Diário da Região

22/01/2017 - 00h00min

PODE ENTRAR, A CASA É NOSSA

Aconchego do lar é atrativo para clientes em novo modelo de empreendimento

PODE ENTRAR, A CASA É NOSSA

Guilherme Baffi Reginaldo Góes e a cabeleireira Marie Yamada montaram um café na casa em que haviam alugado para morar
Reginaldo Góes e a cabeleireira Marie Yamada montaram um café na casa em que haviam alugado para morar

Seja bem-vindo, a casa é sua. Essa é uma nova proposta de empreendimento que atrai a clientela pelo aconchego e o privilégio de desfrutar do mesmo ambiente de quem está ali para atendê-la. Não se trata do home office, em que o empresário cria um ambiente dentro do espaço onde mora para trabalhar. Esse novo modelo, comum em outras partes do mundo, está ganhando espaço também no Brasil.

Há pouco mais dois anos, o fotógrafo Reginaldo Góes e a cabeleireira Marie Yamada decidiram que o imóvel que haviam alugado para trabalhar também poderia agregar um café. Logo em seguida nasceu o Lírios Café & Bistrô, em Rio Preto. "O Lírios nasceu como brigaderia. Minha mulher faz brigadeiro gourmet e as pessoas pediram para ela passar a vender. Pensamos na hora em abrir o café em uma parte da casa, que passou a ser também o nosso lar”.

De terça a sexta-feira, o ambiente é aberto ao público das 9h às 12h e das 15h às 19h. Aos sábados e domingos, das 8h às 12h. Entre outros alimentos, são servidos tapioca, misto, ovos mexidos, pão com ovo, pão de queijo, sucos, diferentes tipos de café, bolo de chocolate e brigadeiros. "Meus amigos passaram a vir em casa cozinhar para outros amigos e aí pessoas que vinham em determinado grupo queriam voltar em outros dias, foi então que decidimos abrir o bistrô", conta o empresário.

Os jantares são apenas às sextas-feiras e o cliente precisa reservar a vaga. A capacidade máxima é para 26 pessoas, mas geralmente são atendidas em torno de 20 pessoas. "Não há fila na porta, não queremos rotatividade. Quem vem é para bater papo, tomar um vinho, não se preocupar em ir embora", conta Góes. Nos outros dias da semana - às segundas é fechado - o espaço é aberto para receber exclusivamente grupos de amigos ou confrarias.

 

Pizzaria Bella Itália, em Bálsamo - 22012017 Clientes da pizzaria Bella Itália, em Bálsamo, casa do empresário Mauro Galizzi

Como o imóvel já comportava um salão, um estúdio fotográfico e um café, com a abertura do bistrô, sobrou aos donos dois quartos e dois banheiros, que ficam separados do restante da casa por uma porta. "Nós temos uma casa e alugamos essa apenas para trabalhar, como nossas filhas se formaram e se mudaram de Rio Preto decidimos alugar a nossa casa e nos mudarmos para cá. Um quarto fica para nós e o outro para receber nossas filhas, quando elas vêm", conta.

Segundo ele, criou-se um ambiente tão aconchegante que muitos clientes passaram a ser amigos do casal. "Eles realmente se sentem em casa. Vão do salão, onde seria a sala para o café, que fica na nos fundos, que seria a área de lazer e andam por todo o imóvel. A integração é tanta entre todos que neste Natal mesmo passamos na casa de um cliente que se tornou nosso amigo", diz.

Quem também resolver ter um restaurante em casa é o empresário Mauro Galizzi. Ele é sócio-proprietário da pizzaria Bella Itália, em Bálsamo. Ele conta que há sete anos comprou um grande terreno, construiu a casa nos fundos, com piscina e a parte da frente seria para uma pizzaria delivery. "Os clientes passaram a pedir para comerem lá também. Fiz uma ampliação e montei um salão para recebê-los", recorda.

Com o tempo e os laços entre clientes e os donos se estreitando, passou a ser praticamente impossível "controlar" as idas e vindas do pessoal até a piscina, onde fica também um grande quintal, com diferentes árvores frutíferas, plantadas pelo próprio Galizzi. "O pessoal vai lá e pega manga, uva, amora, jabuticaba, além de apreciarem as orquídeas que temos. Durante o dia a casa é nossa, mas das 18 horas à meia-noite, que é o horário de funcionamento da pizzaria, tudo é dos clientes", diz.

Ele diz não se importar com essa falta de privacidade. "O que temos é um ambiente caseiro, onde as pessoas ficam bem à vontade. E não temos problemas com excessos de intromissão. Muitos clientes se tornaram amigos e querem fazer parte da nossa vida, mas eles respeitam o ambiente."

 

Norma Vilar - 22012017 A casa e ateliê de Norma Vilar é um espaço polivalente, mas sem interferências entre trabalho e comodidade

Espaço para arte e vida no mesmo lugar

Galeria de arte, ateliê e lar dialogam entre si como se houvesse uma consanguinidade. Assim é a casa da artista plástica Norma Vilar, de Rio Preto. A decisão de ter um espaço polivalente foi feita, a princípio, por comodidade. Não precisar se deslocar para diferentes imóveis para trabalhar e também viver. Hoje, ela percebe que essa junção agrada seus clientes, que se sentem "especiais" por desfrutarem do mesmo ambiente que ela.

