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Domingo, 16.07.17 às 00:00 / Atualizado em 15.07.17 às 16:39

‘Hebe inventou um jeito de fazer TV’

Tatiana Pires
J. Egberto/Divulgação Artur Xexéu - 16072017
Um dos aspectos que chamaram mais atenção do biógrafo durante a pesquisa foi o lado cantora de Hebe Camargo, que acabou ofuscado pelo talento dela como apresentadora. Uma das principais fontes para o trabalho de Xexéu foi uma moradora de Santos, que acompanha tudo da Hebe desde 1946

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J. Egberto/Divulgação Artur Xexéu - 16072017
Um dos aspectos que chamaram mais atenção do biógrafo durante a pesquisa foi o lado cantora de Hebe Camargo, que acabou ofuscado pelo talento dela como apresentadora. Uma das principais fontes para o trabalho de Xexéu foi uma moradora de Santos, que acompanha tudo da Hebe desde 1946

Ao pensar em Hebe Camargo, na cabeça da maioria das pessoas vem a imagem da apresentadora, elegantemente sentada em seu sofá, entrevistando uma celebridade. A vida da artista que por muitos foi chamada de Rainha da Televisão Brasileira é contada pelo jornalista carioca Artur Xexéu em Hebe, a Biografia. Na obra de 264 páginas, o autor mostra as inúmeras facetas da loira de gargalhada fácil, gestos carinhosos e humor sagaz, e que só não seguiu carreira como cantora porque seu carisma e estilo despojado funcionaram muito bem como apresentadora de TV.

Na empreitada, Xexéu contou com uma colaboradora muito especial, que abreviou um trabalho que levaria anos para o biógrafo. Moradora de Santos, Leonor Teixeira conheceu a ainda cantora Hebe em 1946, quando as duas tinham 17 anos. A artista nascida em Taubaté se apresentava no Cine Atlântico, na Praça da Independência. E foi ali, bem no início da carreira, que ela conquistou sua maior fã. Desde então, dona Leonor começou a recortar todas as notícias sobre sua artista preferida e arrumá-las cuidadosamente em álbuns.

O autor também entrevistou amigos, colegas de trabalho e familiares que o ajudaram a escrever sobre a vida da apresentadora, morta em setembro de 2012, após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, no Morumbi, em São Paulo. Ela lutava contra um câncer no peritônio, diagnosticado em janeiro de 2010. Na próxima sexta-feira, 21, o filho de Hebe, Marcello Camargo, estará em Barretos para o lançamento oficial do livro na Livraria Nobel do North Shopping Barretos, a partir das 20h. 

No dia anterior, 20, Marcello realiza uma ação junto ao Fundo Social de Solidariedade de Barretos, no Asilo Vila dos Pobres, que atende 21 homens e 33 mulheres, todos idosos e sem apoio familiar. Parte da renda obtida com a venda de livros na noite de lançamento e alguns exemplares serão doados ao Fundo Social para investimento na Vila dos Pobres. A noite de lançamento do livro é aberta ao público. Marcello, filho único de Hebe Camargo, estará à disposição para autografar os livros dos fãs da artista.

 

Livro Biografia da Hebe - 16072017

Diário da Região - Como foi o trabalho de pesquisa para contar a trajetória de Hebe Camargo?

Artur Xexéu - O trabalho de pesquisa foi muito facilitado por uma mulher que era muito ligada a Hebe. Dona Leonor é uma fã de Santos que tornou-se amiga de Hebe desde o início da carreira da apresentadora e cantora. Desde este início, ela passou a fazer álbum de recortes com tudo que saía sobre Hebe na imprensa. Esses álbuns cobrem desde os primeiros passos na carreira até a morte de Hebe. Assim, quando comecei o trabalho, já tinha a trajetória completa da artista registrada em jornais e revistas.

Diário - O que o motivou a contar a história de Hebe?

