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Casa própria
domingo, 1 de agosto de 2010
Programa valoriza imóvel para classes C e D
 
  Sérgio Menezes
 
  Residência com dois dormitórios está sendo comercializada por R$ 135 mil

O lançamento do programa de habitação Minha Casa Minha Vida (MCMV), em pouco mais de um ano, provocou valorização de até 42% nos imóveis destinados às classes C e D, principalmente nos bairros da região Norte de Rio Preto.
Especialistas no setor afirmam que há um ano imóveis prontos dessa categoria eram vendidos por cerca de R$ 70 mil. Hoje, não são negociados abaixo de R$ 100 mil.

Nos terrenos, a valorização é ainda mais agressiva: áreas com tamanho médio de 200 metros quadrados, que eram vendidas entre R$ 25 mil e R$ 30 mil, hoje estão cotadas entre R$ 45 mil e R$ 50 mil (valorização de 80% e 66%, respectivamente). “Há poucas casas e terrenos disponíveis em relação à procura, por isso houve aumento de preço nesses padrões”, disse o delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Sidney Sabino Pietro.

De acordo com Pietro, o mercado passa por um bom momento, estimulado pelo programa MCMV, que veio suprir a carência habitacional do público que pertence às classes C e D. “Apesar de o mercado estar bom, só se vende o que está no preço. Não tem como querer ganhar muito”, disse. Daqui para a frente, ele acredita que os preços dos imóveis devem estacionar.

De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi) de Rio Preto, a valorização média dos imóveis destinados às classes C e D foi de 24% nos últimos 12 meses. Os residenciais (casas e apartamentos) valorizaram 18% e os terrenos, cerca de 30%. “Ainda existe espaço para a valorização porque a construção civil vive um bom momento e a tendência é melhorar em função da disponibilidade de crédito e demanda do programa Minha Casa Minha Vida”, afirmou Joaquim Ribeiro, diretor regional do Secovi. Ele destaca que não há estoque de imóveis sobrando. Tudo que é lançado em Rio Preto é vendido, afirma, porque existem condições favoráveis para o fechamento dos negócios.

  Sérgio Menezes
 
  Imóvel no bairro Gisete hoje vale cerca de R$ 100 mil; valorização expressiva

Exemplos

O proprietário da Vitória Imóveis, Odair Pereira da Silva, confirmou a valorização dos imóveis destinados às classes C e D. “A valorização média foi entre 30% e 40%”, disse. O perfil desse imóvel, segundo Silva, é de residências com áreas entre 40 e 69 metros quadrados, com dois dormitórios na maioria dos casos. Imóveis nos bairros Nunes, Caetano e Arroyo, que custavam entre R$ 70 mil e R$ 80 mil no final do ano passado, hoje estão avaliados entre R$ 100 mil e R$ 110 mil.

De acordo com o sócio-proprietário da Imobiliária Gouveia, Adalto Vieira Gouveia, o aquecimento ocorre no mercado como um todo, mas o destaque é mesmo essa fatia do segmento habitacional. No caso de terrenos, localizados na região Norte de Rio Preto, hoje o valor oscila entre R$ 45 mil e R$ 50 mil. Um ano atrás, segundo Gouveia, os valores oscilavam entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. Silva, da Vitória Imóveis, ressalta que a valorização dos terrenos tem impossibilitado o comprador a construir a casa com o valor do crédito liberado, porque ele já gastou mais da metade com o terreno.

Segundo Gouveia, as casas avaliadas entre R$ 70 mil e R$ 80 mil não são mais vendidas por menos de R$ 100 mil. Para Gouveia, a criação do programa MCMV foi benéfica para toda a cadeia, desde os ligados ao material de construção civil, passando por imobiliárias, até o proprietário do imóvel. “Embora o comprador esteja pagando mais pelo imóvel, hoje ele tem uma casa mais valorizada.”

Proximidade

O MCMV provocou outro efeito colateral nos preços: a valorização de imóveis em torno de empreendimentos, destinados a essa parcela da população. O empresário Egídio Idelfonso de Aguiar, proprietário da Imobiliária Aguiar, localizada no bairro Eldorado, conta que a terraplanagem de um conjunto habitacional na avenida Ernani Pires Domingues, no bairro São Jorge, já fez o preço de casas vizinhas, mais antigas e negociadas anteriormente por R$ 50 mil, passar para R$ 80 mil após o lançamento do conjunto habitacional. “Isso mexeu com o mercado”, disse. “As pessoas estão aproveitando a oportunidade, a propaganda.”

