Diário da Região

04/03/2017 - 00h00min

EDUCADOR

Professor se emociona com homenagem de 350 alunos

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Reprodução Internet Nascido em Engenheiro Schmitt, Luiz Antônio Jarcovis dava aulas na escola estadual Almirante Custódio José de Mello, zona Leste de São Paulo
Nascido em Engenheiro Schmitt, Luiz Antônio Jarcovis dava aulas na escola estadual Almirante Custódio José de Mello, zona Leste de São Paulo

Aos 13 anos, Luiz Antônio Jarcovis percorria a pé cinco quilômetros com o pai, lavrador e semianalfabeto, até a escola. Aos 31 anos, entrou em uma escola da rede estadual para realizar o sonho de dar aula. Aos 64 anos, desfilou por um corredor formado por quase 350 alunos e findou sua jornada como professor de ciências sob aplausos e lágrimas. A caminhada fora sofrida, mas completa. “Vou embora com a sensação de dever cumprido.”

O corredor de aplausos, na escola estadual Almirante Custódio José de Mello, no bairro de Vila Granada, zona Leste de São Paulo, marcou o seu último dia de aula e viralizou nas redes sociais. O vídeo foi curtido por milhões de internautas, e Luiz, mesmo desapegado de celular e redes sociais, vive os últimos dias concedendo entrevistas para jornais de todo o Brasil, nesta sexta-feira, 3.

Os alunos não só o aplaudiram como também abraçaram e gritaram o nome do educador, que foi embora aos prantos. “Sempre me coloquei como um pai para os meus alunos. Já fizemos excursão e saímos para comer pizza na sexta-feira após as aulas”, disse Luiz. A diretora da escola, Mônica Della Matta, conta que alunos mesmo fora do expediente estavam no corredor. 

“O professor Luiz é um exemplo de humildade, é muito tímido, educado, gentil, carinhoso. Tivemos apenas dez minutos para formar o corredor. Todos os funcionários e alunos da escola participaram, porque ele vai deixar saudades”, disse Mônica, que postou o vídeo e ficou espantada com a reação no Facebook. “Em duas horas, teve mais de mil visualizações.”

Luiz nasceu em Engenheiro Schmitt, distrito de Rio Preto, foi embora cedo com os pais, um casal de lavradores, e mais quatro irmãos. “Ajudava meus pais na plantação de café, fazia a varrição no tronco, também chorava porque o sol era muito forte. Meu irmão mais velho dizia que aquilo não era para mim”, conta. Já sonhava em ser educador e, por necessidade, teve que trabalhar como técnico de eletrônica no centro de São Paulo, consertando controle remoto, aparelho de som e televisão. Quando pôde juntar uma grana entrou na faculdade de biologia.

Questionado de onde surgiu essa paixão pela sala de aula, Luiz calou por alguns minutos e chorou - novamente. Dessa vez, lembrou da sua maior influência, o professor Edson Souto Ramos. “Ele me deu aula a partir dos 11 anos, e me estimulava muito não só com conselhos, como também comprava material escolar. Lembro que me entregava lápis, caneta, caderno, tudo o que o meu pai não podia comprar naquela época”, recorda. “Guardei meu boletim escolar onde há uma dedicatória do professor Edson.”

Quando Edson faltou, Luiz parou de estudar e fora trabalhar. “Não havia escola próxima e no período noturno.” Todo os esforços valeram a pena, segundo o educador, e isso ficou muito claro em seu último ato como professor. “Aquele dia estava muito penoso, entrei na sala de aula com sentimento enorme. Saí da sala de aula já abalado, com a consciência de que não voltaria mais.

Quando deparei com todos no corredor veio toda a minha história, a questão do magistério. Foi mais que um prêmio, o maior que poderia ganhar. Das coisas que eu fiz, todas valeram a pena”, afirmou o professor. Toda a devoção do pai pela profissão contagiou o único filho. Raphael, 21 anos, cursa biologia na Universidade de São Paulo. “Não minto, o salário de professor não é digno. 

Não tem nenhuma valorização e percebemos que essa desvalorização aumenta a cada ano, o que mais preocupa. Também já pensei em desistir após problemas em outras escolas. É difícil dar conselho, falo para o meu filho que, se é a profissão que também quer, vai em frente. Mais professores devem ser valorizados”, disse Luiz, que ao desligar o telefone faz um único pedido. “Devo muito a minha esposa, a Aurea.” Eterno aprendiz, Luiz, agora, vai cursar fotografia.

 

 

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