Diário da Região

04/03/2017 - 00h00min

DIREÇÃO PERIGOSA

Por dia, oito motoristas têm a CNH suspensa em Rio Preto

DIREÇÃO PERIGOSA

Guilherme Baffi Fotógrafo C.C., 28 anos, aguarda julgamento na Junta Administrativa de Recursos de Infração (Jari) contra multas para evitar a suspensão da CNH
Fotógrafo C.C., 28 anos, aguarda julgamento na Junta Administrativa de Recursos de Infração (Jari) contra multas para evitar a suspensão da CNH

A cada três horas, uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é suspensa em Rio Preto por excesso de infrações no trânsito. São motoristas que atingiram ou excederam a pontuação máxima permitida – 20 pontos – ou levaram multas gravíssimas, como dirigir embriagado, praticar racha, andar em velocidade acima de 50% do permitido, ultrapassar pelo acostamento, entre outras. Apenas no ano passado, 2.946 condutores perderam a carteira na cidade, segundo dados divulgados pelo Detran de São Paulo, média de oito por dia. Um aumento de 34% em relação a 2015, quando 2.198 foram punidos com a perda da CNH.

A pena para quem tem a carteira de motorista cassada é de até um ano de suspensão. Caso ele seja flagrado dirigindo durante o prazo, o tempo de punição dobra para dois anos e o condutor é obrigado a passar novamente por curso de formação de motorista para voltar a dirigir. Antes de ter a habilitação suspensa, o motorista pode continuar dirigindo enquanto tramita seu recurso em 1ª instância na Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infração) e em 2º instância no Cetran (Conselho Estadual de Trânsito).

É o que acontece com o fotógrafo C.C., de 28 anos, que aguarda o julgamento de seu recurso na Jari contra multas por dirigir acima da velocidade permitida. Para ele, o maior problema é o excesso de radares em Rio Preto. “Fui multado por radares, que muitas vezes nem vi porque estavam escondidos. Na minha opinião, falta sinalização para alertar onde estão os radares e qual o limite de velocidade”, critica. O fotógrafo está preocupado com a suspensão da CNH, porque ele é a única pessoa em casa com habilitação para dirigir. O veículo é fundamental para ele trabalhar, levar a mulher ao emprego e deixar as crianças na creche.

Quem também está nesta situação é o representante comercial R.S, de 25 anos. Ele também estourou os 20 pontos negativos na CNH, mas como acha que levou multas injustamente até contratou um escritório de advocacia para recorrer contra a perda de direito de dirigir. “Eu até concordaria em perder o direito de dirigir se estivesse fazendo racha ou embriagado. Mas, muitas vezes, eu estava dirigindo a 50 quilômetros por hora (km/h) e tinha um radar que não vi, que estabelecia a velocidade máxima de 40 km/h”, reclama o motorista. O advogado Jonathan Reino diz que tem sido bastante procurado por clientes revoltados com a suspensão da CNH.

 

Arte - CNH - 04032017 Clique na imagem para ampliar

Falta conscientização

O presidente do Detran de São Paulo, Maxwell Vieira, afirma que o crescimento de suspensões de CNH é provocado por dois fatores: o aumento de fiscalização no trânsito e a imprudência dos motoristas. “As policiais militares, rodoviárias e até as guardas municipais têm apertado o cerco contra o motorista infrator, com muitas blitze. Mas parte deste aumento de suspensões é resultado da falta de conscientização dos motoristas. Eles precisam entender que é preciso andar conforme a lei para gerar mais tranquilidade no trânsito e evitar mortes”, diz o presidente.

Segundo Vieira, parte do dinheiro arrecadado com multas é obrigatoriamente revertido em melhorias no trânsito. “No ano passado, foi reservado um montante de R$ 100 milhões, arrecados de multados, que foi dividido entre 52 cidades do Estado de São Paulo, onde foi constatado o maior número de acidentes. E uma das cidades desta lista é Rio Preto. A Prefeitura de Rio Preto vai receber em 2017 verba no valor de R$ 950 mil, que deverá ser investida em melhoria no trânsito. “O convênio foi assinado em 2016 e um projeto foi apresentado. 

A proposta está sendo analisada pelo setor técnico, que vai liberar o recurso se o projeto for considerado adequado para melhoria do trânsito de Rio Preto”, diz o presidente do Detran. O secretário municipal de Transportes, Marcos Augusto Apóstolo, confirma que está em avaliação no Detran um projeto para uso dos R$ 950 mil. “Vamos usar o recurso para compra de mais quatro viaturas para a Secretaria, campanhas de prevenção no trânsito e confecções de cartilhas para dar serem entregues aos motoristas”, diz o secretário. Por enquanto não há previsão de quando a verba será liberada pelo Detran.

‘É preciso investirem educação’

A advogada Mércia Gomes diz que o aumento de suspensão de CNHs pode demonstrar que os governos têm agido erroneamente na política de trânsito ao investir cada vez mais na fiscalização em detrimento das campanhas de conscientização dos motoristas. “O que a gente tem percebido é que a cada ano cresce a instalação de radares, colocados em qualquer lugar, mas, por outro lado, a sinalização do trânsito é precária”, critica a advogada. Para Mércia, com aumento da fiscalização, principalmente por radar, facilmente os motoristas estouram os pontos e perdem o direito de dirigir. 

“Atendo motoristas que só depois de serem multados ficam sabendo quais as infrações de trânsito que cometeram. Isso dá uma ideia de como falta informações para o condutor de veículo”, comenta a especialista. Para a especialista, os governos deveriam investir muito mais em sinalização de trânsito, principalmente, para avisar sobre os limites de velocidade e existência de fiscalização eletrônica. “As pessoas têm de serem avisadas do risco, não surpreendidas com punição”, conclui Gomes.

A advogada Mércia Gomes diz que o aumento de suspensão de CNHs pode demonstrar que os governos têm agido erroneamente na política de trânsito ao investir cada vez mais na fiscalização em detrimento das campanhas de conscientização dos motoristas. “O que a gente tem percebido é que a cada ano cresce a instalação de radares, colocados em qualquer lugar, mas, por outro lado, a sinalização do trânsito é precária”, critica a advogada.

Para Mércia, com aumento da fiscalização, principalmente por radar, facilmente os motoristas estouram os pontos e perdem o direito de dirigir. “Atendo motoristas que só depois de serem multados ficam sabendo quais as infrações de trânsito que cometeram. Isso dá uma ideia de como falta informações para o condutor de veículo”, comenta a especialista. Para a especialista, os governos deveriam investir, principalmente, para avisar sobre os limites de velocidade e a existência de fiscalização eletrônica. “As pessoas têm de ser avisadas do risco, não surpreendidas com punição”, conclui Gomes.

 

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