Diário da Região

28/01/2017 - 00h00min

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Cinco pessoas são internadas com AVC por dia na região

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Arquivo Pessoal Ana Paula Piccirillo, 43 anos, descobriu no esporte um caminho para a reabilitação
Ana Paula Piccirillo, 43 anos, descobriu no esporte um caminho para a reabilitação

A cada cinco horas uma pessoa é internada com Acidente Vascular Cerebral (AVC) na região de Rio Preto. No ano passado, entre janeiro e novembro foram 1.775 internações em decorrência da doença nos hospitais regionais. O número de mortes também é elevado: 213 morreram por complicações do AVC, média de 19 óbitos por mês. Os números são do DataSus, banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

O neurologista Ricardo Funes Bastos, da Funfarme, explica que há dois tipos de AVC: o isquêmico (mais comum), quando há um entupimento em uma ou mais artérias do cérebro, impedindo a circulação do sangue em uma parte do cérebro, e o hemorrágico, potencialmente mais grave, que ocorre quando um vaso se rompe e provoca sangramento intracraniano, como aconteceu com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, de 66 anos, mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na terça-feira, dia 21.

Marisa Letícia segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A jornalista Carla Nassif, 37 anos, também teve o AVC hemorrágico, em setembro de 2015. Na semana que antecedeu o AVC, ela sentiu fortes dores de cabeça e picos de pressão alta. No domingo, vomitou e teve convulsão. A companheira dela, Aline, que é farmacêutica, identificou a doença e a socorreu imediatamente até uma unidade de pronto-atendimento. “Entrei em coma e fui entubada.

Precisava ser transferida, mas a equipe médica acreditava que eu não resistiria porque meu grau era 4, e o 3 já é morte cerebral.” Passada a cirurgia, Carla demorou a entender o que estava acontecendo. Ela acredita que a combinação de sedentarismo e o momento emocional que passava foi o que causou o AVC. “Eu não gostava de praticar atividade física e pensava que assim estava ótimo, só tomando minha cervejinha.

Depois de tudo que me aconteceu, eu aprendi a prestar mais atenção na minha saúde. A gente faz tudo no automático. Aprendi a valorizar cada movimento ganho: hoje eu não tenho o movimento total no lado esquerdo, mas voltei a andar e é uma vitória”, comemora, acrescentando com bom humor: “brinco com a minha fisioterapeuta que conheci várias pessoas que tiveram o AVC isquêmico, mas o hemorrágico, só eu porque o resto morreu”.

Os fatores de risco para ocorrer um AVC são semelhantes aos do infarto do miocárdio: tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão e colesterol elevado. O neurologista explica que podem ser divididos em não modificáveis (idade, raça, constituição genética e sexo) e modificáveis (pressão alta, diabetes mellitus, doenças cardíacas). Dessa forma, a adoção de hábitos saudáveis e controle de doenças metabólicas e cardiovasculares são essenciais para prevenir esse mal. “Se o paciente tiver o controle de comorbidades de uma maneira satisfatória vai diminuir os riscos.”

O AVC é a primeira causa de morte e incapacidade no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV). Ana Paula Piccirillo, 43 anos, precisou reinventar sua vida depois de sofrer AVC isquêmico, em 2014. Gerente de uma loja e independente, diz que estava no auge da produtividade. “Feliz com as coisas que estava conquistando. No começo foi um choque. Minha vida mudou completamente. Precisei voltar a morar com a minha mãe porque não consigo mais manter uma casa”, conta Ana Paula, que até então era sedentária e descobriu no esporte um caminho para a reabilitação.

Dançarina de tango, ela também pratica atletismo – arremesso de peso, dardo e disco. “Estou ensaiando e em março vou participar do 4º Festival de Dança.” O provável aumento do número de AVC em mulheres jovens está associado, principalmente, ao tabagismo e ao uso do anticoncepcional. “Uma das causas seria a associação do uso crônico de anticoncepcional associado ao hábito de fumar, o que aumenta o risco de trombose venosa cerebral, uma das causas de AVC isquêmico,” diz o neurologista.

Clique AQUI para ver os sintomas de um AVC:

Botox auxilia na recuperação

Conhecido como uma arma poderosa contra as rugas e linhas de expressão, a toxina botulínica - popularmente chamada de botox - pode ser usada para ajudar vítimas de AVC. O tratamento é oferecido no Lucy Montoro, em Rio Preto, em cerca de 120 pessoas por mês. O tratamento com a toxina botulínica A age no músculo atrofiado, relaxando-o e possibilitando devolver temporariamente a mobilidade ao paciente. Com o músculo relaxado, o fisioterapeuta consegue atuar e evoluir com o tratamento, de forma que o paciente realize movimentos antes impossibilitados. As aplicações são realizadas a cada quatro meses ou semestralmente.

A fisiatra Regina Chueire, diretora do Centro Lucy Montoro, explica que a aplicação da toxina é parte de um tratamento multidisciplinar que envolve terapias complementares. “Abre uma porta para que a fisioterapia seja mais eficiente. O paciente com AVC perde o controle de grupos musculares e esses músculos ficam endurecidos. Ele até tem força e controle motor, mas não consegue fazer o movimento porque o músculo está rígido. A toxina botulínica vai inibir o neurotransmissor responsável pela contração muscular”.

O objetivo do tratamento é que o paciente retome suas atividades diárias de forma mais independente possível. “Possibilita melhora na movimentação voluntária do membro afetado e das atividades funcionais, como vestir uma camiseta, marchar, segurar um objeto, além de diminuir a dor causada pela rigidez do músculo”. A médica ressalta ainda que quem usa o botox para fins estéticos precisa respeitar um intervalo mínimo de três meses. “Caso contrário, se a pessoa precisar usar a toxina botulínica para tratamento de AVC não vai funcionar porque o corpo cria anticorpos”.

 

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