã e mãe de Everton, uma das vítimas do trânsito: quarto dele continua intacto
Solange e Noêmia, irmã e mãe de Everton, uma das vítimas do trânsito: quarto dele continua intacto

De janeiro de 2015 a maio deste ano, a região de Rio Preto registrou 1.012 mortes no trânsito - média de mais de uma morte por dia. Só neste ano, foram 168 óbitos, 36 deles apenas em Rio Preto. A maioria das vítimas é homem e jovem. Os registros envolvem pedestres, ciclistas e condutores de carro, moto, ônibus e caminhões. Os dados são do Infosiga, levantamento feito pelo governo do Estado de São Paulo com base em registros policiais que contabiliza a quantidade de óbitos em ruas, avenidas, estradas e rodovias.

Uma dessas vítimas é Everton Sílvio Marquetto, guincheiro de 39 anos que deixou um filho de sete. Ele trabalhava na guincho, que estava estacionado no acostamento da rodovia Washington Luís, em Rio Preto, quando foi atingido por uma mulher embriagada na madrugada de 15 de janeiro de 2017. A auxiliar de farmácia de 36 anos estaria em alta velocidade e a embriaguez foi comprovada por bafômetro. Ela atropelou o homem, subiu na rampa do caminhão e capotou seu carro. 

O corpo dele foi arremessado a vários metros do local, e Everton morreu no local. A mulher foi presa na época, mas agora, segundo a família da vítima, responde ao processo em liberdade. Os homens são a maioria das vítimas dos acidentes fatais na região – desde 2015, foram 771 mortes entre eles, ante 201 mulheres. Não há especificação sobre o gênero das outras 40 pessoas. A saudade não abandona Solange Aparecida Marquetto, auxiliar administrativa de 44 anos, irmã de Everton. 

Ela teve que pedir demissão do trabalho após a morte dele, pois não aguentava chegar perto do local do acidente. “O que ela (motorista) fez no local não tem explicação. Pista dupla, local plano, estava sinalizado. Ele faz falta de todos os jeitos, era meu único irmão. Agora não tem mais”, afirma. A família manteve o quarto do guincheiro, que morava com a mãe, Noêmia Pagotto Marquetto, aposentada de 64 anos, intocado. “Sábado vão se completar seis meses e cada dia fica pior”, fala Solange.

A recepcionista e cabeleireira Ana Paula Pezinni, à época com 30 anos, morreu no Natal de 2015. No dia anterior, ela trafegava com uma Honda Biz pela avenida Silvio Della Roveri, em Rio Preto, quando no cruzamento com a avenida Sebastião Tavares da Silva foi atingida pelo motorista de um carro que não respeitou a sinalização de “pare”. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital de Base. Ela teve os órgãos doados e deixou duas filhas, hoje com dez e seis anos.

 

Arte - Morte no trânsito - 12072017 clique na imagem para ampliar

“Faz falta em tudo, para essas meninas principalmente. Cuidava das meninas, levava meu tio que tem 86 anos para o médico, buscava meu filho duas, três horas da manhã na rodovia. Não tem o que falar daquela menina”, lamenta Vilma Terezinha Venturim Girotto, auxiliar de limpeza de 57 anos, sogra de Ana Paula. Os jovens representam a maior parcela de mortes no trânsito. Somando as faixas de idade entre 18 e 24 anos e 25 a 29 anos, foram 257 óbitos em dois anos e cinco meses. Idosos – pessoas com 60 anos ou mais – somaram 218 mortes.

Poder público deve liderar mudança

Jose Bernardes Felex, engenheiro especialista em trânsito da USP, diz que quem pode liderar uma mudança de comportamento no trânsito é o poder público. “Compete a ele tomar as providências para que a gente tenha um trânsito mais humano. Começa na educação, na escola primária, termina na cultura nossa do dia a dia”, considera. O especialista afirma que o transporte coletivo está piorando, o número de motos é crescente, a frota está envelhecendo e os veículos estão sem manutenção.

“Todos esses fatores mostram que a gente tem um aumento muito grande no risco de estar nas ruas brasileiras”, fala. Segundo Felex, campanhas e sinalização ajudam, mas o trânsito só vai melhorar quando isso for uma vontade cultural. O inspetor Daniel Mataragi Filho, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), diz que a PRF faz fiscalizações rotineiras para coibir as infrações mais recorrentes: ultrapassagem em local proibido, excesso de velocidade e alcoolemia. “A gente trabalha que de 40% a 50% dos acidentes poderiam ser evitados com melhor condução”, afirma.

A Polícia Militar, que atende as ocorrências de acidentes dentro do perímetro urbano, considera que a maioria das mortes no trânsito é consequência do desrespeito às normas por pelo menos uma das partes envolvidas no acidente. “A PM atua repressivamente, fiscalizando e autuando os condutores infratores, seja em fiscalizações aleatórias ou mesmo em operações específicas, bem como atua preventivamente orientando os cidadãos em espaços concedidos pela mídia”, afirmou a Corporação em nota. A Polícia Rodoviária Estadual foi procurada, mas não respondeu ao e-mail. 

 

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