Xexéu - Não era amigo de Hebe. Estive com ela algumas vezes, profissionalmente. Eu, como repórter; ela, como entrevistada. Fui convidado pela editora para escrever o livro, mas abracei o projeto como se fosse um projeto pessoal.

Diário - Hebe Camargo era uma personagem rica, à frente de seu tempo. O que mais lhe chamou a atenção na vida profissional dela?

Xexéu - O que mais me chamou a atenção foi a trajetória dela como cantora. Hebe começou sua carreira cantando e o talento de apresentadora acabou ofuscando essa faceta dela. Por mais de uma vez, Hebe declarou que gostava mais de cantar do que de apresentar. Tentei recuperar essa carreira de cantora.

Diário - Na sua opinião, qual foi o papel da Hebe na história da televisão brasileira?

Xexéu - Hebe faz parte de um time que ajudou a inventar como se fazer televisão. Como ela esteve no ar desde o começo de tudo, tudo tinha que ser inventado, ninguém sabia como deveria ser feito. E ela, sem dúvida, inventou um jeito de apresentar e entrevistar que era único.

Diário - Após se debruçar na pesquisa sobre uma das maiores personalidades da televisão brasileira, sua imagem sobre Hebe mudou?

Xexéu - Talvez a principal característica de Hebe tenha sido a espontaneidade. Por isso, não dá para dizer que há uma Hebe a ser descoberta. Ela era o que mostrava em seus programas de televisão.

Diário - Existe substituta para Hebe Camargo hoje em dia?

Xexéu - Acho que não. Há apresentadoras talentosas, é claro. Mas as características de Hebe Camargo morreram com ela.

Diário - Há muitas histórias sobre Hebe que precisam ser contadas. Quais foram as principais polêmicas em que ela se embrenhou?

Xexéu - Hebe, no seu período no SBT, se tornou uma porta-voz do combate à corrupção. Por isso mesmo, com os editoriais que abriam seu programa, comprou várias brigas com os políticos de Brasília. Chegou a ser ameaçada de processo pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães.

Diário - E os episódios curiosos de sua vida pessoal?

Xexéu - Há as joias que ela ganhou do milionário Peppino Matarazzo quando o namorava. Quando terminaram o relacionamento, Hebe devolveu todas - dizem que eram mais valiosas do que todas as outras joias que ela acumulou depois - e exigiu que Peppino assinasse um recibo para que ninguém dissesse que ela estava com ele por interesse.

Diário - Atualmente, o feminismo é uma pauta que está muito em voga, e Hebe, quando começou a carreira como apresentadora, tinha comportamentos feministas. Ela era uma feminista? Esse traço mais contribuiu para o seu crescimento profissional ou de algum modo a prejudicou?

Xexéu - Ela rejeitava o rótulo. Aliás, ela rejeitava todos os rótulos. Mas ela exerceu, sem dúvida, um papel importante no começo do feminismo. Em 1955, passou a apresentar um programa de televisão chamado O Mundo é das Mulheres. Nesse programa, só entrevistava personalidades do sexo masculino e tentava esclarecer para eles o papel da mulher na sociedade. Pode-se dizer que era uma espécie de pré-feminismo no ar.

Diário - Qual curiosidade você citaria para instigar o leitor a ler o livro?

Xexéu - Ah... É uma vida cheia de peripécias. Há a descrição de um acidente de avião que ela sofreu no Pantanal. Há sinais de que o casamento com Lélio (Ravagnani, com quem foi casada por 29 anos) não foi um mar de rosas. Foi uma vida muito rica. Está tudo no livro.

Diário - Qual foi a maior dificuldade que o senhor encontrou ao elaborar a obra? O jeito espontâneo e aberto de Hebe chegou a assustar ao passo de pensar que não houvesse revelações a serem publicadas?

Xexéu - Assustou, sim. Mas acredito que cada leitor descobrirá alguma coisa no livro. Talvez nem todos os leitores descubram a mesma coisa. Mas há o que descobrir para cada um.

 

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