Diário da Região

13/01/2017 - 00h00min

PEGAÇÃO PERIGOSA

Point de pegação vira alvo de bandidos

PEGAÇÃO PERIGOSA

Johnny Torres Movimentação de veículos pelas ruas do Distrito Industrial: local ermo virou ponto de pegação
Movimentação de veículos pelas ruas do Distrito Industrial: local ermo virou ponto de pegação

Roubos, furtos, esfaqueamentos e agora morte. O local desses crimes é isolado, com baixa iluminação, cravado no Distrito Industrial de Rio Preto, e tornou-se um ponto de “pegação”, na maioria das vezes entre gays. O point da pegação ganhou até apelido: “Tião”. Mas esse mesmo isolamento também é atrativo para criminosos. Na madrugada de quinta-feira, um homem foi encontrado morto com o corpo perfurado por facadas. Foi uma tragédia anunciada.

Há dias, o local vem sendo alvo de crimes. O problema é que as vítimas desses crimes não comunicam os casos à polícia para evitar se expor. Consequentemente, a PM não reforçava a segurança no local. Um dos poucos crimes registrados oficialmente, o esfaqueamento de um homem de 27 anos ocorrido no dia 22 de dezembro, só chegou ao conhecimento da polícia porque a vítima foi hospitalizada. Não é a primeira vez que a população cria esses ‘points’ de pegação. 

Há cinco anos um outro local, batizado de ‘Renata’, que ficava atrás da Represa Municipal, também era frequentado por quem queria namorar ou fazer sexo dentro ou mesmo fora de carros. Na noite de quarta-feira, dia 11, horas antes do homicídio, uma equipe do Diário da Região foi até o “Tião” para saber dos frequentadores sobre a onda de criminalidade no local. Horas depois, o corpo do homem, ainda não identificado, foi encontrado.

A vítima estava vestida apenas com uma bermuda e não havia carteira, celular ou veículo no local. A polícia estima que tenha em torno de 55 anos. A reportagem teve acesso a fotos e áudios em que pessoas relatam casos de roubos e até imagem de um carro que seria o usado pelos criminosos nas abordagens. Mas motoqueiros também têm praticado crimes no local, além de falsos garotos de programa que fingem estar interessados em um parceiro, apenas para roubar e atacar as vítimas.

Em um dos áudios, a vítima conta: “Já faz uns cinco meses que estão rodando lá. A primeira vez que eu vi, eu saí de perto. Eles estavam em uma moto com a placa erguida. Eram dois rapazes, roubaram meus amigos. Quando fui roubado, tinha um Siena azul com rapazes novos rodando com os vidros todos fechados. Era 1h30 de uma quinta-feira e eles estavam com uma arma de cano longo, tipo metralhadora. Aí eles atacam, pedem tudo e se não tiver, levam o celular. Eles não têm medo de ir lá e tem semana que vão todo dia. Isso amedronta todo mundo e ninguém faz nada, porque a polícia não faz questão de ir lá.”

Em outros dois relatos, as vítimas falam sobre os criminosos e como são as abordagens no Tião. “Eu estava com outro amigo lá e nós dois fomos roubados por dois caras em uma moto com placa tapada. Eles estavam armados. Nós não estávamos dentro do carro, mas ao lado das árvores e eles se aproximaram e vieram pra cima. Levaram dinheiro, celular e ameaçaram”. “Fui roubado na quinta dia 5 de janeiro e eles roubaram todo mundo que estava lá, sem deixar um para trás. Levaram tudo: celular, carteira. Estavam armados e encapuzados e em um Siena azul velho.”

Na quarta-feira quando a reportagem esteve no “Tião” e abordou frequentadores, um casal que estava em veículo, pensou, inclusive, que se tratava de um assalto. “Quando vimos vocês, eu disse para descermos do carro e enfrentar os bandidos. Agora precisamos de todo cuidado aqui, porque a história que vem circulando é que os assaltos e ameaças estão acontecendo”, disse o homem, que não quis se identificar.

Ele contou, ainda, que nunca assistiu a cena de roubo ou qualquer outro crime, mas que conhece pessoas que não só viram como foram vítimas. “O pessoal tem contado que eles vêm numa moto com a placa tapada e abordam quem costuma ficar parado. Eu já fui alertado por pessoas que foram roubadas e até mesmo ameaçadas, porque eles usam armas e fazem ameaças”, disse. Questionado sobre a presença policial, o jovem, que é frequentador assíduo, alega que raramente vê viaturas pela região e quando as vê, elas apenas passam rapidamente e uma única vez.

