Diário da Região

10/03/2017 - 00h00min

O ILARIÊ DO XARÁ

Conheça o lado B do craque do Mirassol, o jogador Xuxa

O ILARIÊ DO XARÁ

Mara Souza Ídolo da torcida do time do Mirassol mostra a tatuagem com o apelido que ganhou na infância
Ídolo da torcida do time do Mirassol mostra a tatuagem com o apelido que ganhou na infância

Ele nega, mas Xuxa é, sim, vaidoso. Entre outras atitudes que adota, o meia do Mirassol faz luzes no cabelo. "Não dá para ser Xuxa de cabelo escuro", explica. Mas não é só isso, o jogador Cássio Luís Rissardo, 35 anos, tem a própria assinatura, em que o A é desenhado em forma de uma estrela, tatuada abaixo da cintura. Mesmo não perdendo uma oportunidade de gol e de correr os 90 minutos de jogo, quem o vê em campo se depara com um jogador que está sempre com os cabelos arrumados - com um rabo de cavalo pela metade ou uma espécie de coque.

Também gosta de produtos de qualidade e usa o perfume Life Blue, da Dolce & Cabbana, cujo frasco de 25 ml custa, em média, R$ 250. As tatuagens são, em parte, um retrato de Xuxa. Além de sua assinatura, tem uma grande pantera desenhada no outro lado do dorso e ainda uma espécie de corrente tatuada na batata da perna, em que estão pendurados um olho grego e uma pimenta. É que ele também é supersticioso. O apelido foi dado pelos colegas aos 5 anos de idade, porque ele era branquinho e de olhos claros. 

No começo, odiava. Agora, se identifica totalmente. Apesar de jogar no Leão, é com o outro felino que Xuxa se identifica. "A pantera é calma, mas ataca quando precisa. Eu sou tranquilo no campo, mas quando tenho que atacar, sai de perto. A tatuagem do olho grego ainda não está finalizada, mas é para espantar o mau olhado", admite. Como um possível defeito, ele aponta que é perfeccionista. Tudo ao seu redor tem que estar do jeito que ele acredita ser o melhor. E esse excesso de cobrança não se limita ao campo. 

Em casa, Xuxa faz questão de ele mesmo lavar suas roupas, também organiza as coisas, enquanto escuta pagode ou sertanejo, seus estilos de música preferidos. "Eu mesmo que lavo minhas roupas. Estou sempre preocupado com tudo ao meu lado e quero que as coisas fiquem dentro das minhas expectativas. Acredito que isso é um defeito, já que me cobro demais em tudo", diz. Revela também que tem Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). "Estou o tempo todo lavando as minhas mãos. Não consigo parar com essa mania", diz.

Mas entre as qualidades dele fora de campo está a simplicidade. Na entrevista feita com Xuxa na praça central de Mirassol, várias pessoas chegaram para cumprimentá-lo. Davam parabéns pela sua atuação no time e diziam que ele está comandando o time. Ainda pediam para continuar fazendo gols para que o Mirassol consiga se manter bem no Campeonato Paulista. Católico praticante, sempre que vai à missa escuta pedidos de fiéis mais velhas para ele fazer um gol em homenagem a elas. 

"Falam assim: 'Ô, Xuxa, faz um gol pra mim', acho muito legal e fico lisonjeado. Mexe com a autoestima, é um carinho gostoso que me deixa mais determinado a jogar bem". O meia também é parado frequentemente por fãs que pedem para fazer selfie com ele. "São mulheres, crianças, jovens. Isso não me incomoda, na verdade acho muito bom", diz. Bonito por natureza, o jogador de olhos verdes, rosto oval, traços firmes, barba por fazer, que é uma "tentação" para algumas mulheres, ele garante que não atrai as famosas "marias-chuteiras".

"Quando eu jogo, as fãs chegam, mas não ficam dando em cima. Ela só querem mesmo fazer uma foto e desejar sorte para mim e para o time", diz. Xuxa é casado há 12 anos, mas este é um assunto que ele realmente não fala. E não adianta tentar tirar nada. Educadamente diz que é "algo muito particular e envolve outra pessoa (a mulher)".

 

Arte - Jogador Xuxa - 10032017

Bom de garfo

Quando não está treinando, jogando, organizando as coisas pessoais ou assistindo jogos de seus futuros adversários, o meia gosta de sair com amigos para comer. Não dispensa massas ou carnes, só faz restrição a algumas verduras, por não apreciar. "Como bem, não tenho problemas com a balança. Sempre saio para comer uma massa, pizza ou churrasco, que não pode faltar". Também tem um costume que vem das dez passagens que ele teve pelo Leão nos últimos 14 anos: vai frequentemente até a praça central da cidade para tomar um sorvete de massa americano.

O leitor mais velho deve saber do que se trata, mas os mais jovens talvez nunca tenham visto. Esse sorvete é feito por uma máquina, em que se colocam litros de líquidos com sabores em cima e depois sai a massa em um casquinha de biju bem fininha. "O tio é meu chegado. Já deixo dinheiro a mais aqui para quando quiser tomar sorvete e não tiver dinheiro no bolso", diz. O tio é Gilberto Gomes Assunção, que há 29 anos tem a barraquinha de sorvete na praça.

