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Thomaz Vita Neto
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A empresária Silene, que já tinha uma indústria de confecções, investiu em uma loja ‘plus size’
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Antenadas com as tendências e de olho num importante nicho de mercado, indústrias de confecções de Rio Preto e região voltam as atenções para um público ávido por moda de qualidade e adequada ao seu tipo físico, as mulheres “plus size”, ou seja, as de tamanho grande. Pelo menos dez indústrias atuam no setor regional, fábricas que trabalham com modinha tradicional e com numeração maior, sem contar lojas multimarcas especializadas que atendem nos shoppings centers de Rio Preto.
O sucesso das marcas voltadas às mulheres de manequim maior se deve, em parte, à percepção do empresariado de que se trata de um público importante, com boa renda e, acima de tudo, que quer se vestir bem, sem ficar preso à ditadura da moda, que privilegia mulheres magras. A estudante Larissa Cristina Portilho, 14 anos, conta que sempre esteve acima do peso e hoje veste o manequim 52. “Acho ótimo ter lojas em que possa encontrar roupas para mim, que me sirvam e que possa me sentir muito bem”, contou.
É com esse pensamento que a empresária Silene Cristina Viega, proprietária de um indústria de confecções, acaba de inaugurar uma loja totalmente voltada às consumidoras que são maiores do que o que é dito convencional ou que estão acima do peso. Inicialmente, ela resolveu montar a fábrica porque ela e a família estavam cansadas de sofrer para encontrar roupas bonitas e modernas adequadas aos seus manequins. “Hoje todas estamos na moda e bem vestidas”, disse.
Instalada em Rio Preto desde 2005, inicialmente a Forma Rara atendia apenas no atacado e vendia as peças para fora. Desde novembro, quando montou uma loja de varejo na cidade, o mercado se expandiu, tanto que o próximo passo é tornar a marca uma franquia. A empresa fabrica peças variadas entre os números 46 e 58, além de acessórios como cintos em tamanhos grandes. Os incluem camisetes, bermudas, calças, saias, terninhos, entre outros. “Fabricamos o que é tendência, roupas com estilo, elegantes. Antigamente, as peças voltadas às gordinhas eram mais básicas, mais convencionais”, disse.
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Thomaz Vita Neto
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A estudante Larissa Cristina gosta de lojas onde pode encontrar roupas que são adequadas a seu manequim
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Opções para jovens gordinhas
A empresária Vilma Almeida trabalha no setor há 14 anos, mas antes era apenas no atacado. Há três anos e meio, sentiu que o varejo estava buscando pelas peças e decidiu abrir uma loja. “Sempre acreditei no mercado porque faltavam opções para jovens gordinhas.” Hoje, além da loja e no atacado, há representantes espalhados pelo Estado de São Paulo. São 6 funcionárias e 30 costureiras terceirizadas, produzindo as peças da marca a Vitória Maior.
Atualmente, para a pronta entrega, as costureiras trabalham com a produção de alto verão, que prima por cores fortes e detalhes em renda e couro em peças como shorts e blusas regatas. “A coleção outono e inverno deste ano vai ter muito brilho e também couro nas peças de roupas.” Segundo Vilma, o mercado plus size é um sucesso e a tendência é de se igualar ao mercado de tamanho tradicional. Tanto que há desfiles específicos para o público, estilistas de renome focados nessa área, além de publicações de moda em revistas e sites. “O que se faz no tamanho pequeno pode ser feito no tamanho grande”, disse.
O setor está tão em alta que também tem seu próprio evento de moda. Nos dias 11 e 12 deste mês será realizado o Fashion Weekend Plus Size Inverno 2012, em São Paulo. A expectativa é receber 2 mil convidados que vão conhecer os lançamentos da estação de grifes do segmento no Brasil.
‘É um mercado gostoso, mas minucioso’
A empresária Rubia Fernanda Rodrigues da Silva viu na dificuldade em se vestir bem a ideia para o empreendedorismo. “Vendia ouro, mas cansei e passei a vender roupas. O problema é que não encontrava roupa para mim.” Na época, Rubia pesava 110 quilos. A mãe costureira também ajudou a criação da fábrica, há cerca de dez anos. O que começou num quartinho, hoje ocupa um salão, tem seis funcionários e mais de 30 terceirizados envolvidos no processo de fabricação das peças de roupas. A empresa atende no atacado e no varejo e fabrica peças variadas, tudo seguindo as tendências da moda.
“É um mercado gostoso, mas minucioso. Tem mulher que gosta de blusa frente única. Tem outra que não usa blusa sem manga. Então tem de diversificar os modelos para atender os gostos”, disse. Segundo Rubia, as peças de números maiores custam mais caro do que as tradicionais. A explicação é porque vai mais tecido na confecção. Mas esse não é um problema, já que as consumidoras querem é se sentir bem com seu próprio corpo em qualquer idade.
A marca Exagero atende às consumidoras que vestem a numeração de 44 a 60. E, para atender a uma mudança de perfil, a empresa vai expandir a numeração até o número 66, que seria para uma mulher que pesa por volta dos 150 quilos. “Para se sentir bem, a pessoa precisa se amar”, disse.
