Diário da Região

19/09/2017 - 00h00min

SAÚDE

Governo estuda tirar insulina de programa

SAÚDE

Mara Sousa 18/9/2017 Com diabetes tipo 1, Maria Angélica pega dois tipos de insulina nas farmácias credenciadas no programa
Com diabetes tipo 1, Maria Angélica pega dois tipos de insulina nas farmácias credenciadas no programa

O Ministério da Saúde (MS) está estudando retirar a insulina do programa Aqui Tem Farmácia Popular. Em Rio Preto, isso afetaria milhares de pacientes que em 2016 pegaram 99.306 doses de 100 mililitros do medicamento injetável contra diabetes nos estabelecimentos do município. São dois tipos, o regular e o NPH. Se isso acontecer, a entrega acontecerá apenas na rede básica de saúde. Os dados foram obtidos pelo Diário junto ao governo federal por meio da Lei de Acesso à Informação.

Em 2016 o valor faturado para as doses de insulina nas unidades do Aqui Tem Farmácia Popular de Rio Preto foi de R$ 261,9 mil. Neste ano, os pacientes já pegaram gratuitamente 49.470 doses de 100 mililitros ao custo de R$ 144,3 mil. A rede credenciada do município conta com 146 estabelecimentos e desde 2013 a quantidade de doses retiradas neles só cresceu.

Sob a justificativa que o dinheiro empreendido no programa seria melhor gasto se enviado diretamente aos municípios para aquisição de remédios, o Ministério da Saúde encerrou o programa Farmácia Popular, que funcionava na região em Rio Preto, Barretos e Catanduva. Nesses postos os pacientes podiam pegar medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto. Rio Preto manteve o ponto de distribuição de graça dos remédios, mas apenas para moradores da cidade.

Não havia insulina disponível na cesta do Farmácia Popular. A alternativa era o Aqui Tem, onde a substância pode ser retirada sem custo mediante a apresentação de receita médica da rede pública ou privada e um cadastro da carteira de identidade e CPF. Outros 31 remédios são distribuídos nos estabelecimentos credenciados, 19 deles de forma gratuita para tratamento de hipertensão, diabetes e asma. Para os demais, os descontos chegam a 90%. A rede beneficia no Brasil cerca de 9,8 milhões de pessoas por mês.

Segundo o Ministério da Saúde, o preço pago pela insulina NPH no programa Aqui Tem Farmácia Popular é 152% mais caro que o valor pago pela pasta na compra centralizada para distribuição nas unidades de saúde de todo o país, para abastecer o SUS. Os valores pagos seriam de, respectivamente, R$ 26,55 e R$ 10,50. A pasta acredita que, se toda a distribuição de insulina do país fosse adquirida pelo preço praticado na compra centralizada, a economia poderia chegar a R$ 200 milhões por ano.

A dona de casa Maria Angélica Pereira Lima Belotti, de 51 anos, pega dois tipos de insulina nas farmácias credenciadas do Aqui Tem Farmácia Popular para controlar a diabetes tipo 1. Ela utiliza a insulina regular e a NHP. São três injeções de cada uma por dia. Sem trabalhar há dois anos por causa da neuropatia diabética que causa dores nas mãos e nos pés, gasta R$ 1,1 mil com farmácia todos os meses para tratar desta doença derivada da falta de insulina no sangue e da hipertensão. Os R$ 214,40 que teria que desembolsar caso a substância de controle da diabetes parasse de ser fornecida fariam falta.

“Se eu ficar sem tomar um dia vai para 600, 700 a glicemia, corre o risco de coma diabético”, fala ela, que briga na Justiça para conseguir remédios contra a dor junto ao Estado. “Eu já gasto R$ 1,1 mil na farmácia ganhando as insulinas. Como vou sobreviver depois? Não é só isso. Eu pago aluguel, água, energia, tem que ter comida”, desabafa.

Negociação

O Ministério da Saúde iniciou uma rodada de negociações com a indústria farmacêutica e drogarias para ampliar o acesso aos remédios do Aqui Tem Farmácia Popular. Uma reunião está agendada para esta terça-feira, 19, em que a indústria poderá apresentar suas propostas. Estima-se que 30% do acesso à insulina no Brasil seja feito por meio das farmácias credenciadas no programa.

Questionada pelo Diário, a pasta informou que não há definição sobre se o abastecimento vai ser encerrado não sabendo, portanto, quando isso irá acontecer e que por enquanto o programa segue normalmente.

Medicamento em falta no Estado

A reportagem apurou que está faltando há três meses pelo menos três tipos de insulina distribuídos pelas farmácias de alto custo do Estado de São Paulo: humalog, lantus e novorapid.

A advogada Danielle Camazano, de 33 anos, utiliza há seis a bomba de infusão para tratar a diabetes do tipo um. Ela ingressou em 2011 com uma ação na Justiça para conseguir pelo Estado os itens de que precisa. Segundo Danielle, os medicamentos nunca foram entregues de forma regular e a falta do sensor de glicemia deixou um microaneurisma no olho direito porque o diabetes ficou descontrolado.

“Faz três meses que a insulina está em falta. Tive que fazer a aquisição de maneira particular pedindo ajuda para a família e agora vou tentar ser reembolsada desses valores pelo processo,” diz a advogada.

Por meio de nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) informou que o fornecimento dos medicamentos, insumos e demais itens ocorre conforme a demanda e cronograma de cada paciente. 

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