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Desconforto
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Em família: ansiedade afeta pais e filhos
 
  Orlandeli/Editoria de Arte
 
 

Crianças agitadas, briguentas e cheias de insatisfação é o que muitos pais, na mesma situação, têm visto em casa. Isto porque as aulas não retornaram no tempo previsto, o que fez com que os pais tivessem uma boa margem de tempo para observar mais de perto o comportamento de seus filhos. Não raro, a descoberta de que eles são potenciais vítimas da ansiedade, a exemplo de seus pais, tem causado certo desconforto nas famílias. Isto ocorre porque a maioria das crianças já não consegue mais conter seus impulsos diante da ociosidade. E não raro é despertado nos pais o alarme indicando que eles têm dificuldades comuns aos adultos, como lidar com algo que não conseguem identificar.

Quem passa pela situação é a enfermeira Q.B.S., 38 anos, mãe de dois garotos de 8 e 12 anos. “Eles brigam dia e noite e parecem estar com alguma deficiência contínua. Já não sei mais o que propor para que se entretenham. É como se nada desse conta da necessidade deles de descarregar energia. Tenho notado que parecem demais comigo quando tenho mil coisas para fazer e fico numa ansiedade, que não sei por onde começar”, explica. De fato, para especialistas em comportamento, não há dúvida que uma criança pode adquirir o hábito de se comportar de acordo com aquilo que vê no ambiente. Para a psicóloga Débora Dumbra Bonini, o ambiente influencia as crianças, não importa a situação.

Adultos ansiosos

É por este motivo, portanto, que se faz necessário realizar o diagnóstico preciso no adulto, uma vez que são eles os modelos da criança, até para que eles não apresentem problemas na hora de lidar com o surgimento de distúrbios na infância. De acordo com o psiquiatra Acioly Lacerda, professor da Universidade Federal de São Paulo, só com um diagnóstico apropriado é possível descartar a presença de depressão e fobias, males que acompanham a ansiedade. E embora reconheça que um diagnóstico efetivo seja um tanto difícil no início, é importante levar em consideração a gravidade da doença, pois existem tratamentos eficazes atualmente. “Os mais comuns envolvem psicoterapia e medicamentos, e para que haja o desaparecimento completo dos sintomas é preciso que seja aplicado um tratamento completo”, afirma.

O médico observa que um dos mais recentes antidepressivos, a duloxetina, que já foi estudada em mais de 6 mil adultos, tem dupla ação, aumentando e balanceando os níveis de serotonina e noradrenalina no cérebro. Por isso, atua sobre os sintomas emocionais (tristeza, ansiedade, humor depressivo) e físicos (fadiga, alteração de peso e sono, dores de cabeça, nas costas, no pescoço, entre outras) da doença, proporcionando significativo aumento da qualidade de vida do paciente.

Criança em desenvolvimento pode ser ansiosa

Com certa frequência, a ansiedade está associada à depressão, à fobia ou a outros sintomas e, nestes casos, deverá ser incluída em outras classificações. De acordo com a psicóloga Sonia Cristina Camargo Bessa, de São Paulo, no adulto é muito simples identificar que algo não vai bem. “Em especial, quando a vítima é portadora de algum grau de ansiedade pode deixar transparecer, logo nos primeiros momentos, alguns sinais de um quadro depressivo, por meio de irritabilidade, insônia, dores sem causa clínica definida, cansaço excessivo, baixa produtividade e dificuldade para tomar decisões, que não passam mesmo após um período de férias, por exemplo”, diz. Além da pressão e do excesso de trabalho representarem complicadores, situações variadas podem atingir os indivíduos de forma diferente.

A ansiedade infantil é causada por vários fatores, sendo o mais comum o tratamento que os filhos recebem em casa, segundo a psicóloga Patrícia Barbosa Rodrigues, do Colégio Santo Antonio, no Rio de Janeiro. Ela explica que ao não ser tratada, a ansiedade cristaliza-se e, carregada até a fase adulta, resulta em comportamentos de evitação, fóbicos, timidez. Os transtornos ansiosos na infância podem começar aos 6/8 meses de idade e quanto mais ansiosos forem os pais, maior a probabilidade da criança sofrer de ansiedade. A ansiedade é um fenômeno da natureza humana: sintomas leves de ansiedade diante de situações novas são absolutamente normais. Isso é até benéfico, pois serve como resposta adaptativa em muitas situações adversas.

A psicóloga afirma que a simples presença de ansiedade ao separar-se dos pais, por exemplo, não é um sinal de patologia, mas um fenômeno normal no desenvolvimento infantil, existindo naturalmente dos 6/8 meses de idade. “Mas quando falamos de ansiedade patológica, falamos de uma ansiedade crônica que vai se instalando progressivamente, que compromete a adaptação e o desenvolvimento infantil”, esclarece. Para conter o problema e preveni-lo dessa ansiedade crônica, basicamente é preciso uma boa relação. A maneira como os pais, a babá, os avós ou qualquer outro que cuide da criança, lidam com as situações da vida é que vai prevenir isso. Se a pessoa já tem uma tendência ansiosa, naquela hora de tensão em que todo mundo entra em desespero, aquilo se intensifica e nós, o que temos que ter como regra é: quanto menos ansiedade transmitirmos à criança, melhor. Temos de acalmar a criança, dar-lhe uma proteção tranquila. Assim a criança aprende que existem outras formas de avaliar a questão e lidar com ela, sem ser com alto grau de ansiedade.

 
 
 




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