Diário da Região

02/07/2017 - 00h00min

Cambridge

Fabiano vai para o MIT

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Arquivo Pessoal Fabiano Rocha, 24, está no Chile, atualmente, fazendo intercâmbio
Fabiano Rocha, 24, está no Chile, atualmente, fazendo intercâmbio

Filho do pedreiro Valmir Alves Rocha, 53 anos, e da faxineira Sueli Cardoso da Silva Rocha, 49 anos, Fabiano da Silva Rocha, 24, cursou até o nono ano do Ensino Fundamental em uma escola municipal no bairro Santo Antônio, em Rio Preto. Hoje, faz intercâmbio no Chile e embarca em agosto para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, em Cambridge, nos Estados Unidos. Fará aulas sobre modelos estocásticos, liderança e gerenciamento, análise econômica e inovação e impacto na área de engenharia.

Para isso, lançou uma vaquinha na internet e está organizando um evento para empresas darem treinamento em São Paulo. Fabiano é o primeiro da família a ir para a faculdade e está no terceiro ano de engenharia mecânica aeronáutica no Instituo Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos. A apresentação à matemática foi feita por um dos irmãos mais velhos, Fábio, 26 anos, que foi primeiro para a escola. 

Como a matéria estava na universidade, era para lá que Fabiano queria ir. O principal incentivo foram as Olimpíadas na área. "Para mim, era só uma prova e, em geral, eu ia bem, gostava de estudar. Era muito novo, fui passando nas fases, avançando", lembra. Na competição brasileira de escolas públicas, conquistou um bronze. Na de Rio Preto, foram bronze, duas pratas e um ouro. Depois da oitava série, ele ganhou bolsa para cursar o ensino médio em escola particular. O valor cobria 70% dos custos e a família não poderia arcar com o resto. 

 

Fabiano Rocha 02 - 02072017 Estudante está fazendo uma vaquinha online para as despesas

Incentivado por amigos, foi sozinho até a escola pedir uma chance para a diretora, que se sensibilizou e concedeu a bolsa integral com a condição de que o aluno continuasse a participar das Olimpíadas. Como não tinha dinheiro para o passe, ele prestou uma prova e passou na seleção para um curso de desenho técnico no Senai, que dava as passagens. "Ia de manhã para a escola, minha aula era até 12h40. Saía 12h20 para chegar atrasado no curso técnico", lembra. À noite, seguia para aulas de desenho no Senac.

Desde cedo, há o sonho de ir para o ITA, que surgiu depois que Fabiano descobriu que o astronauta rio-pretense Marcos Pontes era cria do instituto. Quando contou a um professor sua vontade, ele riu. "Foi o primeiro momento que eu me toquei que tinha preconceito na educação. Ao mesmo tempo que machucou me motivou, porque que queria provar que era capaz."

Pesquisando, o estudante viu que várias inovações tecnológicas passaram pelo ITA. "Fui me apaixonando." Descobriu que o cursinho Poliedro, em São José dos Campos e São Paulo, era voltado para a prova do instituto. No dia de seu aniversário de 18 anos, disse para os pais que ia à casa de um amigo e foi sozinho para São Paulo, com os R$ 300 que pai disse que disponibilizaria para o cursinho, fazer a prova para ganhar bolsa.

 

Medalhas de Fabiano - 02072017 Medalhas conquistadas por Fabiano nas Olimpíadas de matemática que durante seus anos de ensino fundamental e médio

Ele conseguiu 65% na capital paulista, só que não seria possível arcar com o restante e as despesas. Tentou transferir o desconto para a unidade de São José dos Campos, onde o custo de vida era menor, mas não conseguiu. Sem alternativas, comprou um celular pós-pago, dívida que teve dificuldade para quitar depois, e começou a ligar em todos os ramais do cursinho, até conseguir conversar com o coordenador. "Ele falou: 'você tem muitas Olimpíadas, mas aqui tem pessoas muito melhores que você, mas, se ligou, está interessado. Vem e te dou a bolsa'", lembra Fabiano.

Em dois dias, ele estava em São José dos Campos com dinheiro para os quatro dias seguintes. Alugou um imóvel com o compromisso de pagar no próximo mês. O pai e os irmãos, Fábio e Wagner Alves Rocha, 30 anos, mandaram dinheiro durante três anos e ele contou com a ajuda de amigos. Passou apertos e pensou em desistir. No terceiro ano, veio a aprovação. Mesmo com o fundamental incompleto, os pais apoiam Fabiano. Seu Valdir tinha medo de que ele ficasse sem emprego, mas hoje tem muito orgulho do filho. A mãe sempre quis "fazer dar certo".

O azulejista Fábio diz que não há como não ter orgulho do irmão e que todo o esforço para ajudá-lo, mandando um dinheiro que pesava no orçamento, valeu a pena. "Ele é bem esforçado. Onde vamos, fazemos propaganda dele", conta. Para os filhos de Fábio, Ana Clara, 5 anos, e Ryan, de 2 anos e meio, o tio virou uma espécie de herói. "Ele dá muita atenção, ensina as coisas. Minha enteada está com cinco anos, fala que quando crescer quer estudar igual ao tio Fabiano. Se tornou exemplo para a família inteira."

 

Arte - MIT - 02072017 Clique na imagem para ampliar

Carreira

Durante as aulas, o ITA proíbe o trabalho porque a faculdade é em tempo integral. Para conseguir dinheiro, Fabiano dava aulas particulares e entrou na Comissão de Estágios e Empregos, o que ajudou a conseguir a vaga no MIT, pois organizou muitos eventos e conseguiu que várias empresas abrissem portas de estágios de férias para alunos dos primeiros anos da faculdade. "A gente subiu de sete para 31 empresas oferecendo estágio de férias. Sugeri um programa de treinamento, Excel, oratória, análise de currículo.

Tinha grandes empresas no ITA dando esse tipo de treinamento", fala Fabiano. Já estudando no ITA, ele também atuou como professor voluntário. O processo seletivo no MIT inclui três cartas de recomendação, prova de inglês, currículo, carta de motivação escrita pelo candidato e histórico escolar. Como o sistema de notas é diferente do Brasil, Fabiano passou um ano fazendo cursos na instituição americana, inclusive com nível de mestrado, para provar que era capacitado.

Como ajudar

Para ir para os Estados Unidos, precisa de R$ 57 mil para despesas. Já conseguiu, por meio do site www.vakinha.com.br, com a campanha "Fabiano no MIT", R$ 23,1 mil. O objetivo é arrecadar R$ 40 mil no portal e mais R$ 15 mil por meio do evento de treinamento empresarial que está organizando em São Paulo. As passagens ganhou de um ex-aluno do ITA.

Os planos de Fabiano são ajudar a família, ajudar o irmão de 17 anos, Guilherme Alves Rocha, e os sobrinhos a entrarem na faculdade e comprar uma casa para os pais. Sonha também em abrir uma empresa de logística aliada à matemática aplicada e inteligência artificial para otimizar o transporte, além de criar uma olimpíada de matemática em São José dos Campos, fazer mestrado e doutorado no MIT e abrir um instituto tecnológico voltado para matemática aplicada em áreas como estatística, recursos humanos e marketing.

 

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