Para Aguiar, o programa Minha Casa Minha Vida também trouxe problemas para quem ganha menos. “Todos querem uma casa nova, de até R$ 100 mil, para aproveitar os R$ 17 mil dados pelo governo”, disse. Mas, ele ressalta que hoje não se acham casas do tipo porque o valor do terreno e mesmo da mão de obra subiram. “O imóvel usado subiu também, e ficou difícil até para as pequenas imobiliárias”, disse.

  Ferdinando Ramos
 
  Lançamento de empreendimentos ajudou a valorizar imóveis

Mais empreendimentos estão previstos

Uma das prova do aquecimento desse nicho do mercado é a quantidade de empreendimentos imobiliários em construção para a população de classes C e D em Rio Preto. A Rodobens Negócios Imobiliários está com seis obras em andamento e quase não há mais imóveis disponíveis que se enquadrem no programa. “Em função da velocidade de vendas, até o fim do ano devemos lançar cerca de 1,5 mil novas unidades dentro do Minha Casa Minha Vida”, afirmou Eduardo Gorayeb, diretor presidente da empresa.

Segundo Gorayeb, a Rodobens está bastante focada nesse segmento populacional, que tem um nível alto de exigência, mesmo que o nível econômico não seja tão grande. Com isso, a empresa acabou incorporando novas tecnologias, para construir um produto de qualidade, de rápida execução, com controle de custos e de preço acessível. “O nível de exigência e de status é alto. A qualidade valoriza ainda mais o imóvel, que também recebe mais investimentos do proprietário porque ele acha o custo benefício interessante.”

A Rodobens também adquiriu duas grandes áreas em Rio Preto destinadas ao projeto Moradas, da linha econômica, que se enquadra no programa Minha Casa Minha Vida. A construtora MRV Engenharia, que também atua com imóveis econômicos, anunciou a inauguração do complexo Três Rios, em Rio Preto. São três empreendimentos: Parque Rio Branco, Parque Rio Dourado e Parque Rio Ganges, todos localizados no bairro Eldorado, região Norte da cidade. Os três conjuntos têm estrutura de lazer com playground, gazebo e espaço fitness. A maior parte dos apartamentos é de dois quartos, mas também há unidades com apenas um.

Moradias

Outro exemplo da alta demanda de público é o programa de moradias da prefeitura de Rio Preto. Estão em construção 2.491 casas no Residencial Parque Nova Esperança, na região Norte, que fazem parte do programa MCMV. Inicialmente, projetava-se cerca de 4 mil casas, mas serão cerca de 5 mil unidades. Ainda assim, não será possível atender aos 24 mil inscritos no programa. Cada imóvel terá terreno de 200 metros quadrados, com área construída de 35 metros quadrados, distribuídos em dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço externa. No futuro, os proprietários poderão fazer ampliações.

O valor total de cada residência é de R$ 42 mil. As prestações serão de até R$ 50 ou 10% do salário mínimo. A seleção de famílias feita pela Empresa Municipal de Construções Populares (Emcop) considera os critérios do programa MCMV: famílias com renda de até três salários mínimos, idade mais avançada, menor renda, maior número de filhos, que tenham membros com necessidades especiais, entre outros quesitos.

Aumenta oferta de crédito na região

A oferta de crédito está tão mais acessível que a Caixa Econômica Federal, um dos maiores agentes financeiros do setor habitacional do País, fechou o primeiro semestre com R$ 442,6 milhões de crédito para a compra da casa própria na região de Rio Preto. O volume é 125,6% superior ao emprestado no mesmo período do ano passado, R$ 196,2 milhões.

Nos 136 municípios vinculados à Superintendência Regional da Caixa, foram financiados 6.746 imóveis em seis meses, contra 4.523 unidades entre janeiro e junho do ano passado, um aumento de 49,1%. Apenas pelo programa MCMV, a Caixa contratou 9.183 unidades nos 14 meses de existência do programa na região de Rio Preto, totalizando R$ 485,2 milhões. Nesta semana, o governo elevou para R$ 75 mil o valor dos imóveis que podem ser enquadrados no programa. Até então, o valor das construções imobiliárias era limitado a R$ 60 mil.


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