Diário da Região

29/01/2017 - 00h00min

CENTRO AGONIZA

Há 177 estabelecimentos fechados no quadrilátero central de Rio Preto

CENTRO AGONIZA

Guilherme Baffi Restaurante Salada Paulista, que fechou depois de 63 anos
Restaurante Salada Paulista, que fechou depois de 63 anos

Construído nos anos 1940, o hotel São Paulo, na rua Bernardino de Campos, deve ser um dos próximos estabelecimentos históricos a fechar as portas no centro de Rio Preto, após o fim do restaurante Salada Paulista. No século passado, abrigou de políticos a artistas consagrados, como o governador Adhemar Pereira de Barros, Cauby Peixoto, Sílvio Caldas, o grupo Demônios da Garoa, entre outros. Hoje, paga pela falta de um estacionamento e o abandono de clientes no Centro, além de enfrentar a concorrência das grandes redes hoteleiras que, desde a década passada, começaram a se instalar ao redor da cidade. 

É o diagnóstico que o coração de Rio Preto, o quadrilátero central, padece de cuidados. Nascido em 1980 e vital para o desenvolvimento da cidade, o centro, literalmente, sofreu com o passar dos tempos e, segundo comerciantes e economistas, só terá sobrevida se passar por todo um processo de revitalização. Segundo Liszt Abdala, secretário de Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo, há 177 estabelecimentos fechados e pouco mais de 400 abertos nessa área, delineada pelas ruas Prudente de Moraes e Sílvia Jardim entre as avenidas Bady Bassitt e Alberto Andalo.

"É um número altíssimo. O Centro é a referência para toda uma cidade que, como Rio Preto, reúne 2,5 milhões de pessoas (considerando visitantes)", disse Liszt. Trocado por shoppings, o Centro também teve seu processo de degradação acelerado após transferência das varas cíveis do Fórum, na rua Marechal Deodoro, para um prédio alugado, segundo presidente do Sindicatos dos Bares e Restaurantes, Paulo Roberto da Silva. "Entregamos uma solicitação ao TJ para a volta das varas cíveis e que deixasse aquele prédio alugado por R$ 200 mil."

Dois restaurantes próximos ao Fórum fecharam as portas após a mudança. O Fórum, hoje, só hospeda varas criminais. O secretário estuda promover a revitalização do quadrilátero em quatro partes, a primeira neste ano, e concluir o processo até 2020. No entanto, ainda aguarda pela definição do orçamento e estima que, para cada etapa, o gasto pode chegar a R$ 1,5 milhão. São obras no calçamento, fachadas, iluminação, plantio de árvores, instalação de câmeras, além de lixeiras e mudar fluxo de algumas ruas, com intuito de dar fluidez ao trânsito. "Temos que fazer do centro um local seguro. Onde há iluminação, segurança, não tem moradores de rua", disse o secretário.

"Também temos que estudar atrações noturnas, como em algumas cidades que há roteiro gastronômico." Além de Liszt, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Rio Preto (Sincomércio), Ricardo Arroyo, também demonstra preocupação com moradores de rua na região. Uma das tentativas do Sindicato é que o comerciante possa estender seus horários de trabalhos. "A abertura do comércio até 22h depende de alterar uma lei municipal que limita o funcionamento até 18h", disse Arroyo.

Clique AQUI para ver como vai ser a revitalização do Centro de Rio Preto:

Lição

A quantidade de lojas fechadas na avenida Bady Bassitt em meio às obras antienchente e de corredor de ônibus é uma lição. "Durante essas obras, que devemos concluir em quatro anos, teremos todo cuidado com o comércio local. As obras na avenida Bady Bassitt, por exemplo, prejudicaram muitos estabelecimentos, porque faltou diálogo e comunicação com os comerciantes", critica o secretário.

Estacionamentos

Para atrair o consumidor, Liszt estuda isenção de impostos, como o ISS (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para estimular criação de estacionamentos. Esse é outro ponto que faz o consumidor trocar o Calçadão por centros comerciais, como shoppings. "Primeiramente, vamos estudar bolsões, até mesmo na praça em frente ao Palestra ou na área onde funciona a Pedra (ponto de venda de veículos). Caso não tenha saída, vamos estudar como oferecer incentivos e propor a criação de uma lei.”

