Diário da Região

30/03/2017 - 00h00min

Crise na Saúde

Ielar fecha as portas e Santa Casa e HB entopem

Crise na Saúde

Mara Sousa Na fila para cirurgia bariátrica, Vanilsa, Maria e Viviane foram até o Ielar e encontraram as portas fechadas
Na fila para cirurgia bariátrica, Vanilsa, Maria e Viviane foram até o Ielar e encontraram as portas fechadas

O fechamento do Ielar nesta quarta-feira, dia 29, fez lotar ainda mais os corredores da Santa Casa e do Hospital de Base (HB). Na Santa Casa a estimativa é que o número de pacientes tenha aumentado de 10% a 12%. José Carlos Oliveira de Sousa, aposentado de 57 anos, estava no corredor do HB para tratar um problema na fístula da hemodiálise. Ele conta que aumentou o número de gente na espera por um quarto. “Muito mais macas, eu nunca vi esse movimento, já frequento aqui há uns dois anos”, afirma.

Ilma Correa da Silva, empregada doméstica de 40 anos, acompanha o marido, Antonio Arruda, pedreiro de 69 anos, após ele ter caído de um telhado. Desde a noite de terça-feira, 28, aguardam sem saber quando será a cirurgia. Era para ter sido encaminhado à Santa Casa, mas foi para o HB por causa da lotação. “Ficou no corredor. É um descaso mesmo, você cansa de dormir nas cadeiras, é difícil”, fala Ilma, emocionada. Ela também aguardava por exames no Ielar, como mamografia, que não sabe quando vai fazer.

Na Santa Casa, o aposentado Mário Siqueira Costa, 74 anos, e a mulher, Celia, 51, esperaram pelo menos uma hora na emergência. Ele estava com dor na hérnia. “(Hoje) está demorando mais”, diz ela. O idoso espera uma cirurgia para resolver o problema. Leandro Cardoso trabalha com peças automotivas e tem 36 anos. Na segunda-feira teve o início de um derrame e desde então ele e a mulher, Edvalda, 45 anos, se apertam nos corredores da Santa Casa. O fluxo de gente, segundo o casal, não para.

“De agora para frente lota mais ainda, não tem vaga nos quartos. Está parecendo um campo de guerra. Você imagina como vai ficar a situação”, afirma ela. Eles acham o atendimento bom e contam que os funcionários não param de trabalhar, mas Leandro relata que um pedido, como tirar o remédio da veia, demora para ser atendido por causa da superlotação.

 

 

Sem informação

O movimento foi intenso pela manhã e no começo da tarde no Ielar. Por volta das 14h, Jeronima Antonio de Souza e Souza chegou ao hospital com a guia para fazer raio-X do tórax, agendado para 14h42. Há dois meses ela sofre com a falta de ar. “Eu vim do bairro Amizade e Lealdade para ouvir do funcionário que não vou fazer exame”, reclamou Jeronima. “Há dias 15 que não durmo bem.”

Pela manhã, funcionários do Ielar pediam para os pacientes tirarem dúvidas através do telefone do Disque-Saúde, o que provocou ainda mais desespero. À tarde, três agentes administrativos da Secretaria da Saúde foram deslocadas para o hospital. O trio apenas pôde orientar as pessoas retornar à Unidade Básica de Saúde para agendar novo atendimento - agora sem data e local definido. O secretário de saúde, Eleuses Paiva, garantiu que os pacientes reagendados serão atendidos com urgência e não precisarão voltar à fila de espera.

Bariátricos

Na fila para fazer a cirurgia de redução do estômago, pacientes organizaram um grupo no WhatsApp em meio à falta de informação. Até o final da tarde de ontem, 256 pacientes lamentavam a situação. Três delas, Viviane Batista Oliveira, 38 anos, Vanilsa Silvério, 48, e Maria do Carmo Ribeiro Vieira, 51, foram ao hospital. As três estão há dois anos na fila e já fizeram os exames pré-operatório. “Pelas minhas contas, eu operaria em junho. Com o fechamento, não sei mais o que vão fazer”, lamentou Maria, com 137 quilos.

O caso

O Ielar fechou as portas porque diz não ter dinheiro para manter o custo de R$ 2,4 milhões do hospital. Recebe, por convênio com o SUS, R$ 1,4 milhão da Prefeitura e mais R$ 100 mil de telemarketing. Foi aprovada na lei municipal de Rio Preto um orçamento de R$ 12 milhões para 2017 de verba do terceiro setor, mas a Prefeitura não pode fazer o pagamento porque o Ielar tem contas irregulares junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), de 2010 e 2011. O Ministério Público propôs a assinatura de um TAC, mas a Prefeitura não teria aceitado por orientação da Procuraria Geral do Município (PGM), para não incorrer em improbidade.

Saúde e Conselho cobram

Prefeitura e Conselho Regional de Medicina (Cremesp) pedem explicações sobre a paralisação do Ielar. A Secretaria de Saúde convocou o hospital Ielar a justificar o que houve sob pena de romper o convênio de prestação de serviços com o município. “Em nenhum momento, a Secretaria foi informada sobre a paralisação com antecedência, conforme determina (cláusula oitava) o convênio.

A Prefeitura cumpre com sua parte, porém, não foi nem notificada sobre a paralisação. Saúde é sério, não interrompe serviços dessa forma”, afirmou o assessor especial da pasta, Antônio Baldin. O Ielar afirma que notificou a Saúde sobre a interrupção dos serviços e enviou um documento à reportagem que teria sido encaminhado à pasta. 

Já o Cremesp deve reunir com os quase 40 médicos do Ielar para investigar se a paralisação fere o Código de Ética Médica, segundo o conselheiro Pedro Teixeira Neto. “Primeiro, recebemos uma carta sobre a paralisação, e mesmo assim não poderia encerrar atividades da emergência. No dia seguinte, recebemos outro documento que continuariam atendendo a população. Esse desencontro e a interrupção do serviço podem ferir população.”

Hospitais dizem que esperavam

Segundo Jorge Fares, diretor-executivo do Hospital de Base, não é possível precisar o quanto o número de pacientes aumentou na entidade, que atende em média 150 pacientes na emergência diariamente. “Estávamos mais ou menos preparados, fizemos adequação de espaço”, diz. Segundo ele, o hospital geralmente fica mais lotado às quartas-feiras. 

Nadim Cury, provedor da Santa Casa, fala que o movimento aumentou de 10% a 12% no primeiro dia de fechamento do Ielar e que há alguns dias mais pessoas foram contratadas. São em média 90 pacientes por dia na emergência. “Aquilo que é urgência e emergência nós estamos atendendo na hora. O que não é vai esperar. Vou atender”, garante.

Ambos os gestores dizem que é rotina necessária manter pessoas nos corredores e que há pelo menos três meses vêm atendendo pacientes do Ielar de serviços que o hospital estaria parando gradativamente. O Ielar nega que isso tenha acontecido. O secretário de Saúde, Eleuses Paiva, afirma que de maneira provisória é responsabilidade do Samu avaliar para onde vão os pacientes de urgência e emergência. Quem tinha consulta eletiva no Ielar deve procurar a UBS para reagendamento. A Saúde estaria em diálogo para que um hospital filantrópico de Rio Preto começasse a absorver parte da demanda.

 

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