Diário da Região

05/04/2017 - 00h00min

INDENIZAÇÃO

TJ pune prefeitura por erro em UPA

INDENIZAÇÃO

Mara Sousa Ivanildo Rodrigues foi diagnosticado com conjuntivite, quando tinha glaucoma: doença provocou a perda da visão do olho esquerdo, em 2012
Ivanildo Rodrigues foi diagnosticado com conjuntivite, quando tinha glaucoma: doença provocou a perda da visão do olho esquerdo, em 2012

A Prefeitura de Rio Preto foi condenada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) a pagar R$ 90 mil a um homem de 53 anos que ficou cego do olho esquerdo em 2012. O TJ julgou que houve erro médico. Ivanildo Rodrigues passou duas vezes pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Santo Antônio relatando vermelhidão no olho esquerdo e foi informado que tinha conjuntivite.

Somente na terceira vez a médica levantou a hipótese de glaucoma e encaminhou o paciente para o Hospital de Base, onde a doença foi confirmada, mas não foi possível salvar a visão. O caso foi julgado pela 3a Câmara de Direito Público. “Forçoso concluir que houve falha na prestação dos serviços pelo município em razão do comportamento culposo (imperito e negligente) dos médicos que atenderam o apelante, que não efetuaram o diagnóstico correto”, escreve o relator Kleber Leyser de Aquino no acórdão.

A primeira consulta de Ivanildo na UPA foi no dia 4 de setembro de 2012. “O olho vermelhou todo, muita dor de cabeça. A médica que me atendeu passou alguns medicamentos, um colírio simples”, conta. Ele foi informado que tinha conjuntivite e os sintomas desapareceriam em no máximo uma semana. Como não melhorou, voltou à UPA no dia 10 de setembro de 2012. O diagnóstico foi o mesmo e um médico receitou colírio e que lavasse o olho com sabão. 

No dia 14 buscou atendimento novamente e foi atendido por outra médica. “Abriu meu olho com um aparelhinho. Falou ‘isso aqui é glaucoma’,” relata. Conforme o acórdão, foram relatadas em todos os atendimentos as mesmas queixas de dor, congestão sanguínea e coceira. O paciente também teria informado que é hipertenso, um dos fatores de risco para o glaucoma.

‘Demora para chegar’

Encaminhado ao HB, teve a doença confirmada com exames. Começou então um tratamento e após cerca de 50 dias, segundo Ivanildo, foi informado pela médica do HB que havia ficado cego de um olho. Se quisesse continuar com o tratamento ele poderia, mas seria perdido. Ele lembra que a profissional comentou que ele havia demorado muito para chegar até lá. “Eu fiquei desesperado. A gente já não tem nada, tem a saúde e perde o olho”, diz. Naquela época, ele enxergava bem pouco e sentia dores. 

Hoje não enxerga mais nada do olho esquerdo, começou a ter problemas no direito e teve um acidente vascular cerebral (AVC) em dezembro de 2015. “Eu procurei a Justiça, é difícil, a gente sabe que tem o nosso direito. Não tem nada na vida, mas eu pelo menos trabalhava, hoje não posso. Estou parado, não posso trabalhar um dia, nem para carpir quintal. A gente é pobre, tenho a esposa, um filho de 16 anos”, fala.

Antes ele chegou a atuar como pintor, servente de pedreiro, roça e corretagem. Sem emprego, conta com a aposentadoria da mulher, Adilsa, 53 anos. “Eu espero primeiramente em Deus. Segundo a Justiça ter tomado essa posição. Na verdade eu queria voltar a enxergar, trabalhar como era antes, até para sobreviver fica difícil.” Em nota, a Prefeitura de Rio Preto informou que irá recorrer da decisão.

 

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