Diário da Região

24/05/2017 - 00h00min

CONECTADA É A VOVOZINHA

Smartphone cai nas graças de idosos, que perdem o medo da tecnologia

CONECTADA É A VOVOZINHA

Mara Sousa Farly Arlete Armani, 80 anos, com o companheiro inseparável, o smartphone: “celular é uma mão na roda”
Farly Arlete Armani, 80 anos, com o companheiro inseparável, o smartphone: “celular é uma mão na roda”

Ação, memória, raciocínio, imaginação e linguagem. São algumas das características que podem ser trabalhadas com a ajuda dos smartphones. A professora aposentada Farly Arlete Armani, 80 anos, já percebeu e adotou o celular como companheiro inseparável. “O celular é uma mão na roda porque converso com quem mora ou está em outras cidades e faço outras coisas também, como pagar minhas contas. Busco informação para formar minha opinião e estou preocupada com a situação política e econômica do país.”

Pelo celular, Farly se mantém informada, faz consultas e transações bancárias e mantém contato com familiares e amigos que moram longe. E ela não está sozinha no uso constante dos smartphones. O interesse dos idosos por novas tecnologias está crescendo em ritmo bastante acelerado. Nos últimos oito anos, o número de pessoas na terceira idade conectados aumentou quase 1000%, de acordo com a última pesquisa do Instituto Locomotiva sobre o assunto. 

Hoje, segundo o levantamento, já são mais de cinco milhões de idosos brasileiros na internet. Cerca de 80%, se conectam à rede através de smartphones. Outra pesquisa recente, realizada pelo Ericsson Consumer Lab, aponta que a inserção do smartphone entre os idosos brasileiros já é de 40%. Especialistas na terceira idade e os próprios idosos concordam que essa inclusão digital tem um reflexo direto na melhora da qualidade de vida e até na saúde do idoso. Junto com o smartphone, Facebook e WhatsApp são unanimidades entre os idosos.

Filhos incentivam

Geralmente é algum filho ou neto quem compra um smartphone, baixa os apps e realiza as configurações necessárias para o idoso utilizá-los. Quem incentivou a professora aposentada Guaraciaba de Oliveira Melo, 81 anos, a entrar no mundo da tecnologia foi sua filha, Sandra. “Ela comprou, me ajudou com os aplicativos.” Mas antes disso, há dez anos, a idosa fez um cursinho para ter o primeiro contato com um computador. Hoje, a aposentada utiliza com mais frequência o smartphone. “Foi um cursinho rápido, que a mocinha ia em casa me ensinar. Não sou nenhuma expert, mas me viro bem,” diz.

O Whatsapp e o Facebook já foram usados por Guaraciaba para reencontrar amigos e os mantêm próximos, assim como os familiares. Moradora de Valentim Gentil, ela tem netos em Rio Preto e Votuporanga e bisnetos em Rio Preto. Sobrinhos e outros familiares em São Paulo, Piracicaba. “Essa nova geração está muito disparada e eu preciso acompanhar. Converso quase que diariamente com todos. Eles me dão dicas de filmes na Netflix, tiram dúvidas minhas sobre a internet, computador, no smartphone. É tão bom poder estar perto apesar da distância física.”

Inês Thomaz, 62 anos, de Ibirá, trabalhou por 30 anos em banco e confessa que após descobrir os jogos que os smartphones e as redes sociais oferecem se viciou. “Se eu tenho um tempinho livre, estou com meu celular na mão. Gosto de vários deles. Minha filha até fica brava comigo, mas eu falo pra ela: ajuda no raciocínio e também sei dividir meu tempo.”

 

Guaraciaba de Oliveira Melo - 24052017 Guaraciaba de Oliveira Melo, 81 anos, conversa com amigos e familiares: “é tão bom poder estar perto apesar da distância”

Inclusão aumenta a independência

A inclusão digital para os idosos é tida como uma forma de melhoria de qualidade de vida. A psicóloga Bruna de Marchi, especialista em terapia cognitivo-comportamental, ressalta que é uma maneira de o idoso ter mais diversão, de ver os filhos e netos mais frequentemente, além de se manter atualizado em relação aos acontecimentos no Brasil e no mundo, o que faz com que ele se sinta mais independente e com a autoestima elevada.

Os idosos também têm utilizado os smartphones para pesquisar preços de produtos que querem adquirir, realizar compras e atividades bancárias. Quase metade dos idosos já utiliza o WhatsApp ou o Facebook para mandar mensagens e conversar com a família e amigos. “Essas atividades aumentam a independência do idoso e também estimulam habilidades sociais. Com isso pode deixar o humor mais funcional”, afirma a psicóloga.

Para a especialista, quanto mais idosos utilizarem smartphones e terem resultados positivos, mais irá repercutir de uma forma funcional aos outros. Ao conhecer novas atividades e ter acesso a novos conhecimentos, o idoso estimula partes do cérebro que até então não eram utilizadas. “Existem também alguns aplicativos de jogos que estimulam a memória e a capacidade cognitiva. Ao manter contato com pessoas queridas, os idosos melhoram sua autoestima, e isso ajuda no desempenho das funções hormonais, proporcionando sensação de bem-estar.”

Familiares devem incentivar e ensinar os mais velhos a aprender a manusear smartphone. “É importante ficar atento se o idoso ainda têm dúvidas no manuseio, e esclarecer todas elas. Todos ganharão com isso”, recomenda Bruna.

Vício pode esconder problemas

A digitalização da terceira idade não traz apenas vantagens. A prática excessiva pode encobrir problemas psicológicos e dificuldades em se socializar. Isso porque a utilização dos smartphone de modo inadequado é uma forma de minimizar o sofrimento gerado por transtornos primários, como a depressão, ansiedade, entre outros transtornos.

“A compulsão, essa busca interminável (no uso da internet) não é gratificadora em termos concretos, mas naquele momento ele alivia o sofrimento de pensar em questões que ela não se julga apta a lidar”, afirma a psicóloga especialista em psicoterapia cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira.

A especialista pontua que a internet é uma ferramenta “muito positiva”. “O problema é que, às vezes, as pessoas não têm consciência de que elas estão passando por um momento de sofrimento. Elas não estão se dando conta de que aquele apego obsessivo por este comportamento é uma esquiva, uma evitação.”

Para que o uso da internet não sirva como uma válvula de escape e seja aproveitado com todos os benefícios que essa ferramenta pode proporcionar, a especialista orienta o autoconhecimento. “As pessoas precisam perguntar o que está acontecendo na vida dela, o que faz com que ela evite o convívio social.”

 

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