Homicídio

A polícia tomou conhecimento do homicídio por volta de 4h30 desta quinta-feira, quando recebeu uma denúncia anônima de que havia um corpo caído na rua Elias Mahfuz, Distrito Industrial. No local, os policiais encontraram o corpo da vítima, que estava de barriga para baixo, com uma parte das pernas na sarjeta e o tronco na rua. A vítima é um homem de aproximadamente 55 anos, que não foi identificado e morreu após ser esfaqueado. Ele vestia somente uma bermuda marrom e sofreu golpes de faca no pescoço, no abdome e na face. O homicídio, de autoria até o momento desconhecida, será investigado pela DIG. Até o fechamento desta matéria, o corpo da vítima aguardava reconhecimento no Instituto Médico Legal (IML). 

 

Antigo ponto era na Represa

Com o fim da “Renata”, famoso local de pegação na região da Represa, próximo ao Sesi, em meados de 2012, algumas pessoas passaram a frequentar ruas do Distrito Industrial por serem ermas e abandonadas, o que facilita encontros amorosos e até mesmo sexuais. No início, um ou outro casal parava o carro e aproveitava o silêncio da região, mas com o passar do tempo, as ruas do local, que durante o dia movimentam caminhões e trabalhadores, passaram a servir também como oportunidade para encontrar uma aventura sexual. 

Carros circulam por um trajeto que envolve a avenida João Batista Vetorasso e as ruas ao seu redor: José Guide, Saad Abdalla Gattaz, Alberto Oswaldo Affini, Doutor Labiênio Teixeira de Mendonça e a Elias Mahfuz, sendo esta última o local do homicídio. Alguns veículos sinalizam o desejo de encontro com farol, já outros estacionam o carro e ficam parados em volta das árvores, à espera de um parceiro.

O movimento na região passou a ser tanto nos últimos tempos, especialmente no ano passado, a “pegação” também deu espaço a um point para conversar, ouvir música e se reunir com amigos. Sabendo da movimentação no local e da ausência de viaturas ou policiais próximos, nos últimos meses bandidos têm se aproveitado do fluxo para roubar, ameaçar e até mesmo esfaquear vítimas.

No caso ocorrido no dia 22 de dezembro, conforme informações do boletim de ocorrência, feito porque uma pessoa havia sido esfaqueada, a vítima teria sido abordada por um suposto garoto de programa que a teria levado até o Tião. Chegando lá, anunciou o assalto, roubou os objetos e atingiu a vítima com facadas no ombro, mão e costelas. São vários casos que vêm acontecendo e passam em branco. Entre os motivos, o temor de ser repreendido por frequentar o local. Com isso, as vítimas deixam de registrar a ocorrência e a criminalidade permanece no “anonimato”. 

‘Presença da PM no local vai ser maior’, diz capitão

Após o homicídio na madrugada de quinta-feira, dia 12, a Polícia Militar definiu que vai haver um direcionamento diferente no “Tião”. “Colocamos o local como de interesse de segurança pública e vai haver uma presença maior da PM lá. O comunicado já foi feito para o comando da companhia da área do Tião”, afirma o capitão Marcelo da Silva Lessa. Ainda na quarta-feira, o Diário havia procurado o capitão para questionar sobre a onda de criminalidade no “Tião”. 

Ele havia dito que a falta de registros de ocorrências era uma das razões para não haver um patrulhamento mais efetivo no local. “Uma das formas que a PM se orienta para definir sua atuação são os boletins de ocorrência, que mostram os locais mais críticos e o tipo de crime que ocorre em determinado ponto. Também são subsídios para que possamos identificar os criminosos e prendê-los.”

Ele aconselha que os casais não escolham pontos afastados, escuros e ermos para namorar, pois são chamarizes para o crime. “A pessoa fica mais vulnerável para ser vítima dos criminosos”, afirma. O capitão orienta os casais a irem até suas casas ou a motéis. “Além de assaltos, essas pessoas estão colocando sua integridade física em risco. É perigoso”, diz. Lessa afirma ainda que o patrulhamento apenas previne, mas quando a viatura sai do local, o bandido age. 

“A única forma efetiva de resolver esse problema é deixar de frequentar o local”, conclui. Segundo o delegado André Ayruth Balura, da DIG, desde a madrugada, quando a Polícia Civil foi comunicada sobre o homicídio, uma equipe de investigadores está nas ruas em busca de levantar dados para a identificação da vítima e do autor. Ainda não há uma linha de investigação. “Depois que identificarmos a pessoa, conversarmos com familiares para saber se portava objetos ou não, é que poderemos traçar a motivação desse crime”, diz o delegado. 

 

(colaborou Arthur Avila)

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