Diário da Região

01/06/2017 - 00h00min

Os vigilantes do medo

Temor de violência leva moradores de rua a dormirem durante o dia

Os vigilantes do medo

Johnny Torres Edilson José dos Santos, 32 anos, diz que até mudou o lugar de dormir porque não se sente mais seguro no Centro
Edilson José dos Santos, 32 anos, diz que até mudou o lugar de dormir porque não se sente mais seguro no Centro

A morte de dois moradores de rua, assassinados no último fim de semana, aumentou o medo das pessoas que estão em situação de rua. O temor é tornar-se a próxima vítima, o que faz com que muitos deles durmam durante o dia e fiquem mais vigilantes de madrugada. De janeiro de 2016 até maio deste ano, oito moradores de rua morreram de forma violenta em Rio Preto.

Nesta terça-feira, dia 30, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prendeu o comerciante Andrino Baraneck, de 52 anos, e o azulejista Jesus Batista, de 59, pela morte dos moradores de rua João Evangelista Ribeiro, o Ceará, de 46 anos, e um outro identificado apenas pelo apelido de Magrão. Os corpos das vítimas foram encontrados em uma canavial, próximo do bairro Estância Bela Vista, zona Norte de Rio Preto, no sábado, dia 27.

Mesmo com as prisões, Leonardo Alves da Silva, de 27 anos, que também é morador de rua, diz que a sensação de insegurança aumentou. Ele vive nas imediações da Represa Municipal. “Como a gente é considerado mendigo, as pessoas não têm qualquer respeito por nós. Qualquer um pode nos atacar. Não dá para ficar sossegado”, diz Leonardo.

Amigo de Ceará e Magrão, Márcio Stuchi, de 38 anos, diz que nos últimos dias a maioria dos moradores de rua opta por dormir sempre em grupo e, de preferência, durante o dia. “Quando está tudo claro, não há risco, mas de noite não dá para vacilar, porque do nada pode vir alguém na escuridão e fazer algo de ruim”, diz Márcio.

Morador de rua que vive nas imediações da Praça Dom José Marcondes, Edilson José dos Santos, 32 anos, até mudou o lugar de dormir porque não se sente mais seguro no Centro. O Albergue Noturno abriga no máximo 59 pessoas por noite, o que corresponde a 6,5% dos cerca de 900 moradores de rua estimados no último levantamento, em 2016.

 

Agentes da Polícia Civil - 01062017 Agentes da Polícia Civil levam o comerciante Andrino Baraneck, de 52 anos, (à direita) e o azulejista Jesus Batista, de 59, (ao fundo)

Duplo homicídio

A motivação do duplo homicídio contra os moradores de rua seria uma dívida trabalhista, segundo o delegado da DIG, Alceu Oliveira de Lima Júnior. A polícia começou a desvendar o caso ao descobrir que o comerciante teria dado um tiro de espingarda calibre 28 contra Ceará, seu ex-funcionário, quando ele foi cobrá-lo na porta de casa, no bairro Solo Sagrado, em janeiro deste ano. O comerciante alega que procurou a polícia porque tinha medo de ser preso por posse ilegal da arma de fogo, segundo o delegado.

Em depoimento, o comerciante disse que no sábado foi novamente ameaçado por Ceará, que estava acompanhado de Magrão. Os dois moradores teria tentado invadir sua casa, alega Andrino. “O comerciante diz que rendeu os dois, armados de revólver. De caminhonete os levou até sua chácara. Com ajuda do azulejista, que é caseiro, eles foram levados até o canavial, onde foram mortos a tiros e facadas”, diz o delegado.

Todas as armas usadas no crime - espingarda, revólver e facas - foram apreendidas pela DIG e vão passar por perícia. O comerciante e o azulejista foram indiciados pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo e homicídio qualificado. Se forem condenados, os dois homens podem pegar de 12 a 30 anos de cadeia.

Até o final da tarde desta quarta-feira, dia 31, a DIG ainda não tinha conseguido a completa identificação de Magrão, porque não foram encontrados seus documentos. O corpo dele permanece no Instituto Médico Legal. João Evangelista foi enterrado no domingo no cemitério São João Batista. O caixão foi pago pela Pastoral Diocesana do Povo em Situação de Rua.

Faltam abrigos e segurança

O coordenador da Pastoral Diocesana do Povo em Situação de Rua, Jaime Sanches, afirma que apesar de ter participado de três reuniões na Assistência Social, nenhuma ação foi adotada para melhorar a situação dos moradores de rua. “Reivindicamos a construção de abrigos, como se fossem repúblicas, para que os moradores de rua possam passar a noite em segurança. Falta um olhar carinhoso deste governo com o povo de rua.”

Para Jaime, a Guarda Municipal deveria ajudar a dar proteção nas rondas que fazem na região para afastar o risco de agressões.
Por meio de nota, a Secretaria de Assistência Social diz que a segurança dos moradores de rua é obrigação da Polícia Militar, mas a Guarda Municipal ajuda ao fazer patrulhamento dos prédios e praças públicas.

A Prefeitura alega ter feito 170 encaminhamentos dos moradores de rua para tratamento de saúde, além de internações no Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes, nos casos de doenças mentais. Dois moradores de rua foram empregados na construtora Constroeste, a pedido da Secretaria.

 

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