"A Frida, minha gatinha, é a mascote de casa. Todo mundo que chega quer pegar, fazer carinho e ela adora", conta. Além de poder ver as obras da artista, os visitantes também são convidados a tomar um café em um espaço de convivência que ela criou especialmente para proporcionar conforto e criar mais intimidade no ambiente. "Sempre tenho um cafezinho para receber meus clientes e também é lá que faço minhas refeições. 

A cozinha fica aberta para quem vai em casa. Ouço sempre que a energia da galeria é muito boa, que as pessoas se sentem à vontade, que é um ambiente aconchegante e descontraído", diz. Quem não perguntar à artista onde ela descansa, não vai adivinhar. É que Norma criou uma espécie de passagem secreta para sua suíte. No meio de tantas obras, um dos espelhos é a entrada para o quarto. "Olha que interessante, fui convidada a participar de uma exposição onde os artistas tinham que criar miniaturas de um conceito de casa para eles. 

E a minha obra foi inspirada na minha casa. Embaixo ficava a galeria e em cima um loft. É muito funcional trabalhar e morar no mesmo lugar. Eu gosto e acho muito legal". Mas a artista não permite que a comodidade da casa interfira no trabalho e nem vice-versa, para não se tornar refém do trabalho. "Quando acordo já coloco uma roupa como se estivesse indo para uma empresa, nada de ficar com roupas de dormir. Cumpro meu horário de trabalho diariamente, não deixo as questões pessoais de manutenção do lar interferirem na minha produção.

 

Taroba - 22012017 Taroba criou em sua casa o Cafundó, um espaço para difundir a cultura de Rio Preto

Também sei que o horário de descanso é meu e para minhas necessidades. Sou bem disciplinada quanto a isso", observa. Foi depois de ser convidado para fazer um show na Oficina dos Macacos, em Araçatuba, que o carteiro e músico Flávio Henrique dos Santos, o Taroba, decidiu criar em sua casa o Cafundó, um espaço semelhante para difundir a cultura de Rio Preto, isso há dois anos. Duas vezes por mês, aos domingos, Taroba abre sua casa para artistas de diferentes áreas se reúnem para criar e se apresentar para os visitantes.

"Fica no quintal de casa. O pessoal faz artesanato, se apresenta em shows, teatro, são atividades bem alternativas", conta. Taroba faz parte da banda Griots, que tem trabalhos autorais e acredita que não há muitos espaços em Rio Preto para que bandas como a dele se apresentem. "Quando o pessoal vai a um barzinho tem de tocar cover de artistas que são conhecidos. Em casa, os grupos mostram as suas criações", diz.

O próximo encontro ainda não está marcado, mas vai ser em fevereiro. Nesses domingos de atividade, o cafundó funciona das 17h até por volta das 22h ou 23h. Já chegou a reunir 200 pessoas em um mesmo dia, mas teve ocasiões em que o público girou em torno de 40 pessoas. "O complicado é que quando não vem muita gente, sou eu e minha mulher que temos que tirar do nosso bolso para pagar as bandas", diz.

A mulher de Taroba é a enfermeira Nataly, 29. "Ela não é artista, mas é grande apreciadora da arte", diz. Exatamente por isso não se importou em brir a casa deles para receber outras pessoas. Além das manifestações artísticas, o público também pode consumir bebidas e petiscos que são servidos no Cafundó. "Toda a renda é para pagar os artistas", diz. Geralmente tem tapioca, acarajé ou espetinhos.

 

Cássio Roberto Neves - 22012017 O massagista Cássio Roberto Neves recebe os clientes no apartamento

Massagista cria local para dar mais comodidade

Há cinco meses o massagista Cássio Roberto Neves mudou-se de onde morava para um apartamento maior. A decisão foi para dar mais comodidade aos clientes. É que ele agora usa a sala da casa para as massagens. "Antes era meio bagunçado. Criei um espaço só para atender meus clientes. Lá tem banheiro e água, caso queiram", explica. As pessoas entram pela única porta do apartamento, mas já se deparam com o espaço de massagem. 

Durante o procedimento, Cássio costuma colocar um som baixo para relaxar e, se o cliente quiser, incensos para aromatizar o ambiente. "A massagem que eu faço é terapêutica, por isso deixo à meia luz para proporcionar uma experiência de relaxamento também", conta. Nesses dois anos como massagista, Neves acabou criando amizade com alguns clientes. 

Mas isso não faz com que ele extrapole os "limites" do lar. "Quando alguém me chama para comer ou tomar algo, saímos de minha casa e vamos até um ambiente apropriado para isso. Sou bastante criterioso em relação ao meu trabalho. Sei separar os horários em que me dedico à massagem e os a que em dedico a minha vida pessoal. O tempo em que estou no trabalho é exclusivo para meus clientes", finaliza.

 

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