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Sexta-feira, 17.02.17 às 00:00 / Atualizado em 16.02.17 às 20:15

Coronel Ilo Xavier lança livro com ‘histórias incontáveis

Francine Moreno
Mara Sousa Coronel Ilo Mello Xavier - 17022017
Amante das letras e do cinema, coronel natural do Rio de Janeiro chegou a Rio Preto em 1958

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Mara Sousa Coronel Ilo Mello Xavier - 17022017
Amante das letras e do cinema, coronel natural do Rio de Janeiro chegou a Rio Preto em 1958

O coronel Ilo Mello Xavier, que foi comandante do 17° Batalhão da Polícia Militar de Rio Preto, é também um contador de histórias. Ele recebeu a reportagem na manhã de quinta-feira, 16, em sua casa na rua São João, Boa Vista, e logo começou a contar a origem de seu nome. Disse que, quando ainda era cadete e estava na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, foi abordado pelo comandante da época, que disse a ele que Ilo era filho de Tros, que, na mitologia grega, era rei de Troia. “Antes disso, nunca tive curiosidade em descobrir a origem.”

A produção literária de Xavier já soma, segundo ele, três mil poesias. É dele também a autoria do hino da Academia de Polícia Militar. Natural do Rio de Janeiro, ele foi aluno do professor, poeta e político brasileiro José Guilherme de Araújo Jorge. “Em 1950, ele era o poeta da vez e seus versos me inspiraram. Sempre gostei de ler e escrever.” Veio para Rio Preto em outubro de 1958, após passar por São Paulo e Araraquara.

Agora, aos 83 anos, ele resolveu reunir algumas de suas histórias no livro 1934 - Histórias Incontáveis: Ou Quando Tudo Começou, pela Editora THS. Xavier trabalhou durante 34 anos na Polícia Militar e há 31 está aposentado. Além de Rio Preto, trabalhou em cidades da região como Catanduva, Santa Fé, Monte Aprazível, José Bonifácio e Nova Granada. Desta trajetória, ele guardou várias histórias que foram parar no livro, que tem 248 páginas e nenhuma imagem.

Em Jales, por exemplo, ele passou por um fato curioso. Em 1960, foi à cidade para falar com um delegado. Chegou um dia antes, se instalou num hotel, mas queria descobrir onde ficava a delegacia para não chegar atrasado no dia seguinte. Já na delegacia, do lado de fora, ele ouviu uma cantoria no pátio, decidiu entrar e viu um grupo de homens com violão em volta de uma fogueira. Quando perguntou pelo delegado e pelos policiais, soube que não estavam. “Eles disseram: ‘Somos os presos’.”

Em outro episódio, ele conta que, durante a inauguração de uma cadeia, estava chovendo e havia um soldado em sentinela. O homem ouviu um barulho, perguntou quem era e, como não teve resposta, deu tiros. No outro dia, descobriu-se que cinco presos haviam fugido e um deles foi acertado por um tiro. O rapaz, um uruguaio, perdeu parte do braço. Xavier foi visitá-lo no hospital e ouviu do preso que, a partir daquele dia, ele teria de trabalhar com outra coisa, porque perdeu a mão que usava para bater carteiras.

O policial conta que sempre tentou manter contato com os soldados. Certa vez, foi na casa da família de um deles e descobriu que o mal comportamento no trabalho era resultado de problemas familiares. “Eles me reconhecem na rua até hoje. Não fiz inimigos.” Xavier sempre foi cinéfilo também. Em 1953, em São Paulo, foi ao cinema e assistiu a um cine-jornal que mostrava uma estação de tratamento de água do interior. Em 1958, para sua surpresa, ele descobriu que a estação retratada era a de Rio Preto.

A capa do livro traz um foto do Rio do Janeiro e outra de Rio Preto. A contracapa é ilustrada por várias fotografias de Xavier, desde ele bem pequeno, sentado na moto do pai, até imagens mais atuais. “O livro traz histórias desde quando nasci, em 1934, e episódios que testemunhei”, afirma o autor, que foi motociclista por 60 anos. “Adorava viajar”.

O pai de Ilo Xavier, Moacyr Sampaio Xavier, era da Força Aérea. Xavier é casado com Arlete Maria de Oliveira Xavier. Na sala da casa, um quadro, que reproduz uma foto do casal feita para uma matéria do Diário, decora a parede. Ele tem três filhos. Rogério Xavier é o atual comandante do CPI-5, Fernando Xavier foi comandante em Jundiaí e agora é diretor de segurança em Campinas, e Valéria Xavier Crivelin, que é bancária aposentada. Tem oito netos, mas neste caso nenhum seguiu a carreira militar.

O escritor não pretende fazer lançamento do livro, com sessão de autógrafos ou coquetel. Ele pegou o livro pronto na mão no dia 17 de janeiro e já mandou para alguns amigos e familiares. “Não quero ganhar dinheiro com o livro. Meu objetivo é transmitir vivências por meio das histórias. No entanto, espero que o livro circule. Antigamente, por exemplo, eu deixava obras no ônibus para que outro usuário pegasse e lesse. Quero talvez levar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco para alguns dos 800 alunos. Espero também, por meio do livro, reencontrar amigos.”

 

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