Diário da Região

24/02/2017 - 00h00min

Anabolizante

Quando o corpo sarado esconde riscos mortais

Anabolizante

Reprodução/Internet Alexandre Gustavo, que se orgulhava dos músculos cultivados
Alexandre Gustavo, que se orgulhava dos músculos cultivados

Alexandre Gustavo Neves da Silva, 26 anos, era frequentador assíduo de academia de ginástica, tinha um corpo sem gorduras e malhado, era disciplina com a alimentação e extremamente vaidoso. Mas uma doença inesperada o levou a um transplante de fígado e à morte em um curto intervalo de tempo, deixando amigos e familiares em estado de choque.

O problema é que por trás da imagem saudável vendida pelo operador de máquinas havia um comportamento de risco que se torna cada vez mais comum entre aqueles que desejam uma transformação física rápida e significativa: o uso de anabolizantes (considerados drogas proibidas no Brasil) e até mesmo suplementos e chás sem as devidas orientações.

Alexandre, no caso, acabou revelando pouco antes de morrer que injetava no corpo uma substância (anabolizante) de uso veterinário, responsável por inflar os músculos dos quais ele tanto se orgulhava. Foi a morte do jovem que levou o médico Renato Silva, responsável pelo setor de transplante de fígado do Hospital de Base de Rio Preto, a lançar um alerta. 

Segundo ele, além dos anabolizantes, o consumo excessivo de suplementos alimentares que prometem emagrecimento rápido (muitos em forma de shakes com fibras e que substituem refeições) e a moda dos chás diuréticos e termogênicos estão oferecendo riscos à saúde. No Hospital de Base, 25 pessoas foram submetidas a transplante de fígado desde que o setor foi implantado há 18 anos em decorrência de hepatite aguda grave, ocasionada pelo abuso de tais substâncias.

 

Arte - Anabolizante - 24022017 Clique na imagem para ampliar

Esse foi o problema de Alexandre, que morreu dez dias após ser transplantado. Ele passou mal no dia 3, foi internado na Santa Casa de Novo Horizonte e transferido para o Hospital de Base. O transplante ocorreu no dia 10. "Ele saiu, tomou cerveja e quando chegou em casa desmaiou, teve convulsões. Foi tudo muito rápido”, disse Jéssica Neves da Silva, irmã do jovem. Ela contou ainda que percebia que seus músculos de Alexandre estavam crescendo rápido, mas o irmão não admitia que tomava anabolizante. 

“Por mais que a gente perguntava, sempre dizia que era a alimentação e o ferro que puxava”, disse a moça, de 28 anos. Jéssica diz que espera que o caso do irmão ajude a conscientizar outros jovens. “Conheço muita gente que usa essas coisas que ele usava. É pensa que nunca vai acontecer nada grave. Meu irmão não sentia nada, nunca teve dor. A vaidade é que foi o problema. Ele queria ser bonito, forte, não aceitava ser magro. Queria crescer, inchar.”

Proibido

No Brasil, a venda desses produtos é feita de forma indiscriminada e sem orientação médica, embora muitos sejam de uso controlado, segundo o médico Renato Silva. Ainda segundo o médico, de um a quatro meses após o uso dessas substâncias, o fígado é prejudicado evoluindo para hepatite aguda grave ou fulminante. “Quem estiver abusando de chás, usando anabolizantes e começar a ter qualquer sintomas de doença no fígado deve procurar um centro de transplante, porque é rápida a evolução e é preciso diagnóstico cedo”, afirmou.

Outra vítima de anabolizantes é o estudante V.S., 24 anos, que buscou ajuda médica ao desenvolver uma ginecomastia - inchaço do tecido mamário masculino causado por um desequilíbrio hormonal. O problema apareceu após ele usar anabolizantes por três vezes. “Agora vou ver se vou conseguir tratar com remédio ou será preciso cirurgia”, disse.

 

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