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Terça-feira, 03.01.17 às 00:00 / Atualizado em 02.01.17 às 22:09

Para garantir emprego depois dos 60 anos

Millena Grigoleti
Mara Sousa Luiz Antônio Campanha - 03012017
Luiz Antônio Campanha perdeu o emprego, mas conseguiu voltar ao mercado por causa de sua experiência

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Mara Sousa Luiz Antônio Campanha - 03012017
Luiz Antônio Campanha perdeu o emprego, mas conseguiu voltar ao mercado por causa de sua experiência

Há cerca de dois anos, Luiz Antônio Campanha, de 66 anos, recebeu a informação do seu chefe que deveria procurar outro emprego. Luiz trabalhava como auxiliar financeiro em uma empresa, no ramo de locação de filmes, que, por conta da situação econômica do país e das muitas outras possibilidades de conseguir assistir aos longas por preços mais baixos, ou até sem custo nenhum, estava cortando gastos.

Com mais de 60 anos e diante de um mercado de trabalho muitas vezes preconceituoso com pessoas mais velhas, ele teve que correr atrás de uma nova fonte de renda. “Busquei ajuda nos classificados do Diário da Região e na mesma semana que enviei meu currículo recebi uma ligação de uma psicóloga para entrevista, porém, o salário oferecido era bem abaixo do que recebia atualmente. Acabei dispensando pois precisava de ganhar mais para manter meu orçamento”, conta o técnico em contabilidade.

Campanha faz parte de um grupo que tem se destacado nas estatísticas: as pessoas com mais de 60 anos que continuam no mercado de trabalho. Com o envelhecimento da população brasileira (a expectativa de vida atual é de 73,62 anos) e as mudanças na lei da aposentadoria, a participação dessa faixa etária cresce.  “Estas pessoas estão tendo de trabalhar por mais tempo para conseguir se aposentar e muitas vezes encontram dificuldades em conseguir uma nova oportunidade no mercado de trabalho.

O preconceito e o despreparo das empresas hoje são os responsáveis por esta delimitação”, diz Camila Pedrini Marcos, psicóloga e pós-graduada em Gestão de Pessoas, que atualmente atua como gerente de RH em uma empresa do setor alimentício. Apesar das dificuldades em conseguir um emprego após os 60 anos, Campanha superou as dificuldades e, graças à sua capacitação e experiência, conseguiu uma vaga. 

“Passados dois dias fui chamado novamente para uma outra entrevista no mesmo local. Foi oferecido para mim trabalhar meio período ganhando quase o mesmo salário do período todo. Até então, o candidatos mais jovens que apareceram não tinham a mesma experiência profissional e o perfil para o cargo”, comenta. “Claro que aceitei. Depois disso, tive que procurar outra coisa para cobrir o meio período que estava vago. Então fiquei sabendo que um amigo precisava de alguém para auxiliá-lo nos seus negócios. Falei com ele e deu certo. Fui contratado e isto já faz quase um ano.”, relata.

 

Arte - Emprego na 3ª Idade - 03012017 Clique na imagem para ampliar

José Maria Perez Brognara, 60 anos, é exemplo da experiência que os maiores de 60 anos têm. Hoje vigilante em um banco, ele já atuou como tipógrafo, cabo da força aérea, estatístico, agricultor, fazendo telhados e carretilheiro. Teve experiências no Iraque e na Espanha. O trabalho na Europa, fazendo telhados e operando máquinas e depois como vigilante, possibilitou que ele criasse o casal de filhos. Hoje, José aguarda o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para tentar uma vaga em uma universidade, no curso de relações internacionais.

“Sempre gostei muito. Escutava muito a rádio na Espanha, coisa relacionada com economia”, afirma. E ele garante: continua aprendendo. “Vou aprendendo com o cliente o dia a dia das empresas, como atuam no mercado hoje”, diz. De acordo com o Estatuto do Idoso, é considerada pessoa nesta condição quem possui idade de 60 anos ou mais. O reflexo disto é uma população de quase 23,5 milhões de idosos, ou seja, 11,34% da população brasileira. Em Rio Preto, a maioria dos idosos ainda estão no mercado de trabalho. Baseado em dados do IBGE, estima-se que existam cerca de 25 mil idosos e 66% destas pessoas ainda trabalham.

Experiência e maturidade

A geriatra Liha Bogaz defende que as pessoas com mais de 60 anos devem trabalhar. “Manter-se ativo é muito bom para quem está passando dos 60. Eles têm um diferencial que é maturidade e experiência. Dependendo do cargo que ocupa, ele está alguns passos à frente de algumas pessoas”, afirma. Conviver com pessoas também traz benefícios. Outro diferencial é que, nessa idade, os filhos em geral já cresceram. 

“Tem uma valorização diferente do trabalho, uma vida mais tranquila, tempo para se dedicar um pouco mais, para curtir aquilo realmente”, diz. Ela brinca que hoje os considerados idosos não ficam mais em uma cadeira na varanda. “Eles têm todo um gás. Há uma outra vida começando depois dos 60, muitos anos pela frente. Têm sabedoria, maturidade, muito a contribuir com a sociedade. Precisam se preparar para esse envelhecimento, viver bastante e viver bem”, afirma. 

A consultora em recursos humanos e coach na empresa Triahr, Ana Martinez, diz que flexibilidade para adaptar a novos ambientes e novas culturas, bom relacionamento para trabalhar em equipe, e jovialidade para mostrar disposição para ir em busca de resultados são algumas das características que são procuradas pelos contratantes, e podem fazer com que, mesmo após os 60 anos, a pessoa consiga ter sucesso na procura por um emprego. 

“Pessoas com 60 anos ou mais têm muito a colaborar, afinal elas têm o que as empresas mais precisam: a experiência.” “Para admissão de um profissional na empresa, o perfil da vaga deve estar claro para o recrutador. Detalhes como idade, experiência, escolaridade, responsabilidades e competências devem ser levados em consideração. Nunca o fator idade deve ser o primeiro critério para exclusão do profissional.”, diz a psicóloga e gerente de RH, Camila Pedrini. 

 

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