‘Poder público tem que intervir’

A revitalização do Centro é um sonho antigo da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto. A entidade investiu R$ 70 mil em um projeto do arquiteto Marcelo de Camargo Pala e apresentou ao poder público em março de 2010. Entre os detalhes, o material reúne mudanças na abertura de ruas, vitrines das lojas, passeio público, restauração das praças, alargamento e construção de calçadas com marquises, letreiros, criação de baias para embarque e desembarque, interligação de lojas com totens, além da criação de uma praça de alimentação a céu aberto.

"Não tem uma só medida que irá resolver, é preciso de uma ação do poder público e não só em obras de infraestrutura, necessita desde o ar mais limpo, a segurança e iluminação. O centro é fundamental para nossa economia, é o coração da cidade", disse Paulo Sader, presidente da Acirp. "É necessário dar condições para o consumidor chegar até os estabelecimentos. Difícil se o transporte até o local é insalubre e se lá for escuro e sujo. É uma demanda emergencial."

 

Hotel São Paulo - 29012017 Prédio do Hotel São Paulo foi construído em 1939

Hotel São Paulo é alvo de ação de despejo

Há uma ação de despejo por trás do prédio do hotel São Paulo de arquitetura imperial e vistas para o coração de Rio Preto, na rua Bernardino de Campos com a rua Silva Jardim. Dona do imóvel, a família Curti manteve o hotel e o cinema São Paulo, que perdeu espaço com as salas em shoppings. Já o hotel passou a ser arrendado. O último inquilino, Divino Antonio da Silveira, assumiu o hotel no final dos anos 1990, segundo Pedro César Curti Filho. 

No ano passado, os Curti, por meio do advogado João Mineiro Viana, entraram com o pedido de despejo contra Divino Antonio da Silveira, cobrando aluguéis no valor mensal de R$ 10 mil desde janeiro de 2015. "O Divino é inquilino do imóvel e o mantém desde o final dos anos 1990, mas ele deixou de pagar o aluguel e rejeitou qualquer possibilidade de acordo", disse Pedro. Agora veio a sentença. O juiz Lincoln Augusto Casconi, da 5ª Vara Cível de Rio Preto, deu ganho de causa para os Curti.

No despacho, Lincoln determina a desocupação do imóvel e também condena os inquilinos a pagarem a dívida no valor de R$ 196,5 mil. O Diário entrou em contato com Divino. "Não tenho nada com vocês", disse, pelo telefone, e desligou. Pedro Curti não garante se a família irá continuar com o hotel após a retomada do prédio por intermédio da justiça. "Será feito um estudo primeiro. O hotel é só uma parte do prédio, ali funciona comércio e há outros inquilinos."

Arquitetura diferenciada

O jornalista e memorialista Fernando Marques recorda a importância do hotel São Paulo para a história de Rio Preto. "O prédio foi construído em 1939 e, na época, era o segundo maior de Rio Preto. Ele ficava atrás apenas do edifício Caramuru", conta Marques. "Desde a construção, o prédio chamava atenção. É até hoje muito charmoso, um dos mais bonitos da cidade e com uma arquitetura diferenciada.

Lembro de o Cauby Peixoto ser um dos hóspedes. O Adhemar de Barros, quando não estava no Grande Hotel, em Ibirá, se hospedava no hotel São Paulo." O Diário também entrou em contato com os advogados de Divino na ação de despejo. João Antonio Mansur e Luanna Cristine Fernandes Gomes também não comentaram a ação de despejo. Por telefone, Luanna disse que não tinha autorização do cliente.

Salada Paulista

No último dia 7 de outubro, foi a lanchonete e pizzaria Salada Paulista, também na rua Bernardino de Campos, que deixou a cidade órfã. Aos 63 anos, já havia recebido clientes ilustres como o ex-jogador Pelé e o cantor Roberto Carlos. Inaugurada no dia 14 de fevereiro de 1953, a Salada Paulista foi a primeira pizzaria da cidade e caiu no gosto dos rio-pretenses, principalmente com a pizza de muçarela. O movimento caiu bruscamente e, segundo Eugenio Cristovam Aparecido Brigato, sócio e administrador, já não compensava mais tocar o negócio.

 

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