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Arquivo pessoal
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Sue Helen: “É um mercado muito abrangente”
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Oportunidade de trabalho para modelos especiais
O mundo da moda plus size, além de movimentar indústrias e lojas de confecções, abre espaço no mercado para novas oportunidades de trabalho que, se ainda não são suficientes para a independência financeira, permitem um reforço no orçamento e, principalmente, na autoestima das mulheres que se transformaram em modelos de manequim maior.
A advogada Mariana Ruiz Ianez, 29 anos, entrou para o mundo da modelagem plus size por acaso. No ano passado, foi descoberta por uma agência de São Paulo por meio de um site de relacionamento e convidada a integrar o casting.
“No início achei estranho, mas pesquisei sobre a agência, sobre a possibilidade de alguém com meu manequim poder modelar. Quando dei por mim, estava fazendo book, desfilando, fotografando”, conta.
Mariana não revela o peso, diz que esse segredo nem sua mãe sabe. O manequim varia entre os números 46 e 48, dependendo da marca. Agenciada também por uma empresa de Rio Preto, Mariana já fez fotos para catálogos e participou de um desfile para divulgação de uma coleção primavera verão. “Como sou advogada, tento conciliar os trabalhos de modelagem quando tenho a oportunidade de desenvolvê-los”, afirma. Segundo Mariana, os trabalhos para modelos plus size ainda são esporádicos e não há a mesma quantidade de oportunidades do que as voltadas às modelos de tamanho “normal”. “Dizer que uma modelo plus size tem a mesma credibilidade no mercado seria hipocrisia.”
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Arquivo pessoal
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Mariana: “Faço mais pelo prazer de me assumir”
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Ainda que não seja possível atuar na área como única fonte de renda, os cachês dos trabalhos ajudam bastante no fim do mês. “Mas, o prazer de assumir como e quem eu sou, desenvolver trabalhos com a minha imagem, mesmo gordinha é indescritível. Faço mais pelo prazer de me assumir e de manter minha autoestima nas nuvens.”
A publicitária Sue Helen Rossi, 24 anos, também trabalha com modelagem paralelamente à carreira principal há três anos. Agenciada por uma empresa de Rio Preto, faz desfiles, catálogos de lojas, anúncios e fotos, entre outras atividades. “É um mercado muito abrangente, que tem muitas possibilidades e poucas profissionais no segmento”, diz. Segundo ela, trabalhar no setor é rentável e possibilita investir em cursos de sua atividade principal, mas para ser modelo plus size é necessário preencher alguns requisitos: vestir manequim a partir do número 44, ser sensual, fotogênica e muito, mas muito simpática, com o sorrisão sempre estampado no rosto.
Ainda que esteja acima do peso, cerca de 20 quilos, Sue Helen diz que cuida da saúde, faz acompanhamento médico e exercícios eventualmente. Seu manequim é 48, o peso 90 e a altura 1,73 metro. “Nunca fui magra. Sempre lutei contra o excesso de peso. Então resolvi fazer alguma para me sentir bem, para ter a autoestima valorizada. Em breve vou me inscrever no concurso Miss Plus Size.”
Varejo também pensa grande
O varejo também está atento ao público feminino plus size de Rio Preto e região. Assim como encontra roupas e acessórios, é possível encontrar lingeries, maiôs, biquínis, camisolas e pijamas confeccionados em tamanhos maiores, também seguindo as tendências da moda. Na Dessous Lingerie, instalada em Rio Preto há 2,5 anos, as consumidoras encontram peças que vão do tamanho G ao 60. “Atendemos todos os tipos de consumidoras, mas nosso forte são as plus size, que buscam algo de qualidade, confortável e bonito”, conta a empresária Cristine Bonfá, proprietária da loja.
Segundo Cristine, o empreendimento nasceu em Rio Preto em função do potencial de mercado e da necessidade de atender a uma gama de consumidoras que andavam sem opções mais modernas e também sensuais quando se fala em roupa íntima. “Havia um déficit na cidade. Faltavam opções em numeração maior com modelagem moderna”, afirma. O empresário Ovídio Roberto Zaguini, proprietário das marcas Ele Grande e Vic, atua no segmento há 12 anos. A maior parte das roupas é de outras marcas, mas algumas peças, como as camisetas masculinas, têm modelagem própria e a confecção é terceirizada em Rio Preto mesmo. “Temos um estilista que acompanha as tendências da moda e segue uma linha mais jovem”, afirma.
Ele contou que o consumidor que usa manequim maior é exigente e quer o mesmo que é feito para os tamanhos menores, daí a necessidade de acompanhar o que está na moda. A loja masculina oferece a linha completa, desde cuecas, meias, linha praia, camisas, até ternos. A numeração das peças vai do 42 ao 80, usada por pessoas com cerca de 200 quilos. A variação é grande porque a cirurgia de redução do estômago se tornou comum e os consumidores plus size emagreceram. “Começamos a vender peças menores para atender o consumidor que gosta do nosso produto.”
Zaguini afirma que o mercado é bom, principalmente pelo fato de não haver muitas empresas especializadas no ramo. O empresário diz que as peças são entre 15% e 35% mais caras em função do maior uso de tecido. “Há alguns detalhes que fazem a diferença e conquistam o cliente, como o provador maior, com ar-condicionado no local”.
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