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Sábado, 12.08.17 às 00:00

Trompetista israelense e guitarrista norte-americano tocam em Rio Preto

Beto Carlomagno
Divulgação 3VAA_WEB
Filho do compositor Yisrael Borochov, Itamar Borochov é aclamado por sua habilidade em mesclar bebop e hard bop a ritmos pan-africanos

O último dia do Festival Sesc Jazz & Blues promete uma variedade de sons, referências e estilos, além de alguns encontros sonoros inusitados. Artistas brasileiros, um israelense e outro norte-americano dividem as atenções.

A noite começa com o mais inusitado dos encontros, com o show gratuito da banda Pó de Café, de Ribeirão Preto. Eles sobem ao palco da comedoria do Sesc Rio Preto a partir das 20h para apresentar o repertório do seu mais recente álbum, Terra, lançado este ano, e que une jazz e música caipira, mais especificamente o sertanejo raiz.

“É o que chamamos de jazz caipira. Apresentamos releituras de músicas caipiras, como Rei do Gado, Rio de Lágrimas e Tristeza do Jeca, e composições nossas, todas inspiradas nessa mistura de ritmos”, conta Bruno Barbosa, que toca contrabaixo na banda. Completam o grupo Rubinho Antunes (trompete), Duda Lazarini (bateria), Murilo Barbosa (piano), Marcelo Toledo (saxofone), Neto Braz (percussão) e Ricardo Matsuda, em participação especial tocando viola.

Unir esses dois sons tão distintos foi algo que sempre despertou o interesse de Bruno, especialmente por a música caipira ser parte tão integral na vida de todos os membros da banda. “Sempre quisemos refazê-las com arranjos de jazz, mas foi um processo que demandou tempo. A dificuldade é porque essas músicas são muito conhecidas de todos e quase intocáveis”, afirma.

A solução foi desconstruir cada uma dessas composições clássicas, respeitando sempre sua melodia e a profundidade das obras. “Mudamos ritmos e harmonias sem mudar a base que torna essas músicas em clássicos”, explica Bruno.

Em seguida, no palco do ginásio do Sesc, a espontaneidade do jazz se une às melodias e harmonias do Oriente Médio na apresentação do israelense Itamar Borochov, trompetista de 33 anos, aclamado por sua habilidade em mesclar bebop e hard bop a ritmos pan-africanos. Sua vocação é também uma herança. Itamar é filho do compositor Yisrael Borochov, pioneiro da música étnica em Israel, o que o levou à música cedo.

“Comecei a tocar quando eu tinha três anos. Meu pai é músico e dois tios do lado da minha mãe também. Toquei violino primeiro, depois fui para o piano clássico e então a guitarra. Peguei um trompete com 11 anos e me apaixonei. Mesmo sendo difícil tocar, eu era atraído a ele. A paixão pelo jazz veio ouvindo músicas”, conta ao Diário.

As inspirações de Itamar são muitas e variadas. Desde a música feita pelo próprio pai até Miles Davis, Kenny Dorham, Lee Morgan, John Coltrane, Duke Ellington, Louis Armstrong, Michael Jackson, Prince e até Tom Jobim.

“Há, ainda, todo tipo de música tradicional das mais variadas tradições judaicas mantidas por imigrantes posteriores a Israel, especialmente aqueles que estavam ao meu redor, como judeus Bukharian (na nossa família), norte-africanos e iemenitas”, diz.

Dessas muitas referências nasceu o som tocado por Itamar, o que ele descreve como um processo muito natural de criação. “Um processo natural que eu não estava decidido a fazer intencionalmente. Essa é a música que eu ouço na minha mente. Por alguma razão, crescemos ouvindo aqueles clássicos (do jazz) da Blue Note, Prestige e Impulse, gravações dos anos 1950 e 1960 que me pegaram.”

3VAB_WEB Kirk Fletcher é um performer: seus shows são cheias de energia

O norte-americano Kirk Fletcher encerra a noite e o festival com blues direto da fonte acompanhado de Adriano Grinenberg (teclados), Renato Limão (baixo) e Victor Busquets (bateria). Fletcher traz a tradição para os palcos, mas com abordagem descrita como moderna e autêntica. Quando o bluesman começa a tocar, não tem como não notar a influência de ídolos do blues como B.B. King, Robben Ford, Doyle Bramhall, Ry Cooper.

O guitarrista começou a se interessar pelo instrumento criança ainda, na igreja do pai, enquanto via o irmão mais velho tocar guitarra. “Ele me ensinou e me deu alguns discos para ouvir. Participei de diversas bandas enquanto crescia na região de Los Angeles. Então, vi Albert Collins ao vivo e aquilo me fez querer ser músico tocando blues.”

Na carreira adulta, trabalhou com grandes nomes da música, como Kim Wilson, Pinetop Perkins e Charlie Musselwhite. Seu primeiro álbum solo saiu em 1999, chamado I’m Here and I’m Gone. O segundo, Shades of Blue, veio cinco anos depois. Esses trabalhos, totalmente instrumentais, levaram ao terceiro projeto, My Turn, de 2010, onde Kirk finalmente soltou a voz.

“Estava querendo seguir meu próprio caminho e, em blues, as letras são importantes para mim. Eu apenas deixo a música tomar conta. Pode acontecer a qualquer momento para escrever uma música”, diz, sobre seu processo de criação.

Fora a programação do festival no Sesc, antes, a partir do meio-dia, tem apresentação da banda rio-pretense Blues Custom.

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