Diário da Região

22/06/2017 - 00h00min

Transplantes de Medula

Europeus salvam vidas em Rio Preto

Transplantes de Medula

Mara Sousa/Arquivo Feliciano: acompanhou todo percurso até a medula chegar ao HB
Feliciano: acompanhou todo percurso até a medula chegar ao HB

Dois transplantes inéditos foram realizados no Hospital de Base de Rio Preto neste ano. Pela primeira vez pacientes do hospital receberam medula óssea de doadores europeus. O metalúrgico Fábio do Amaral Perles, 31 anos, de Catanduva foi um deles. Ele recebeu a medula óssea de um doador europeu. O outro paciente que recebeu uma medula vinda do exterior é L.C.B.S., 50, do Rio Grande do Sul. Em janeiro, quando foi encontrado um doador compatível com Fábio, a pessoa foi chamada até um centro médico e passou por exames para constatar as boas condições de saúde. 

Depois de confirmada que estava apta, a equipe médica do HB foi avisada sobre a possibilidade do transplante. O mesmo foi feito no caso do paciente do Rio Grande do Sul. As coletas foram feitas no exterior e todo o itinerário para que chegassem em segurança no HB foram acompanhadas pelo responsável técnico da Unidade de Transplante de Medula do HB, o hematologista João Victor Piccolo Feliciano. “Sabíamos os voos que o transportador do banco de origem pegaria, o hotel que se hospedaria, todo o cronograma até a medula chegar no hospital”, conta.

Feliciano diz, no entanto, que não pode informar a localidade exata dos doadores, nem mesmo o país. Segundo ele, o sigilo é imposto por questões éticas. As células se mantêm vivas e sem prejuízo por até 48 horas, depois de retiradas do corpo do doador - neste caso, não foi usado o processo de congelamento, que permitiria maior durabilidade do material. “O transplante é bem simples, semelhante a uma transfusão de sangue. A infusão da medula é feita por meio de um cateter colocado na veia do paciente”, diz o especialista.

Ele explica que, diferentemente do transplante de órgãos, no transplante de medula óssea, o paciente não terá de tomar medicamentos pelo resto da vida para evitar a rejeição. Os remédios são mantidos apenas nos primeiros seis meses após o procedimento. “Trocamos o sistema imunológico do paciente. A medula dele é eliminada e trocada por outra.” Não dá dados sobre as chances de cura nesse tipo de transplante. Fatores como idade, o tipo de doença, o estado de saúde do paciente, o tempo que espera até encontrar um doador compatível e até mesmo a falta de vagas em hospitais brasileiros influenciam sobre o resultado. 

“O grande desafio hoje é o desenvolvimento de remédios e outras terapias celulares para evitar que a doença volte e o paciente precise de um novo transplante”, diz. Em 2016, quando o Hospital de Base foi credenciado pelo Ministério da Saúde para fazer o transplante de medula óssea, foram realizados 52 procedimentos em Rio Preto. Este ano, até maio, foram mais 32 transplantes. A expectativa é fechar junho com mais cinco procedimentos feitos.

O HB não tem fila de espera por esse tipo de transplante e por isso recebe pacientes de outros estados, mas há pacientes que mesmo depois de ter encontrado um doador compatível, necessitam aguardar meses até que surja uma vaga, o que pode ocasionar a morte dessa pessoa. O transplante de medula, apesar de parecer simples, é um procedimento complexo em que é necessário contar com a possibilidade de complicações e o leito para o paciente tem de estar disponível por até 90 dias. “O que limita o acesso das pessoas ao tratamento atualmente é a disponibilidade de leitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e a fila de espera”, afirma Feliciano.

O Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) do Brasil tem mais de 4,3 milhões de pessoas cadastradas e é o terceiro maior banco de doação de medula óssea do mundo. Contudo, as chances de encontrar um doador compatível são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média. Por isso, a doação pode ser feita do Brasil para qualquer país, assim como receptores brasileiros podem receber a medula de doadores internacionais. “Primeiramente fazemos os testes para verificar se o doador pode ser alguém da família, o que acontece em 25% dos casos. Quando não há compatibilidade entre o paciente, seus pais ou irmãos, os dados do paciente vão para o Redome e a busca passa a ser nacional”, diz o médico.

 

Fábio Amaral Perles - 22062017 Fábio, de Catanduva, recebeu medula de um doador europeu

‘É tudo novo, é uma nova vida’

Nesta quinta-feira, 22, faz 120 dias que o metalúrgico Fábio Amaral Perles, 31 anos, passou pelo transplante no HB durante qual recebeu a medula de um doador europeu. “É tudo novo, é uma nova vida, é como se eu tivesse nascido agora”, diz Fábio. “Tive a oportunidade de renascer”, acrescenta ele, que é de Catanduva. O rapaz, que é jogador amador de futebol, diz que sempre teve boa saúde. Mas em setembro do ano passado começou a sentir cansaço, tonturas e nasceu uma ferida em sua gengiva.

“Fui até a UPA aqui de Catanduva e tive sorte de passar por uma médica, que já me conhecia, e é hematologista. Quando ela me viu, disse que eu estava muito pálido e pediu um exame de sangue”, conta. Depois que saiu o resultado, a médica conversou com Fábio e falou que seria necessário refazer o exame. “Ela olhou para mim e disse que tinham algumas alterações, e que ou seria uma anemia profunda ou leucemia. Perguntei se tinha cura e ela disse: ‘Claro’. Foi nisso que me apeguei, não fui atrás de saber nada da doença, só do tratamento para sarar”, recorda.

Da UPA, Fábio já foi internado na Santa Casa de Catanduva e no dia seguinte transferido para o Hospital de Base de Rio Preto. Depois de uma série de exames veio o diagnóstico de leucemia mieloide aguda. “Fiz tratamento com quimioterapia, mas entre as seções tive febre e precisei ser novamente internado”, diz. Em dezembro, entre a terceira e a quarta etapa do tratamento, novamente foi parar no HB. “Passei o Natal e o Ano Novo hospitalizado. Tive uma apendicite e precisei operar. No dia 11 de janeiro, quando eu recebi a alta, o doutor João veio falar para mim que havia a possibilidade de terem encontrado um doador compatível”, diz.

A equipe do HB já estudava a possibilidade de fazer um transplante haploidêntico, técnica relativamente nova, em que a compatibilidade entre doador e receptor é de 50%, percentual encontrado na irmã de Fábio, Camila, de 26 anos. “Seria em último caso, mas era uma possibilidade. Mas tive a graça de conseguir um doador 100% compatível e sei que a medula veio da Europa”, diz. Fábio conta que está bem, se sente disposto, não ocorreram mais tonturas e nem um episódio de oscilação da nova medula em que é necessário transfusão de sangue ou de plaquetas. “A cura só é considerada depois de cinco anos do transplante, mas me sinto muito bem.”

 

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