Diário da Região

23/03/2017 - 00h00min

Caso Simone

Assassino da professora que o alfabetizou se diz arrependido

Caso Simone

Gabriel Vital 22/03/2017 Francisco foi encaminhado nesta quarta-feira, 22, à carceragem da Central de Flagrantes.
Francisco foi encaminhado nesta quarta-feira, 22, à carceragem da Central de Flagrantes.

O corpo magro, o rosto ossudo e o olhar distante de Francisco Lopes Ferreira, 64 anos, guardam a mente de um assassino e as lembranças do que pode ter sido o último diálogo de Simone Moura Facini Lopes, 31 anos, morta no último dia 12, um domingo, em uma chácara no Jardim Planalto em Rio Preto. Ainda debilitado, com as algemas fechadas em volta dos punhos, ele recebeu alta nesta quarta-feira, 22, do Hospital de Base e falou à imprensa pela primeira vez.

No elevador da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), para onde foi levado logo após sair do hospital, Francisco disse ao Diário que matou Simone porque a auxiliar de limpeza, que o ensinava a escrever por meio de um trabalho voluntário de alfabetização, não iria mais frequentar a chácara onde ele vivia.

“Ela era tão boa para mim, mas o que aconteceu foi o seguinte, ela falou que não ia mais frequentar a chácara. Então eu disse: 'Agora que você vem me falar isso?'. E ela falou assim: 'É, agora que eu tenho que tomar a decisão com você, e eu não vou voltar mais aqui'. E foi aí que aconteceu...”, disse Francisco. Ele afirma estar arrependido e diz que não pensou na dor que causaria à família da vítima. “Veio aquele problema na minha cabeça, você sabe como é, né? Não deu tempo nem mesmo de parar para pensar”, afirmou.

Encontrado bastante debilitado na última segunda-feira, 20, em uma mata próximo ao bairro Gonzaga de Campos, em Rio Preto, Francisco, que estava foragido desde o dia do crime, teve de ser internado no HB. O ex-presidiário, que já cumpriu pena por estupro, disse ainda que agrediu Simone com uma marreta e, antes de matá-la, obrigou a moça a tirar a saia e a calcinha. “Com o descuido dela, eu peguei a marreta que estava debaixo da cama e dei uma marretada na testa dela”, relatou. Segundo ele, no entanto, não houve abuso sexual.

Francisco lembra que, no dia do crime, Simone foi até a casa dele, por volta das 8h30, e os dois ainda foram juntos ao supermercado. O bilhete, encontrado pela Polícia Civil na casa onde Simone foi morta, foi escrito mesmo pelo próprio Francisco. Ele diz que redigiu as palavras, no verso de uma foto da voluntária, a partir dos ensinamentos da própria Simone, que o ajudou no processo de alfabetização.

Investigação

Da DIG, Francisco foi encaminhado à carceragem da Central de Flagrantes, mas deve retornar à delegacia nesta quinta-feira, 23, onde será feita uma acareação entre ele e o também ex-presidiário Juvenal Pereira dos Santos, 47 anos, preso desde a última sexta-feira, 17, suspeito de participação no crime.

De acordo com o delegado Alceu Oliveira de Lima Junior, que cuida do caso, a confissão de Francisco não isenta a participação de Juvenal no crime. “O que vai descartar ou não a participação vai ser o laudo necroscópico, mas está tudo caminhando para que não seja descartada”, afirmou o delegado. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) vai apontar se a vítima sofreu violência sexual e, também, se foi morta por asfixia, fatos que Francisco nega, mas que, de acordo com a polícia, há indícios de que possam ter acontecido.

Além disso, as marcas encontradas no corpo da vítima indicam, segundo a polícia, que as marretadas foram feitas com a mão esquerda. E Juvenal é canhoto. Segundo o delegado, depois da acareação marcada para esta quinta-feira, a Polícia Civil fará a reconstituição do crime, que ainda não tem data definida, mas deve acontecer na próxima semana. Se condenados, Franciso e Juvenal podem pegar até 30 anos de prisão, que é a pena máxima para o crime de homicídio qualificado. Os dois já cumpriram pena por estupro.

Entenda

Caseiro da chácara onde aconteceu o crime, Juvenal foi o primeiro a ser preso, cinco dias após o assassinato de Simone. A prisão é temporária, por 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30. Ele nega participação no crime e diz que passou o dia fora de casa, na companhia da namorada, em Bady Bassitt.

Entre os indícios que apontam para uma possível participação de Juvenal estão o fato de pertencer a ele a marreta usada para matar Simone, além das correntes e um cadeado utilizados para prendê-la à cama. Também foi ele quem acionou a polícia no dia do crime. Foram constatadas cinco ligações, feitas de três linhas telefônicas pertencentes a Juvenal, para o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) entre as 19h e 22h30, mas somente na quarta vez o caseiro falou sobre o assassinato. Na última ligação ele não disse nada.

 

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