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Quinta-feira, 04.06.15 às 00:20 / Atualizado em 03.06.15 às 00:20

Professora rio-pretense publica poema em livro austríaco

Larissa de Oliveira
Guilherme Baffi Julice da Gama de Carvalho
Inspiração para o projeto no qual figura a professora rio-pretense foi a paquistanesa Malala Yousafzai, prêmio Nobel da Paz, e sua luta em favor do direito das mulheres

O direito à liberdade de expressão e educação e o combate à violência contra as mulheres estão nas entrelinhas do poema "Novo Amanhã", da professora aposentada Julice da Gama de Carvalho. O texto da escritora rio-pretense faz parte do livro austríaco "Time To Say: No!" (Hora de Dizer: Não!), que tem como referência a luta da paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora do prêmio Nobel da Paz 2014. 

Em 2012, a jovem, na época com 14 anos, levou um tiro, quando voltava para casa vindo do seu colégio. Ela foi atacada por terroristas do Taliban, por causa do seu ativismo em prol dos direitos das mulheres. Em seu blog, a paquistanesa escreveu que garotas que viviam em Swat-valley eram impedidas de frequentar a escola. 

O caso ganhou repercussão mundial e chamou a atenção da PEN, comunidade mundial de escritores de 100 países. A instituição propôs que, em 2013, expressassem, por meio da escrita, apoio aos temas defendidos ou discutidos por Malala, em sua própria língua. A Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio de Janeiro (Apperj) ficou responsável por selecionar os textos no Brasil. 

Entre os 24 conteúdos produzidos por brasileiros está o poema de Julice. Os textos também foram avaliados pela PEN antes de serem publicado. O livro, que teve sua versão on-line disponível em 2013 e a impressa no ano passado, conta com 366 textos de 41 países. Na página 87 está o texto de Julice. "Eu fiquei sabendo do concurso e resolvi inscrever o meu poema. 

Foi uma satisfação quando soube que meu poema tinha sido selecionado", conta Julice. "É muito gratificante saber que com minha escrita posso ajudar a debater temas que interferem na vida das pessoas", completa. Há 25 anos, a professora diz que produz textos com base no que a rodeia. A moradora de Rio Preto lecionou em escolas estaduais e particulares da cidade.

"Quando dava aula, eu incentivava a produção e interpretação de textos dos meus alunos. Paralelamente, eu também produzia. Tenho pelo menos 100 textos, entre poemas e crônicas", conta a autora. Ela defende que a leitura e a escrita são a base de tudo. "Por isso que elas devem ser incentivadas. Não só pelo professor de português ou de redação, mas pelas outras disciplinas também. 

Os poemas, por exemplo, não são muito valorizados, mas é porque são pouco trabalhados em sala de aula. Muitos alunos escrevem bem, mas não recebem o incentivo necessário." Em relação a essa nova geração totalmente conectada, a professora não vê problema. "Desde que as pessoas se preocupem em se atualizar sobre os fatos que as rodeiam. Malala mesmo ficou conhecida porque publicou em seu blog, na internet. Mas ela sabia o que acontecia com as garotas de seu povo e se manifestou."

Referência

A seleção de poemas aconteceu antes de Malala ganhar o prêmio Nobel da Paz, em 2014. 
No dia 8 de março de 2013, alguns dos poetas realizaram uma manifestação, no centro do Rio de Janeiro. Eles leram os poemas publicados no livro. Uma cópia foi encaminhada a Malala.


Novo Amanhã

Basta um desejo insano
Pela ânsia do poder
A tirania se instaura
De forma desmedida
O amor se esvai
E a paz fica perdida.

A voracidade se inflama
E rostos sem nome
Irmanam-se enfileirados
Sem questionar o inusitado.
Os estampidos irrompem
Anunciando o início da barbárie.
Arrebatam os valores humanos
De paz, liberdade e educação
Silenciam vozes portadoras
Do direito de expressão.

Mulheres indefesas
Clamam por paz e justiça
Mas o sonho almejado
É um grito sem eco
E corpos dilacerados
Salpicam de tristes cores
O solo envergonhado.

A natureza perdida
Não mais encontra a paz
Recolhe os restos de dores
Clama pelo amor esquecido
E explode o choro contido.

Os portadores da luz
Perseguem o grito ansioso
Iluminam um novo quadro
Fortalecem as esperanças
Anunciam paz, liberdade
Devolvem a palavra perdida
E um novo futuro
Aos adultos e crianças.

Julice da Gama Alves de Carvalho

 

 

 

 

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