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Encontro entre mestre e pupilo
domingo, 1 de agosto de 2010
Hoje tem clássico entre Palmeiras e Corinthians
 
  Adhil Rangel/Gazeta Press
 
  Adílson Batista, ex-jogador de Felipão, estreia hoje no Corinthians

O clássico entre Palmeiras e Corinthians, às 16 horas, no Pacaembu, põe hoje frente a frente Luiz Felipe Scolari e o estreante Adílson Batista, técnicos que nunca duelaram entre si. Até aqui, o encontro dos dois só havia resultado em vitórias conjuntas. A maior delas foi há 15 anos, no Grêmio, quando Felipão ganhou a Libertadores e o então zagueiro Adilson era o capitão.

No ano seguinte, em 1996, conquistaram o Campeonato Brasileiro pelo time gaúcho e Felipão saiu com um belo contrato para treinar o Júbilo Iwata, do Japão. E chamou para o desafio o seu “Capitão América” - apelido dado a Adílson pelos gaúchos, após o título continental. “Tivemos uma ótima convivência no Grêmio, e no Japão foi ainda maior. Saíamos com os familiares para caminhadas e nossos filhos brincavam juntos”, lembra Adílson.

O ex-zagueiro recebeu elogios de seu antigo chefe. “O Adílson foi melhor zagueiro que eu. Era fantástico. Técnico e com boa impulsão. Não errava um passe”, afirma Felipão. “Ele sempre teve liderança dentro de campo, era o braço direito do treinador. Foi um dos melhores quarto-zagueiros com quem trabalhei.” Na transição de jogador para técnico, Adílson mais uma vez contou com o apoio de Felipão. No Cruzeiro, em 2001, o treinador recebeu seu ex-capitão para um estágio em Belo Horizonte.

  Sergio Barzaghi/Gazeta Press
 
  Em três jogos, Felipão ainda não venceu após sua volta ao Verdão



Em lados opostos hoje e com a rivalidade do clássico, os dois precisam mostrar serviço para suas respectivas torcidas. Com o mando de campo e sem vencer há três jogos, Felipão busca o primeiro triunfo em seu retorno ao Palmeiras. Em três jogos, perdeu um (4 a 2 para o Avaí) e empatou dois, com Botafogo (2 a 2) e Ceará (0 a 0).

Ele garante, porém, que o jejum não o incomoda. “Não vim aqui para ganhar um ou dois jogos. Vim para fazer um trabalho. Sabia que tinha de organizar a equipe. Não estou contente, mas não me deixa com dor de barriga”, afirma o treinador alviverde. A seu favor, Felipão tem o retorno de titulares como Marcos e Danilo, podendo escalar pela primeira vez o time completo.

Já Adílson Batista foi apresentado na terça-feira e faz sua estreia pelo Corinthians. Ele tem pela frente o desafio de apagar a sombra deixada por Mano Menezes. “O Adílson não fez em três dias uma revolução no Corinthians. Vai manter as mesmas características do Mano”, aposta Felipão. Sem Dentinho e Roberto Carlos, suspensos, Adílson fez mistério e fechou treinos durante a semana para decidir os substitutos - os mais cotados são Dodô e Iarley.

Treino fechado, por sinal, é uma tática comum aos dois técnicos. Talvez pela convivência, Adílson carrega características parecidas com o Felipão. Em Minas, quando treinava o Cruzeiro, frequentemente se irritava com a imprensa e isolava a equipe. “Ele (Adílson) é bem mais legal que eu. Um gentlemen e eu não”, defende Felipão.

O lado brincalhão também é comum aos dois. Em Belo Horizonte, ficou famosa a voadora que Adílson deu em uma placa de publicidade do Mineirão após um gol do Cruzeiro. “Fui incentivado pelo Maradona”, brinca Adílson, lembrando as comemorações bizarras do ex-técnico argentino à beira do campo.

  Ale Cabral/Futura Press
 
  Kleber espera acabar com o jejum do Palmeiras

Gladiador e Chicão travam batalha

Kleber, o Gladiador, foi uma das principais contratações do Palmeiras para a temporada. Desde que saiu do clube, após uma temporada de sucesso em 2008, a torcida sonhava com a volta dele. E ele voltou já sendo um dos destaques do time. Hoje, terá pela frente um zagueiro motivado. Revelado por Adílson Batista no Mogi Mirim, em 2001, Chicão quer mostrar serviço na estreia do técnico pelo Corinthians.

O zagueiro alvinegro, porém, sabe da dificuldade de anular o principal jogador do Palmeiras. Não esconde que fica incomodado com o estilo persistente e brigador de Kleber, que usa bastante os braços na hora de atuar. “Ele é um cara chato de ser marcado”, afirmou o zagueiro Chicão. “Vamos estudar o modo de ele jogar. É um jogador inteligente, que usa muito bem o corpo.”

Kleber, por seu lado, está mais preocupado com a situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Uma preocupação que se alastra pelas alamedas do Palestra Itália. Afinal, o clube não poupou esforços - e dinheiro - para novamente formar um super time. E mais uma vez os resultados não têm aparecido.

  Daniel Augusto Jr./Gazeta Press
 
  O ‘xerifão’ Chicão, do Corinthians



São 10 pontos que separam o Alviverde do Corinthians. Kleber acredita que chegou a hora de recolocar seu time de volta à briga do título. Mas é preciso passar pelo Corinthians hoje. “Todos sabem da importância dessa vitória, pra gente e para o Felipão”, contou, sabendo das dificuldades e pedindo mais raça para os companheiros. O atleta tem uma motivação a mais para brilhar hoje. Se balançar as redes, irá homenagear Giovanna, a filha que nasceu na quarta-feira.

Kleber enfrentou o Corinthians apenas duas vezes. Com a camisa alviverde, viu Valdivia fazer 1 a 0 no Estadual de 2008. No ano seguinte, pelo Cruzeiro, fez o gol de honra de sua equipe na vitória alvinegra por 2 a 1. O Corinthians, aliás, tentou a contratação de Kleber algumas vezes. Mas o Palmeiras sempre esteve em sua preferência. Hoje, ele terá a companhia de Ewerthon no ataque. E terá a segurança pela defesa estar reforçada.

Após desfalcar a equipe no último jogo, contra o Ceará, por causa de dores no joelho, o goleiro Marcos deve ser novidade para fazer sua partida de número 499. E o zagueiro Danilo retorna após cumprir suspensão. “Difícil termos surpresas para jogar”, disse Felipão, até pela falta de opções. A chegada de Adílson Batista pode ser um incentivo a mais. Além de lançá-lo no Mogi Mirim, me 2001, o técnico o chamou para jogar no Figueirense, em 2007, clube em que Chicão despontou no cenário nacional.

Ficha técnica:


Marcos (Deola); Vítor, Danilo, Maurício Ramos (Edinho) e Armero; Pierre, Marcos Assunção (Edinho), Márcio Araújo e Lincoln; Ewerthon e Kleber.
Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Julio Cesar; Alessandro, Chicão, William e Dodô (Leandro Castán); Jucilei, Paulinho, Elias e Bruno César; Jorge Henrique e Iarley (Souza). Técnico: Adílson Batista.

Árbitro: Paulo César de Oliveira (Fifa-SP). Local: Pacaembu, em São Paulo, hoje, às 16 horas, com transmissão ao vivo pelas TVs Bandeirantes e Globo.



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