Diário da Região

10/02/2017 - 00h00min

Dengue

Força-tarefa tenta identificar e eliminar criadouros do Aedes

Dengue

Mara Sousa Vista de quintal de imóvel na Boa Vista: moradores reclamam que terreno está cheio de entulhos que servem de criadouros
Vista de quintal de imóvel na Boa Vista: moradores reclamam que terreno está cheio de entulhos que servem de criadouros

Somente neste ano a Prefeitura de Rio Preto já requereu 13 ações judiciais para limpeza de imóveis com potenciais criadouros do mosquito da dengue. Durante 2016 inteiro, a Secretaria de Saúde solicitou à Procuradoria do Município o ingresso de ações para limpeza de 19 casas e terrenos. A preocupação com a proliferação do Aedes aegypti levou o município a lançar nesta quinta-feira, 9, um pacote de ações em mais uma tentativa de combater o inseto que, além da dengue, transmite o vírus da Zika, chicungunya e febre amarela.

O que demonstrou a urgência do alerta foi o Índice de Breteau, que mede a infestação do mosquito. Em janeiro estava em 2,2, quando o aceitável seria não passar de 1. No ano passado, foram registrados 16.216 casos de dengue e duas mortes. Em 2015, foram 11 óbitos pela doença e 21.839 casos. A intenção é mobilizar todas as secretarias municipais. No início estão envolvidas Educação, Meio Ambiente, Saúde e Serviços Gerais.

Uma das ações é a utilização dos alunos da rede municipal de ensino como “soldadinhos”. Em projetos desenvolvidos nas escolas, eles serão olheiros para encontrar criadouros e alertar a família. Quem se destacar poderá ser premiado. Para Beth Somera, secretária da pasta, o programa é fundamental. “Mais do que um combate é o desenvolvimento de uma cultura de proteção ambiental, de vida e de saúde”, diz. “As crianças são muito inteligentes. Tenho certeza de que vão localizar os criadouros, alertar os pais.”

Também serão mantidos os mutirões, limpezas e visitas casa a casa dos agentes de saúde. Segundo o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, Rio Preto está à porta de uma epidemia de dengue, mas a preocupação de 2017 é com a chikungunya. Ele comenta que não basta desenvolver uma vacina para a dengue, por exemplo, já que o mosquito carrega outros 24 vírus. “Declaração de guerra. Ou vamos ter uma grave epidemia em Rio Preto e são mortes que podemos evitar.”

Além disso, a zika também preocupa por causar microcefalia e outras má-formações em bebês, prejudicando seu desenvolvimento e podendo levar a óbito. Até 80% dos casos são assintomáticos, ou seja, a gestante pode ter sido infectada sem saber, o que dificulta um plano de ação para seu caso. “Preocupação de saúde pública”, fala Eleuses. No ano passado, 56 grávidas tiveram a doença.

 

Arte - Dengue - 10022017 Clique na imagem para ampliar

Ambiente propício

Os criadouros encontrados nas casas, em sua maioria, são inservíveis e já poderiam ter sido descartados, como pneus e garrafas plásticas. Além disso, a calha entupida e vasos de plantas servem de repositório para os ovos do Aedes – após a postura, eles sobrevivem até um ano. Se chover e a água acumular de novo, as larvas eclodem. Como Rio Preto tem o clima perfeito para o inseto, com altas temperaturas, em três dias a larva vira mosquito.

Uma das estratégias do poder público é mobilizar a população, empresas, imobiliárias e igrejas. “Todos têm que ter preocupação com a larva e com a calha entupida, com o pneu que está jogado, as casas que estão fechadas para alugar, para vender”, afirma o prefeito Edinho Araújo (PMDB).

Limpeza

O secretário da Saúde aponta que o índice de recusa aos agentes nas residências está em torno de 40%. Este é um dos desafios da pasta, além da falta de limpeza dos terrenos. De acordo com Abner Henrique Alves, gerente da Vigilância Ambiental, quando há identificação de imóvel de risco sanitário, os técnicos tentam conseguir o consentimento do morador para limpeza. Se isso não acontecer, o habitante é notificado e tem prazos para se adequar. 

Se nada disso funcionar, é pedida autorização judicial para o manejo ambiental. Geralmente não é aplicada multa nos casos de limpeza coercitiva em locais habitados, pois na maioria das vezes o infrator tem condição socioeconômica vulnerável e necessita de acompanhamento psicossocial. Se este não for o caso, a multa para o acumulador começa em R$ 1, 2 mil.

“Eu já tive dengue, não quero ter mais. O que está dando dor de cabeça é esse mato dessa casa abandonada”, diz uma moradora de 75 anos de uma casa do Boa Vista. A vizinhança reclama que em uma das residências existe um mato alto com entulhos por baixo, que atraem caramujos para as casas próximas. O mesmo problema é enfrentado por Edmur Gallego Atílio, tatuador de 52 anos. 

Ele vive ao lado de um terreno vazio e com mato alto no Bairro Gonzaga de Campos, que tem o Índice de Breteau de 7 – mais alto do que situação de risco de surto, que é de 3,9. “Tem é muito [criadouro e mosquito]. Ninguém limpa. Se for limpar e roçar está cheio de entulho. O pessoal passa com carro, vê o terreno vazio e joga”, conta. A Secretaria de Saúde informou que agentes irão até os dois locais para pesquisa de focos.

Combate ineficaz e nova epidemia

Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp que estuda o Aedes aegypti e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, vai participar da ação municipal. “Nesse primeiro momento vamos trazer a experiência da universidade, como o monitoramento de mosquito e do vírus circulando na cidade, de forma que o secretário tome decisões”, diz sobre o trabalho conjunto.

O virologista acredita que é preciso buscar alternativas de controle, pois o que é feito de maneira geral no Brasil não está funcionando. “Essa forma que a gente está usando agora não resolve.” Maurício acredita que a dengue não seja a maior preocupação no momento. Estudos da faculdade apontam que não há novos tipos de vírus da doença circulando na cidade. “O maior risco é zika e chikungunya.”

 

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