Família

Esse desejo especial por sorvete americano, o jogador diz que vem da infância, quando os pais o levavam, com os irmãos, a parques de diversões, onde sempre tomavam o sorvete. "Ele tem um gosto de infância, traz boas recordações." Xuxa é apegado à família. Entre seus sonhos está o de poder ficar próximo dos pais, Nivaldo e Rita, e dos irmãos Maurício e Cláudio, que moram em São Paulo. "Eu consigo vê-los uma ou duas vezes por ano e só coisa de dez dias, quando termina um campeonato. Meu maior ídolo fora de campo é meu pai, que proporcionou tudo para que eu fosse a pessoa que sou hoje", diz.

Futebol

Xuxa é a estrela do Mirassol ou o time faz a estrela de Xuxa brilhar mais forte? Nem mesmo o jogador sabe responder. Mas o caso de amor entre ele e o Leão é antigo e, entre idas e vindas, já são dez vezes que o meia se destaca no campo representando a camisa amarela. Ele já conquistou três acessos pelo clube: em 2004, da Série A-3 para a A-2. No ano seguinte, fez nove gols na A-2 e oito na edição de 2007, quando o clube mirassolense obteve o acesso inédito à elite do Paulista. 

Em 2014, Xuxa fez cinco gols pelo time e em 2016 novamente ajudou o time a subir da Série A-2 para o Campeonato Paulista. É um ídolo para a torcida e mesmo tendo o papel em campo de armar o jogo para os atacantes, Xuxa é o artilheiro do campeonato com cinco gols. Diz que representar mais uma vez o Mirassol e o time estar se destacando é um sonho que vive hoje. "Este começo de campeonato está sendo bom, está sendo gostoso. Fico feliz de ter o trabalho reconhecido, isso é gratificante", afirma.

Xuxa e o futebol se encontraram ainda cedo. Quando ele tinha 5 anos acompanhava o pai, Nilvaldo, nas peladas com amigos. "Comecei jogando futebol de salão na Portuguesa quando eu tinha 11 anos. Aos 13 anos fui para o Goodyer, eu era dente de leite", conta. O jogador tentou, mas não conseguiu levar as duas modalidades juntas e, em 1998, optou apenas pelo campo. "Eu sempre gostei de jogar salão, mas me identifico melhor com o campo."

Naquele ano, ele jogou no juniores do Flamengo, de Guarulhos, e em 1999 começou a participar no profissional. Atuou no time até 2001. "Conseguimos dois acessos, uma empresa comprou meu passe e me trouxe em 2002 para o Mirassol, foi quando começou a minha história aqui", recorda.

Futuro

O meia já jogou em mais de 20 clubes no País e também no exterior. Em 2011, após uma campanha de destaque no Mirassol pelo Campeonato Paulista, foi contratado pelo Vitória. No início de 2012 retornou ao Mirassol, desta vez por empréstimo até maio do mesmo ano. Dois meses após retornar ao Vitória, Xuxa pediu para sair para jogar pelo clube Al Raed Club, na Arábia Saudita.

"Foi uma experiência muito boa. A cultura é totalmente diferente da nossa, mas deixa saudades. A comida lá também é muito boa e a única diversão que existe é ir a restaurantes", conta. Xuxa ainda sonha em representar grandes times. Diz não ter uma preferência. "Eu tinha um time de infância e torcia por ele. Mas depois que comecei no profissional eu torço pelo que estou jogando, que é o que paga as minhas contas."

Mas no mundo do futebol, aos 35 anos, ele já é considerado um vovô. É que, com essa idade, os jogadores já começam a aposentar as chuteiras. Mas Xuxa ainda não pensa nisso. Afirma que vai continuar no campo por alguns anos. "Quando eu parar de jogar, vou me manter trabalhando com futebol. Não tem como eu largar, essa é a minha grande paixão na vida", conclui.

Com açúcar

Xuxa é calmo, fala com tranquilidade, sem pressa. É simpático e simples. Gosta dos fãs e dá atenção a eles, não se esquivando de ninguém. Aos 35 anos, apresenta um bom preparo físico. Não se importa com o ritmo puxado de treinos e jogos. Afirma que os bons resultados só são obtidos com muito esforço. É apegado à família e ainda quer ficar mais próximo dos pais e irmãos, que moram em São Paulo. Acha engraçado e se sente lisonjeado ao ser abordado na missa e as fãs pedirem para fazer um gol em homenagem a elas. Como ele mesmo diz, seu estilo é como o de uma pantera, calma, mas quando precisa ataca, e isso ele faz bem em campo.

Com pimenta

Cássio Luís Rissardo, o Xuxa, é naturalmente bonito. Puxou os traços da família de sua mãe. Fica ainda mais atraente quando sorri, mas não é uma pessoa de riso solto, pelo contrário, parece estar o tempo todo concentrado. Admite ser perfeccionista e se manteve sério durante praticamente toda a entrevista. Só descontraiu quando mostrou a tatuagem com seu nome desenhado e ao chupar o sorvete americano. É vaidoso, apesar de negar. Costuma fazer um meio rabo de cavalo, com parte do cabelo presa e parte solta, o que ressalta os traços e os olhos verdes.

 

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